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23.6.26

Prosa, revisitada: Vossa Excelência



- Vossa Excelência deve saber o valor da confiança que o povo depositou em suas mãos. Deve compreender que o poder deve ser exercido como mandam as boas normas da democracia, criadas há mais de dois mil e quinhentos anos e adotadas por quase todo o mundo como princípios fundamentais da liberdade que tanto queremos para nós e nossos filhos, e que se resumem na noção de ser a democracia o governo do povo, para o povo e pelo povo !!!.

Aplausos grandiosos enchem o salão nobre do Parlamento, e todos os olhares se dirigem, não ao preletor, considerado Defensor Perpétuo da Pátria e chefe de Estado único do País, mas a quem está sentado à sua direita, aquele que será o novo dirigente do País e que deverá suceder o preletor no comando daquela grande Nação. 

Olhares de admiração contemplam o velho soberano, orgulhoso de suas virtudes e amado pelos seus, e outros tantos observam, calmamente, o futuro mandatário, que deverá ser tão querido e idolatrado quanto aquele que falava naquele momento.

...

- Vossa Excelência, em nossos anos de convivência, sempre provastes ser digno de tal honraria. Provou conseguir o apoio de seu povo, para chegar onde chegou. Em muitos anos de vida pública e privada, jamais vi homem que conseguisse tamanha aprovação em todos os cantos do nosso País, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, somente com seu próprio carisma...

Mais aplausos completavam o ambiente festivo. Porém notava-se uma certa seriedade incomum no novo eleito, alguma coisa que destoava do ambiente - pois, naquele momento, o futuro líder olhava para os cantos, pensando consigo mesmo:

“Pois é, enfim chegaste onde queria. Tantas lutas, desilusões, fracassos... e, finalmente, a vitória.

Mas como foi duro chegar aqui! 

Primeiro, as prévias do partido, onde ninguém era de ninguém, e era preciso conquistar os votos "na raça" - custe o que custasse, a qualquer preço que fosse possível pagar (e até o impossível). 

Ganhei, mas por pouco - e que suado! Depois, as eleições. 

Dureza... correr atrás de eleitores, caciques políticos, apertar mãos, beijar pessoas. 

Fui acusado de tudo: safado, canalha, corrupto ... estuprador, assediador, bicha!...

... tudo mentira, o que era verdade a gente manteve em sigilo, sigilo ABSOLUTO, pois não dava p´ra dizer nada, nada, NADA... 

Quantos jantares, meu Deus! Quanta amolação, quantos tapinhas nas costas ... quanta falsidade!”

...

Parou para respirar, mas o pensamento não parava:

“E, no final das contas, aqui estou eu... 

O que virá depois? Serei mal-amado, maltratado, falarão mal de mim pelas costas, virão mais puxa-sacos, mais amolação ... e mais sujeira, e que sujeira!”

Percebia-se na plateia o suor do futuro mandatário. O que seria? 

Emoção? Luz dos holofotes? Talvez... medo?

...

“Não sei se serei capaz de fazer isso. Não vou conseguir. Não vou ...”

- E assim, Vossa Excelência, só posso dizer-lhe uma coisa, agora que lhe passo os símbolos da Nação - que o futuro decida sobre seu destino, e que o povo seja o juíz de seu futuro!

Grandes aplausos, e iniciava-se a parte seguinte da cerimônia: a leitura da declaração de posse do novo governante. Após lê-la, o poder mudaria de mãos definitivamente. Não haveria chances de retorno, não haveria choros, não haveria nada - somente a mudança de poder.

O homem suava mais. Calafrios corriam por seu corpo, e sua mente pensava somente em uma coisa:

“Não vou ... não vou ... não sei se posso ... não vou ....”.

Chega a hora. Levanta-se, vai ao posto de honra e começa a ler:

- Declaro.... declaro que .... declaro solene..mente....que ...

Nesse momento, tudo passa rapidamente por seu cérebro: desilusões, dinheiro, prestígio, poder, glória e um lugar na história. E conclui, sorrateiramente:

“Ora, bolas... que é isso...

