16.7.14

13.7.14

Algumas ponderações sobre a Copa e o futuro do futebol brasileiro


19.6.14

Poesia



bela e faceira e adorada filha de safo,
uma pena que teu bom gosto seja minha ruína.

vós, que me fascina,
atrai pelo corpo; e a alma seduz ...

... oh, desabafo!

por ti me faço todo,
me refaço, tudo, 
todo,

todo de novo.

todo novo.

toda nova,
renasço.

loira, morena, ruiva, 
divina sede que consome.

quem me dera que reencarnes num belo guapo,
e eu numa deusa de ébano,
para me cantares a vida toda.

e eu te dizer, sempre:

sim.

fps, 07/10/2013, 23:19

12.6.14

#vaitercopa ... mas ... poderia ser diferente?

Cosme Rimoli dá o "n´ésimo depoimento a respeito de como o Brasil está desperdiçando dinheiro com a Copa do Mundo, como poderia ser diferente, e outros aspectos que sempre são levados em conta pelos defensores de um "Brasil ideal" que povoa as redações de jornais e revistas, e a cabeça da classe média mundo afora - a de um país perfeito, mas que não se sustenta quando entra em contato com a realidade. 

Esse escriba tentou retrucar ao cronista esportivo, mas sabe que às vezes os "posts" em blogs se perdem no tempo (ou não são autorizados) - e, por isso, escreve aqui o que seria uma resposta, não só a ele, mas a todos os que achavam que a organização da Copa 2014 poderia ser diferente do que foi.

...

"Complicado ...

Um órgão centralizador poderia ter resolvido todos os problemas de gestão que ocorreram na Copa?

Talvez, mas o Brasil, embora muitos duvidem, é uma federação: teríamos que mudar toda a legislação para que o Comitê Organizador da Copa mandasse em todos os níveis do governo, da União até os municípios, sempre pelo "bem maior", a realização da Copa. Seria o pretexto ideal para mexer até mesmo com a Constituição, e rasgar a forma de Estado vigente no Brasil completamente.

O que me leva a perguntar: se até o fato de acarajé não estar sendo servido na Fonte Nova vira motivo para preservar a soberania nacional, quanto mais uma barbaridade como "centralizar as decisões da Copa"?

...

Doze sedes é muito? Sim, mas seis seria inviável, e oito seria muito pouco.

E, se quer saber, São Paulo é mais desperdício como sede do que Brasília, que é a capital do país. Aqui não precisava ser a abertura da Copa (Tóquio não foi nem sede em 2012), e só foi porque os paulistas impuseram isso - e com muito prejuízo para os negócios locais, por sinal.

Pela minha lógica peculiar, tirava São Paulo e Recife (que desprezaram os estádios) como sedes da Copa, trocava Manaus e Cuiabá por Belém e Campo Grande. E só.

...

Os investimentos nos estádios foram muito grandes? Tá, isso é verdade ... mas há outro fato, bem cruel, do qual não podemos escapar: nossos estádios eram (e ainda são) um LIXO, e só estão sendo mais caros porque não se optou por derrubar muitos deles para construir outros.

Foi mais barato construir o Itaquerão do que derrubar (ou reformar) o Morumbi.
Foi melhor ter demolido a Fonte Nova, e construído um estádio novo no lugar.

Mas alguém, dotado de sã consciência, teria coragem de mandar demolir o Maracanã?

...

As obras de mobilidade não saíram? 

Em termos. 

A maioria está saindo, e estará terminada para a população; mas só não estão concluídas a tempo porque a fiscalização está sendo efetiva, até demais da conta (como no caso de Cuiabá, que queria vai engolir um VLT porque alguns acharam que era desperdício ter metrô por lá). 

Fosse tudo enfiado no RDC, sairia rápido (e, com certeza, bem mais caro).

...

Em tempo: trem, no Brasil, é inviável. Acostumem-se a isso.

...

Finalmente: as manifestações aconteceram?

Correto. Foi bom, aliás, ver o povo sair às ruas defendendo ... "sei lá o quê". Mas, veja bem, além da da PEC 37, que outros resultados elas deram? 

