Não gosto de viajar.
Não gosto do povo se gabando, da multidão de turistas, dos que vivem de gastar o que podem e o que não podem para tirar fotos instagramáveis ao extremo, esbanjando falsas certezas e sensações para um mundo que, no final, não se importa com o que exibem à exaustão.
Dito isso, viajo. Porque amo minha família - e detesto a ideia de ver uma filha na TV e uma esposa na cozinha durante todo o tempo de férias. Porque preciso, viajo - e porque os amo, suporto.
Sim, porque suportar é uma arte - principalmente quando se tem (má) fama de eremita, e colegas e amigos "animados" dispostos a falar, e falar, e falar...
... e gastar, e esnobar, e se gabar - não necessariamente nesta ordem.
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Lembra-me Foz do Iguaçu, lugar que preciso rever, para acabar com a sina: na primeira vez fiquei no quarto com dois especialistas em bullying, eles não fizeram nada mas fiquei com tanto medo que passei três dias sem tomar banho.
Quanto à segunda, pior: a Receita me para na alfândega no Paraguai, um cretino, canalha, sem vergonha passa na minha frente - me deixando com cara de babaca na frente de todos (fora ter furado o pneu do carro e ouvir alguém berrando para passar o telefone para quem seria capaz de resolver o problema...).
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A preparação da viagem foi tensa: ninguém acreditava que iriamos. Este que vos escreve, contudo, pode detestar viagens - mas as organiza em casa.
Irônico? Sim, mas também reflexo de algo que utilizei, em minha vida, para evitar a sensação amarga de quem já chorou muito por pagar mico: não importa o que ocorra nada destas viagens é para me agradar.
Vontades? Esqueço isso: só quero chegar em casa bem.
Descansar, descanso depois - é melhor pensar assim que se frustrar por ser preterido em alguma coisa (alguma? muitas, como convém a um marmanjo que não é digno de pena...).
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Passagens compradas, mala arrumada (com direito a chilique), hotel e etc. - tudo pronto!
Boa viagem - e boas histórias.






