10.6.19

Greenwald acha que pegou Moro...

Eis que Gleen Greenwald, do Intercept.Br e de dois prêmios Pulitzer, joga no ventilador aquilo que todo mundo já sabia: Moro é parcial e fez todo o possível para que a Lava Jato, doa a quem doesse, prendesse e arrebentasse quem fosse necessário - incluindo um Presidente da República.

"INJUSTIÇA! Lula tem que sair! Moro tem que ir para a cadeia!!!"

Ah, como é tola a esquerda, como tolos são os extremistas de ambos os lados deste país.

...

Quer dizer que vocês achavam que os que aplaudiam Moro queriam saber de respeito ao processo, verdade material e real, contraditório, ampla defesa e outros fatores que (na opinião de muitos) só servem para manter bandidos fora da cadeia?

Vocês, esquerdistas de plantão, realmente achavam que o devido processo legal interessa para os que defendem o Ministro da Justiça atual no STF?

Ora, ora, ora... tolinhos... isso é tão fora de questão como acreditar que a GREVE GERAL vá provocar algo além de raiva, no povo que se locomove e na direita "camisa da CBF" - que dará o troco, no domingo seguinte.

...

Cada mar vermelho, um enxame verde-e-amarelo. Cada estrela petista, um "Brasil acima de tudo" - e Deus, acima de todos, se perguntando se aquela coisa de colocar um povinho meia-boca num país tropical abençoado por ELE realmente valeu a pena...

P. S.: Moro dificilmente irá para o Supremo - mas as portas que se fecharam no Judiciário podem se abrir onde menos espera. Se Bolsonaro não for candidato à reeleição (e duvido, particularmente, que seja), o Planalto poderá ser o melhor espaço para o ex-juiz-carrasco mostrar seu "brilho".


26.5.19

O grande derrotado das manifestações pró-Bolsonaro: o jornalismo sério


O último jornalista esclarecido será enforcado nas tripas do seu colega oportunista,
que disse que o Centrão era um bando de ladrões e que política "não presta". 

Parabéns por terem feito o Brasil dar uma guinada à direita. Clap, clap, clap!

13.4.19

Holocausto: ninguém perdoa, ninguém esquece - e ninguém vive.

O presidente de Israel ataca Bolsonaro por falar que "até o Holocausto é perdoável". Uma anta.

Mas, convenhamos, o que um cidadão normal, daqueles que não foram preparados anos e anos para assumir um cargo como a Presidência da República, falaria? 

A metáfora foi ruim, mais um motivo para a esquerda bradar que temos um imbecil comandando o país; contudo, para os interlocutores, foi perfeitamente compreensível o que ele falou.

Afinal de contas, mesmo nos piores traumas é preciso ir em frente.

...

Quanto a Israel e o Holocausto... bom, francamente, prefiro ficar com o documentário abaixo.


Difamação - A indústria do Antissemitismo from José Espare on Vimeo.

10.4.19

Reflexão

Quantas vezes não nos escondemos, em nossa tristeza, só para ver os outros felizes?

fps, 03/04, 12:35

1.4.19

Poesia

Para que sonhar
se teu único sonho
é cuidar dos teus?

Para que se iludir
se tua única vontade
é ficar com os seus?

Para que
querer algo de bom

se o teu olhar está longe

e a tua alegria
distante daqui?

Se vais para lá, estás no paraíso.
Se vou contigo, morro por dentro.

Perco o respeito, 
o pouco poder (se é que já o tive).

Uma cara de choro, 
uma unha encravada
e me perco.

A humilhação é certa.


Não, não é justo
ter estudado tanto
para ser babá de velho.

Mas, bem, você nem deve achar isso importante.
Deve pensar que é uma tremenda frescura se importar com o resto de dignidade que tenho...

fps, 01/04, 10:00

30.3.19

O que fazer em 31 de março? NADA.



Isso mesmo. Nada. 

Não há o que comemorar, nem lamentar, nessa data - que deveria ser riscada do calendário, para não causar mais transtornos ao país. 

...

Não há o que comemorar, porque não se pode concordar que atrocidades praticadas pelo Estado sejam sequer lembradas como uma coisa boa. 

Em nome de uma paranoia os militares torturaram, mataram, validaram práticas hostis; promoveram idiotas, ignorantes e assassinos a postos de comando; fizeram da boçalidade uma regra, e da falta de bom senso uma prática - que até hoje nos atrapalha, vide práticas policiais que confundem criminosos com terroristas (e que persistem até hoje).