As jornadas de julho foram insuficientes para gerar a revolução desejada por aqueles que só saíram às ruas enquanto as férias não começavam, e porque não estavam organizados em torno de ideias verdadeiras. O MPL ganhou a tarifa zero, mas só para que depois as greves de ônibus e metrô mostrassem que sistemas privatizados não pagam o almoço grátis de ninguém. Os black blocs, fruto dessa "galera bonita que foi às ruas revolucionar não sei o quê", geraram mais tumulto do que satisfação, e o #naovaitercopa virou, no frigir dos ovos, mais um sonho de uma noite de verão do que uma realidade consumada.

E, no final, quem foi às ruas mesmo foram os sindicatos e o MTST, para defender causas reais, do dia-a-dia, para ganhar ou perder. Mas para lutar, de verdade, pelo que eles querem.

...

Me pergunto como seria a Copa ideal que a imprensa e os que a combateram defendia. 

Num Morumbi "arrumadinho", Arena da Baixada incompleta, outros estádios conservados como museus, oito sedes concentradas no Sul-Sudeste (esquecendo-se de que o Brasil também existe acima da Bahia), com um politicamente incorretíssimo saci fumante como mascote, e com um monte de falsificações que atropelassem os patrocinadores da FIFA e consagrassem o "nas coxas" como o legítimo modelo brasileiro.

Não funcionaria. 

Aliás, se fosse para ser assim, nem valia a pena ter Copa - por mais que gente como o pessoal da Boitempo e outros nacionalistas de plantão pensassem o contrário.

Isso porque é fácil falar que o Brasil não seria digno de fazer uma Copa, ou que era melhor que não tivesse acontecido. 

Difícil é imaginar que seria melhor do jeito que alguns achavam que ela deveria ter sido."

...

Esse texto começou simplesmente como a resposta a um "post" num "blog", mas ganhou corpo e alma de post para o TrashEtc!. Bem que esse escriba gostaria de ter escrito isso antes - mas, como dizem por aí, "não adianta perder tempo com quem não vai concordar com você nunca".

Fica, portanto, como um desabafo - de quem sabe que, no fundo, não poderia ter sido diferente; de quem acredita que o Brasil é melhor do que as pessoas que organizam tais eventos, e também muito melhor do que aqueles que os criticam sem saber como as coisas funcionam; de quem acredita em seu país e sabe que não é fácil fazer o mundo olhar para esse país; e de quem tem fé de que, no final, tudo dará certo.

Essa é a Copa 2014 que faremos. 

A Copa NO Brasil. E a Copa DO Brasil.

1.6.14

Poesia, sem nome



angústia
medo
frustração
sono pesado
sono leve

suor
incontido
derrama lágrimas no chão.

melhor acabar logo com isso.

um tiro, na cabeça.

ou no coração.

fps,
30/05



8.5.14

Poesia: Vale a pena?


Vale a pena? Sim ...

Se não fosse
pra valer a pena
porque estaria eu aqui?

Vale a pena? Sim ...

Se não fosse
pra ser diferente
que faria eu de fato?

Vale a pena? Sim ...

Se tudo
de nada valesse,
e nada fosse diferente,
o que é que
seria do mundo?

Vale a pena? Sim ...

Se só fossem
vãos os esforços
e nada desse certo
se fosse fora do "script",
o que valeria?

Vale a pena? Sim ...

Vale,
vale a pena,
vale a pena amar,
sonhar,
vale a pena sorrir,
cantar,
vale a pena chorar,
tirar fotos,
mirar
no horizonte,
viver,
amar,
sofrer,
suar,
TENTAR !!!!! ...

Vale a pena?

Claro,
que vale a pena, sim !!! ...



fps, 20/11/2003, 15:47

16.4.14

Poesia

Pizza




Margherita
ou calabresa?
Catupiry
com frango?
Ou sem?
Portuguesa?
Sem cebola?
Atum?
Quatro queijos
ou só três?
Mussarela
comum
ou de búfala?
Tomate seco?
E o vinho?
Coca?
Com gelo
e limão?
...
Tanto faz.
E vai logo, que eu tô com fome !!!
fps, 16/03/04, 16:15

23.3.14

O filósofo e a mesa da ditadura


Perguntaram ao filósofo, do alto de sua sabedoria, qual era a diferença entre a democracia e a ditadura. 