Lutei tanto para chegar aqui, neste momento, e vou desistir? 

Não seria justo com o povo, com quem confiou em mim, me deu dinheiro, prestígio e votos... 

... e principalmente, comigo mesmo, porque não? ORA...”

...

- Declaro, solenemente, que aceito a vontade do povo que me elegeu para tão ilustre cargo deste País. Prometo lutar para que a democracia seja firme e sólida, e para que o nosso povo esteja sempre entre os grandes lugares da História. 

ASSIM EU JURO E CONFIRMO. PORTANTO, CUMPRA-SE!”

Aplausos, gritos e saudações marcam o início de uma nova era. O novo líder olha para seu povo, para os que estão junto de si, para dentro de si mesmo ... 

... e sorri, certo de que aquilo que fez realmente estava de acordo com o esperado.


fps, 29/06/2026, 16:35


19.9.25

Poesia



Me aceito
imperfeito,
 
me quero perfeito.
 
Sem jeito.
 

Não tenho conceito.
 
Tenho
preconceito.
 
Procuro, receito.
 
Me quero perfeito, mas sou imperfeito.
 
Tenho um preceito.
 
Mas sigo,
sem jeito.
 
Me quero
perfeito?
 
Mas sou imperfeito!
 
Que droga, me enfeito!
 
E não tenho peito...
 
.. de ser imperfeito.
 
E então, perfeito...
 
... não sou, não tem jeito.


10.9.25

Poesia

 "Sonho um sonho só que não se sonha só sonhando.

Sonho o que sonho, e sonho sonhando um sonho que sonho.


Sonho contigo. Sonha comigo?"


fps, 10/09, 14:51

5.9.25

Poesia: Tudo é você


tudo nessa vida me lembra você...

mar, céu, flor, calor, vida, gosto, doce, salgado, bom, mau, terra...

é tudo você, você, você, você, você, você, você, você, você, você...

você.


fps, 12/09, 11:39

2.4.25

Poesia: Sonho meu



num tempo
em que se sonhava bem mais do que hoje
a elegância discreta de uma moto sussurrante
se fazia notar

o ruído alto
o estrondo...

eram tempos em que a ficha não tinha caído,
e nos quais era possível ter devaneios.



hoje ainda sonho outros sonhos:
 
possíveis.


fps, 02/04/25, 21:15

22.3.25

Poesia

 "Você estava lá, supersatisfeita no seu papel de mãe, pra lá e pra cá...

... e nem percebia que no meu peito fermentava um desejo. 

de liberdade."


fps, 22/03/25, 10:35 

27.10.23

Poesia, sem nome



Queria
te abraçar, te beijar, te amparar... 

nos momentos difíceis te olhar...e dizer: 

tá tudo bem, 


não se preocupe, 

o dia e a noite passam e a alma doída se acalma...


Queria, não: quero. 


Agora. 

Hoje. 

Sempre. 


Pra sempre.



fps, 27/10, 00:30

23.4.23

Poesia: O compasso das estações

 O compasso das estações


Grandiosas palavras,

singelos momentos,

profunda emoção;

são necessidades

que criam no mundo

a pura vontade

da reflexão;

de um novo sentido

para a estação

que se inicia,

a todo momento

em um sentimento,

total redenção.

Tudo isso em um dia,

que sempre se encerra,

tudo isso nas horas

de reflexão.




Tudo isso ao fim

de mais uma estação.



fps, sem data


2.1.23

Poesia: De Otávio para a cobra

  

De Otávio para a cobra

 
Matastes Cleópatra,
ó doce serpente.
 
Não sei se te esgano,
ou se te agradeço.
 
Matastes a vaca,
ó minha amiga.
 
Com teu fatal beijo,
teu beijo de apreço.
 
A tia descansa,
está mui feliz.
 
Pois tu a mataste,
quebraste a cerviz.
 
Finalmente agora
é o fim dessa luta:
 
Pois tu conseguistes,
MATASTES A PUTA !!!
 