Mais do que isso: os "milicos" fracassaram economicamente, nos legaram décadas de recessão - difíceis de pagar - e comprovaram que o brasileiro não sabe planejar o futuro. Nada poderia ter sido mais idiota do que financiar o "milagre brasileiro" da classe média com dinheiro emprestado (olá, dívida externa monstruosa dos anos 80 e 90...).

...

Por outro lado, não tem sentido recordar dolorosamente, mais uma vez, os anos de chumbo, para que isso "não se esqueça, nem se repita".

Vamos lembrar de uma dolorosa verdade: muitos dos guerrilheiros, de fato, não lutavam pelo país. Queriam a implementação do comunismo, e, uma vez que seus objetivos foram frustrados, passaram a lutar muito mais pela sua sobrevivência do que por um ideal.

Quem realmente lutou pela volta de um regime democrático ao país foram aqueles que batalharam, por anos, negociando uma saída decente para o fim do regime - e que pensavam, nos escritórios das universidades, no país pós-64. Negociar, contudo, é vergonhoso para nossas elites, que preferiam uma batalha "até a morte".

Aliás, que esperar de quem até hoje elogia a Revolução Francesa, que só se estabilizou, de fato, com o "ditador-imperador" Napoleão?

...

Parcela significativa da sociedade brasileira acredita, piamente, que a esquerda brasileira quer implementar o comunismo no país. Este pessoal pode não ter vibrado entusiasticamente com a eleição do Bolsonaro - mas todos, sem exceção, viram na ditadura o "mal menor" necessário para evitar que o Brasil virasse Cuba.

É quase certo que isso não era verdade. A União Soviética não brigaria com os EUA pelo Brasil, e nossas Forças Armadas (a única entidade capaz de dar golpes no Brasil desde a Proclamação da República) estavam totalmente na área de influência estadunidense (os americanos deram logística para o golpe, inclusive).

A única coisa que a esquerda fez (e continua fazendo) é insinuar um socialismo tupi, desde que conseguiu tomar de assalto as relatorias da Constituição de 88 e fazer da "carta cidadã" um apanhado de boas intenções, destinado a criar um país perfeito - não fosse o Brasil uma nação eternamente sem dinheiro.

Além disso, considerando-se o que aconteceu com o PT de Lula e Dilma, a esquerda não conseguiu entender, ainda, que governar é abrir espaço para o contraditório. Nossa sorte é que, ao contrário de Jango, os opositores tinham a pena, a criatividade e a cara de pau suficientes para tornar o "impeachment" em voto de desconfiança, e tirar o comandante do país enquanto fosse possível salvar o regime democrático.

... 

O Brasil precisa virar a página - e deixar de ser um adolescente sem noção.

Por isso, no mundo ideal, não teríamos nada a comemorar, nem a relembrar, no 31 de março (que era, de fato, 1º de abril).

...

E que bom seria se tudo isso fosse mentira...

29.3.19

Para refletir

"Um homem se propõe a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos, povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de montanhas, de baías, de naus, de ilhas, de peixes, de moradas, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem de seu rosto". 

(Jorge Luis Borges)

27.3.19

Poesia: Enquanto ela se banha...


O que sentir,
enquanto ela se banha,
e eu aqui na sala
vendo TV?

Querendo ser,
em segredo,
seu sabonete.

Ou sua toalha.

Ah, que desejo...

fps, 27/03, 22:25

24.3.19

Reforma da Previdência: os arautos da moralidade e a hipocrisia descarada

Quer dizer que para nossa mídia corrompida Bolsonaro precisa urgentemente "fazer política" para aprovar a Reforma da Previdência, aquela que todos dizem ser necessária - desde que não atinja o meu quinhão - e que, em qualquer cenário, seria considerada indigesta?

Se o certo era comprar votos e liberar emendas, porque condenaram Lula, Dilma, Temer e os demais?

...

Maia quer mais articulação, mais política? O mito responde: "o que é articulação? Não podemos mais fazer política como antigamente, como os ex-presidentes faziam." 

Traduzindo: "é isso que vocês querem, vender votos e emendas como a política que levou Lula e Temer para a cadeia? Roubar o país, é isso que vocês querem?".