Este parou, fitou o horizonte por alguns minutos; depois, tomou mais um gole da vodka que estava bebericando. Arrumou a gravata, levantou-se solene e passou a contar-lhes mais uma das parábolas que, vez ou outra, aquele bar se acostumar a ouvir entre um gole e outro de cerveja:

"Em uma casa de família o jantar de domingo é servido. 

Cinco são as cadeiras da mesa que visualizamos: a cabeceira é do pai, que, sisudo, aprecia em paz sua refeição domingueira. 

A mãe, sentada à direita do patriarca, estende ao filho mais velho um prato, que o recebe, silenciosamente; este, que está à esquerda do pai e de frente para a mãe, se veste com camisa sóbria, de mangas compridas, e calça social, bem apropriada para a ocasião.

Ao lado da mãe, uma formosa menina, de vestido bem largo e tranças, toma sua sopa sem fazer barulho. A cadeira ao lado do mais velho se encontra vazia, mas os pratos e talheres se encontram arrumados, como se alguém estivesse para chegar a qualquer momento."



Dito isso, parou. 

Esperou que o último se calasse, tomou mais um gole da bebida transparente que o acompanhava, afrouxou a gravata e continuou:

"A princípio a imagem que contei poderia ser muito tranquila, de uma família feliz. Mas e se eu lhes contar que cada um deles esconde um segredo muito grave dos demais membros dessa mesa?

A esposa tem um amante, a filha está grávida, o filho mais velho fez uma tatuagem recentemente (e esconde um punhado de maconha no seu quarto). Quanto à cadeira vazia, é do filho mais novo, expulso de casa depois de revelar-se homossexual.

E que é sempre lembrado pela mãe, que mantém os pratos e talheres arrumados, na esperança de que, um dia, volte para o seio de sua família."

...

Diante do olhar estupefacto dos presentes, ele sorri. Bebe mais um gole da água que o acompanha, e explica a parábola a quem ainda não entendeu o que :

"Assim é a ditadura, meus caros senhores: uma grande falsidade, disfarçada pela ordem. 

O pai é o ditador, o poder dominante, militar ou civil: impõe respeito à força, possui o poder, mas não sabe do que se passa à volta. 

A mãe é o seu preposto, que age como auxiliar da ditadura enquanto lhe interessa: uma hora, quando a democracia voltar, deixará o pai de lado para ficar de vez com seu amante.

Os filhos são as diferentes faces do povo, que ora se submete à hipocrisia dominante, ou esconde seus delitos; poucos, porém, assumem o que realmente pensam, e quando o fazem são reprimidos - ou exilados, como o filho expulso de casa por ser verdadeiro consigo mesmo".

...

Terminadas essas palavras, toma o último gole, e vai saindo quando um gaiato pergunta: "E a democracia?".

Não responde, o filósofo. Está longe, já pagou a conta e vai embora. Mas voltará. 

E responderá a essa pergunta.

Um dia.


fps, 23/03, 16:48

P. S.: A tirinha foi feita depois, mas é perfeita para esse texto. Crédito ao Mentirinhas pela sacada.




20.3.14

Prosa: O desafio de escrever um poema

O desafio de escrever um poema

“O real caiu / o dólar subiu / recessão se instala entre nós
o povo sorriu / o homem cresceu / aniquilando a todos nós ...”

Que nhaca! , pensava eu naquela manhã cinza de setembro, em que o céu chuvoso fazia crer que nada de especial apareceria para encher meus olhos de contentamento. Mas, bem, era um dia chuvoso, como já disse, e, sem nada p´ra fazer além de encher-me de pálida paciência e olhar o mundo cão à minha volta, pensava no que escrever naquele dia horrível, em que nada parecia dar tão certo como deveria ...

“Ah, que saudades eu tenho / Da casa que jamais eu via
Do tempo que eu jamais tive / Da vida que nunca vivia ...”