Cleópatra, rainha do Egito,
seduziu a César, o mais poderoso de seu tempo,
mas caiu vítima da fúria de Otávio, sobrinho dele.
E que vira, durante anos, a própria tia sofrendo por uma dura traição ...

Fábio Peres da Silva
14/11/03, 15:39 

21.10.22

Poesia

 



"O amor é remédio, 

a beleza, comprimido;

o poder, feromônio,


e a vingança...


... a vingança, amigo, é o gozo."


fps, 21/10, 10:10

12.8.21

Poesia: Não

NÃO.

Não vou mendigar carinho, afeto, abraço, chamego, beijos e tudo o que gostaria.

Se é para endurecer, que seja.


fps, 12/08, 13:04

16.6.21

Poesia: Ela não olha...

 Ela não olha mais para mim.

E eu sonho, com o passado.



Não quero ir mais lá. Não posso.


E só tenho pena da pequena.


Estou cansado de amar, e não ser amado. Apenas isso.


Me ajuda?


fps, 16/06, 23:03


30.5.21

Poesia: Ok, Alexa...

 


 

- Tita, são dez horas. Vamos dormir?

- Ah, não. Quero só mais um pouquinho de chamego.

 

- Tita, são dez e meia. Vamos dormir?

- Ah, não... quero só mais um... uaaaahh...


- Querida, são onze horas...

- Nem vem que não tem, hoje estou muito cansada.

 

E assim caminho, rente ao precipício.

 

fps, 30/05, 22:00

28.4.21

Poesia: Vontade de...

 ... te pegar de jeito, depois de um dia quente, no qual a visão do paraíso estava tão próxima que meu corpo, suado e cansado, agradecia os olhos não poderem ver tudo o que se oferecia.

... te pegar com gosto, depois de um dia chato, no qual a única coisa que penso é deixar o professor no canto e ir atrás de você.

... te pegar, te sentir, ter seu calor e furor...

... ter alguma coisa de você.


fps, 28/04/21, 16:38

25.4.21

Poesia: Sinto saudades...


Nas redes, as pessoas dizem: "sinto saudades".


Do quê? Não se sabe.


Ou melhor, se sabe, sim:

saudades de um tempo em que o país era respeitado lá fora.


E eu, com o rabo do olho, só observo.


Onde estavam eles

quando as tenebrosas transações

dilapidavam a democracia por dentro?


Éramos uma árvore frondosa

com raízes apodrecidas

por nós mesmos.



Saudade?


Saudade eu tenho é das tardes de sábado,

quando dormia, sem preocupações,

na casa dos meus pais.


Ah, como era bom...


fps, 25/04/2021, 22:06

9.9.20

Poesia: Na academia


 Anda, corre, corre, 

corre, sua, sua...


Corre e sua, 

escala, constante, 

no ritmo...


Zumba do lado, 

tela à frente.


(constatação: 

o diabo criou a legging... mas Deus fez o homem míope)


E está só começando...


VAI!


Levanta, abaixa, agacha,

agacha, levanta, deita.


Sobe, desce.


Foorça...


Um, dois, três... 

quatro, cinco, SEIS...

... sete, oito, NOVE, deeeeeEEEZ...


FOOOORÇA!


... ooooNze...


DOZE!!!! 


Força... nas pernas, quadris.


Um pouco de água, e mais força!


E sobe, e desce, e sua... 

e sofre... 

e continua... "parô!"


"Cabô moleza?"


Cabô.


Mais um dia lutando por menos dores.

(e, quem sabe, um peitoral definido)


Afinal de contas, 

sou bem mais do que um simples falo de um pé...


FPS, 09/09/2020, 23:00

8.9.20

Poesia, ou prosa poética

Sinto falta
da selvageria de teu sexo louco e insano,
sem consequências além de uma boa noite de sono.

Cadê você? Me dá um sinal.

Me dá.
Me dá, me dá, ME DÁ...

... só um pouquinho...


fps, 01/02, 15:00