- Hmmmm... zzzz... uhmmmm... zzzzz...
A janela do quarto, mesmo fechada, deixava passar alguns raios mínimos de sol, o suficiente para anunciar que lá fora o dia já estava engatando a segunda marcha. Dentro do quarto, porém, uma singela mocinha se recusava a sair do gostoso estado de letargia que só um colchão fofo e cobertas quentinhas podem proporcionar...
... claro, isso apenas se a pessoa em questão tiver tempo para aproveitar tudo isso.
- Lu... Lu... acorda, Luna! Sete da manhã...
Nossa pequena abre os olhos - não imediatamente, claro; e nem os dois de uma vez, dado que o frio do inverno paulistano convida a chocolate quente, cama e colinho de mãe, ainda que não necessariamente nesta ordem. Seria um cenário ótimo para a preguiça - a não ser pelo detalhe do calendário: terça.
E o batente, hoje, é às nove. Em ponto. Sem dó.
...
- LUCIANA VALENTINA, ACORDA ou VOCÊ vai se ATRASAR para o trabalho DE NOVO!!!!!
O berro descompassado da mãe, que sabia tanto levantar falsos moribundos como ser ouvida de longe por mecânico cuidando de motor V8 de Chevrolet antigo, serviu. O corpo se levanta e segue para o banheiro, com a alma ainda em estado de suspensão, num lugar desconhecido, começando toda uma sequência de cuidados, essencial para o bem estar de Luciana pelo resto de seu dia.
Depois de um banho não muito demorado - já que não custa lembrar: ela está atrasadíssima - o cenário de caos organizado vai, aos poucos, se revelando a silhueta extremamente alinhada de uma garota de 21 anos, vestida com saia e blusa de alfaiataria, camisa branca e sapatos de salto não muito alto, que revelam uma beleza bem brasileira (de corpo e de rosto) e um rosto de boneca russa (talvez italiana).
Uma tiara vermelha emoldura o loiro dos cabelos, e o óculos de "gatinha" completa o visual: eis Luna Valentina, estudante de Direito, pronta para um dia de muito trabalho, estudo - e muitas emoções.
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