Verdade, mesmo, isso não é: negociar benefícios para redutos eleitorais é o que garante reeleições de deputados desde a Primeira República e seu sistema de coronéis. A mídia, contudo, sempre transformou essas práticas, legais mas amorais, no maior problema que o país enfrenta para ser um país bem administrado - a "compra de votos" dos "ladrões" do Congresso Nacional.

Distorceram tanto o que é a política - criando, inclusive, um conceito difuso para separar a política miúda (com "p" minúsculo) da suposta Política (com P maiúsculo) feita nas maiores democracias do mundo. Ora, se até em um exemplo de democracia, como a Alemanha, adversários negociam para colocar suas propostas em troca de apoio, porque um país como o Brasil,  no qual se depende da União para tudo, não se pode fazer algum tipo de negociação pelas Reformas?

...

Se admitíssemos que a política é feita de negociação contínua, em nome de interesses, seria mais fácil aprovar a Reforma da Previdência pelas vias normais, com partidos políticos representando a sociedade. Infelizmente, contudo, a imprensa (e a maioria de nossas elites) parece sonhar com um eu "fascismo do bem, que conduzisse o Brasil a um progressismo escandinavo - ou um país dominado por tecnocratas, como a União Europeia e outros organismos internacionais.

Essa política costuma sempre dar errado, principalmente porque se baseia em uma visão de especialistas, cujas "boas práticas" quase nunca são aplicáveis totalmente às empresas e aos organismos públicos. É a ideia de "conselhos representativos da sociedade civil", eleitos em processos esvaziados (como o que elegeu tais Conselhos em São Paulo), compostos de gente com solução para tudo - menos para os problemas do dia-a-dia do cidadão.

O resultado? Um Estado fazendo tudo de errado - exceto para a imprensa, que endeusa administrações horríveis e ataca quem faz o que o povo quer.

Como Bolsonaro. 

...

O "mito" não está sendo idiota. Está fazendo o que ninguém no Brasil fez: apresentando um projeto de Reforma ao Congresso e esperando que este seja discutido, sem dar nada em troca. É loucura, mas pode dar certo - pois o mercado, e os responsáveis deste país, querem a Nova Previdência.

Como disse Ricardo Capelli ao Congresso em Foco, o custo de deixar tudo como está é enorme:

Que tal o desemprego subindo, a miséria aumentando e a culpa do caos ser dos políticos que só pensam nos seus próprios interesses e de ministros do STF que “vivem de soltar corruptos”?
...


Se Bolsonaro aprovar 50% da Reforma, sem conceder nada ao Congresso, terá feito o que nenhum governante fez, desde o início da Nova República : dobrar os políticos. 

Se não conseguir nada... quem disse que o presidente quer mesmo aprovar essa reforma? Não foi para isso que ele foi eleito; não para "ferrar" o povo.

Jogo de ganha-ganha. Xeque-mate, do "mito" e dos seus conselheiros. 

A ver.

24.2.19

Para variar, no final ele escorrega demais... mas não deixa de ser uma boa reflexão...

Família vende tudo, por Carlos Motta

​Família vende tudo, por Carlos Motta
Conheci um sujeito, não era propriamente meu amigo, mas estudei com ele alguns anos, nos antigos ginásio e colegial.
Um cara normal, brincalhão até em demasia, que não se destacava em nenhuma matéria da escola, mas que chamava a atenção por algo, que nós, seus colegas, meio que admirávamos, meio que gozávamos dele por causa daquilo: tinha a mania, acho que o termo certo é esse mesmo, mania, de vender coisas.
Explico melhor, não só vender, como comprar.
Funcionava assim: ele sabia que um de nós tinha, por exemplo, uma vitrola - para quem não sabe, era assim que a gente chamava, naquele tempo, o toca-discos - quebrada, fazia uma oferta ridícula por ela - às vezes até ganhava algum desses trastes - e não sabíamos como, consertava a bicha e a vendia por um preço que, para a gente, era extraordinário.
Ficávamos sabendo dos seus negócios porque ele não fazia nenhuma questão de escondê-los.
Ao contrário, vivia se gabando deles.
Acabado o colegial, perdi de vista esse meu colega vendedor de coisas.
Encontrei com ele, depois, apenas duas vezes.
A primeira foi num restaurante.
Ele me viu, foi até à minha mesa, nos cumprimentamos, e apontou a sua família, que almoçava perto de uma janela, esposa e dois filhos, pré-adolescentes.
Perguntei o que estava fazendo da vida e vi, então, seus olhos brilharem:
- Continuo comprando e vendendo, só que agora coisas maiores, carros, terrenos, até imóveis. Naquele esquema, você se lembra, de dar uma reformada, uma consertada, e ter um bom lucro.
E continuou, por alguns minutos, a falar das vantagens do seu negócio.
- Na maior parte das vezes não pago imposto, não tenho firma, e assim o lucro é maior ainda.
Encerrada a conversa, se despediu.
Fui reencontrá-lo poucos anos depois.
Voltava para casa e tive de fazer um desvio por umas ruas perto de onde trabalhava por causa de umas obras.
E acabei passando justo em frente onde esse meu colega de escola morava com seus pais no tempo em que estudávamos juntos. 
Curioso, olhei para a casa, e como ainda era dia, estava claro, pude ler uma placa, tamanho daquelas de "vende-se", só que nessa a mensagem era mais ampla - "Família vende tudo", dizia ela.
Não aguentei.