Parecia mais chato ainda, aqueles versinhos tão chochos que eram indignos da imaginação que um homem como eu sempre tive. Parecia um tédio, um tédio infinito, daqueles que nada valiam, e que não tinha muita idéia de como terminariam. Bem, bem, voltemos ao texto - se é que ele vai sair ...

“Nos meus tempos de playboy / Ah, como isso resolvia
As mulheres ao meu lado / Os homens, na tal sangria
Esperavam que eu passasse /  A pular, com alegria ...”

Infantil, chato, piegas, tão vulgar como literatura de cordel - não que eu não goste, mas não parece sofisticado para um homem como eu. Bem, pensemos mais um pouco e veremos onde vamos chegar.

“Que tédio, que vida, que nada / Que impulso eu poderei ter
Se na vida, de tão grandiosa / Nada mais irei compreender ?”

Enfim, alguma coisa que prestou! Ainda não é o que quero, mas até aí ...

- Queridô, você não vem para a cama? Tá tão bom aqui ...

Hum ... bom estímulo para pararmos por aqui com esta estória, pois, como eu mesmo digo:

“Nada mais há melhor que a escrita / Nada mais, nada mais não será ?

Sinto muito mas há uma coisa / Muito melhor, que é o amar...”

fps, revisado e revisitado em 01/06/2013

8.3.14

Prosa: O dia da renúncia

O dia da renúncia

 
Decidiu - no dia seguinte, 8 de março, abandonaria tudo, tudo mesmo.
 
Era Dia Internacional da Mulher, o dia dela, dela e de tantas outras, portanto que se virassem os que dependiam dela porque ela ia mesmo era à festa, mulher que 364 dias passa correndo para cuidar de marido e filhos, e nada pra ela.
 
Então, bem de manhãzinha, ela saiu.
 
Saiu pelos shoppings, e pelas ruas, e pelos lugares onde o dia chegava, o Dia da MULHER.
 
Mas percebeu um negócio intrigante: em todas as propagandas, em todos os lares, por todos os lados, não se viam mulheres sozinhas, independentes e donas de si. Mesmo a independente cuida de seu corpo para conquistar os homens e invejar as outras, e o sabão em pó vende para mulheres que cuidam de sua casa; as mulheres não estavam sozinhas, estavam com seus maridos, amigos, namorados, com os homens que criticavam tanto nos outros dias e mesmo nesse também faziam - percebeu que até a notícia era requentada, e, ao ver os homens sozinhos fazendo fiu-fiu, percebeu que não dava.
 
Voltou para a própria casa, era quase meio-dia; a cama estava arrumada, ainda que mal-ajambrada, o marido ainda fez o café, e então ela assumiu.
 
Fez o almoço gostoso, arrumou alguma coisa, foram fazer compras e o dia, no final, até que foi bom, descontando o que ficou para o dia seguinte.
 
E à noite ela, caindo no sono, é que percebeu o óbvio: negava que gostava daquilo, mas no fundo gostava de ser mulher, mãe, amiga, tudo ao mesmo tempo; e que vale ter a tal da liberdade se não se pode usá-la para estar com os que se gosta e fazer o que se quer?
 
E daí prometeu a si mesma: nunca mais iria abandonar aquele inferno gostoso, nem renunciar àquilo que, no fundo, era sempre seu ...


08/03/04, 11:17

3.3.14

Poesia, de carnaval



pierrô apaixonado anda pelas ruas
enamorado de uma colombina 
que não olha seu sofrer.

e se ele não existisse?

ela voltaria para sua casa, sua vida, 
e ficaria em paz.

em paz com seus múltiplos sonhos,
seus passos, ruídos,
batidas na porta.

num toc-toc-toc incessante e insano.

ela voltaria para seus bebês, seus meninos,
seus sonhos.

seu mundo.

que não é o dele.
por mais que insista em querer fazê-lo seu.

pierrô apaixonado anda pelas ruas

ele existe. e é real.

fps, 03/03/2014, 00:36

19.2.14

Para o sucesso da missão …



Manter a guarda fechada, sempre.
Lutar, sempre.
Lembrar-se de que o inimigo será desleal, sempre.
E entender, sempre e sempre, que a jornada só acaba no final da campanha.
fps, 11/10/2012, 18:30