Estacionei o carro, e fui dar uma olhada mais de perto.
Mal cheguei em frente da casa, vi o meu antigo colega sentado numa cadeira, no fundo da garagem.
Fui até ele, apertamos as mãos, e, sem sequer perguntar, ele foi logo contando a história:
- Veja só o que é a vida, meu amigo. Estava bem até outro dia, mas tive um azar daqueles. Comprei um carro de uma senhora, velhinha, que precisava do dinheiro. Estava inteirinho, uma beleza. Fiz uma oferta, paguei bem pouco, ela precisava do dinheiro... Disse "esse eu não vendo, vai ficar para mim". Pois bem, num belo dia, estava viajando com a família toda, e numa curva, o carro saiu de lado, brequei, e nada. Acabei capotando, o carro amassou todo, foi perda total, e nós quatro, eu, minha mulher e meus dois filhos, saímos feridos. Eles tiveram só alguns cortes, algumas contusões, um braço e outro quebrados, mas eu... Me lasquei, tive uma fratura complicada numa perna, fiz duas cirurgias. Conclusão: gastei um bocado com tudo isso, e ainda não estou bom, a perna dói, não consigo andar direito, uso até uma bengala.
- Mas você não tinha plano de saúde? - perguntei.
- Tinha nada, sempre fui daqueles que ganhavam dinheiro e gastavam tudo ou quase tudo. Trabalhava tanto, fazia tantos rolos, que acabava esquecendo dessas coisas. O dinheiro entrava e saía...
Ele contou ainda que seus pais haviam morrido e ele tinha herdado aquela casa. E que, depois de tentar tudo, havia chegado à conclusão de que não havia outro jeito a não ser vendê-la, com tudo o que estava nela, para poder tocar a vida.
Fui embora triste, confesso.
Nunca mais vi esse meu antigo colega de escola.
De vez em quando bate uma vontade de saber como ele está, se ele ainda compra e vende coisas, como ele tem se virado nesta baita crise que o país vive.
Afinal, os seus negócios nem de longe podem concorrer com os dos espertos negociantes que hoje ocupam o Palácio do Planalto.

1.2.19

Poesia


Tem dias que olho, tu, 
tem dias que te olho, 
teus olhos, 
meu dia, 
teu céu.

Teu, 
meu, 
nosso. 

Meu eu, todo seu.

Sou eu.


fps, 08/08, 16:21

30.1.19

Prosa poética: Ofensas



"Você vive em um mundo só seu, onde só entram eruditos. 
Você é perfeito, ninguém penetra nele.

Eu quero sair com minhas amigas, falar de amenidades, 
e VOU FAZER ISSO.

Você só vive no seu canto, parece um autista.
Trata sua filha de dois anos como se ela tivesse 20.

Você se acha mais importante do que pensa,
na hora em que eu quiser é só separar os bens e tchau".

Quer saber qual a maior prova do meu amor?

Não ter sumido de casa, nem tomado veneno, 
a cada vez que ouvia coisas como essas de você.

fps, 30/01, 12:09

19.1.19

Para pensar

Três são as coisas que levam os homens a se sentir cativados e dispostos a dar o apoio eleitoral: um favor, uma esperança ou a simpatia espontânea".
Quinto Túlio Cícero