14.5.15

Prosa

Conversa com Deus

Senhor, acho que eu nem deveria estar escrevendo esse texto. 

Sabe, muitos até achariam que isso é uma doce bobagem - coisa de criança, sabe, coisa de pessoa fraca, que não sabe o que pensa, nem o que acha da vida, muito jovem para saber os desígnios que se esperam em todo canto, a cada momento, em cada coração. Não sei, realmente, se poderia pensar de maneira distinta - afinal, tu, o onipotente e onisciente que comanda as nossas vidas, bem o sabes, e muito mais do que eu. 

No entanto, infinitamente mortal como sou, me digno a fazer o que ninguém faria, ou costumaria fazer - sim, pois muitas vezes ainda nos esquecemos de que, além de Senhor das vidas que perambulam por esse mundo, estejam elas aqui ou não, sejam elas ligadas a ti ou desconhecedoras de tua graça e bondade, Tu és Pai, Pai de todos, o grandioso ser que criou o homem à sua imagem e semelhança, e que teve tanto amor por esse mundo que mandou à Terra seu próprio Filho para que ele saísse do caos em que estava e tivesse o direito de estar junto a Ti.

Sabe, Pai, às vezes tenho pensado como deve ser difícil a vida de Ti. Todo-Poderoso e sublime, detentor das forças, és o portador de todo o Bem que existe sob a face da Terra. Tu permitiste muitas coisas, no decorrer dos tempos - e ainda haverás de permitir, já que muito há de acontecer até que o Juízo chegue, e nós, reles mortais, seres ignóbeis perante tua presença, tenhamos que pedir perdão pelos nossos atos, que são muitos, e esperar a humilde clemência que muitos de nós não terão.

Creio, Senhor, que deve ser difícil e muito além do nosso conhecimento mortal saber o quanto Tu sofres com a perda de um filho seu, o quanto Tu sofres com as pessoas que não te reconhecem, o quanto Tu ficas intranqüilo com a capacidade de muitos de enganar e falar em teu nome, como se fossem dignos e capazes de pronunciar o nome “Deus” com o respeito e a admiração que realmente esse nome precisa ter. Não estamos nos antigos tempos onde nem seu nome podíamos falar sem nos prostrarmos - no entanto, mesmo naqueles tempos, muitos falavam de Ti com escárnio, e muitos, na vida e na História, usaram teu nome para coisas absurdas e inimagináveis a quem se diz digno de ser teu filho.

Pai, não tenho o direito de pedir-te para ser teu filho. Na verdade, Pai, nem mesmo esse direito teria, se Tu não me desses a força e o dom de poder estar junto de Ti. No entanto, meu Pai, eu somente lhe peço que possa lutar pela vida, e fazer de cada dia, e de cada momento, alegria ou tristeza, uma prova de amor, de esperança e de fé, e de toda a certeza de que um dia, enfim, poderei olhar para os lados, e dizer-te, como o desabafo de quem já fez tudo o que pode nessa vida ingrata, e enfim venceu: “Senhor, me leva daqui!”.

Sei que sou falho, pecador, inútil e infiel. Mas também sou teu Filho, e quero mudar. Quero melhorar aquilo em que sempre fui bom, corrigir meu erros, apurar minhas falhas e fazer de minha vida um reflexo daquilo que há de bom no mundo. Prometo lutar, e confiar em Ti, pois não tenho força suficiente para transformar-me sem tua unção e teu infinito saber.

Que eu possa mudar o mundo e ser digno de estar aqui.
Que eu possa ser a força para os fracos que encontrarei.
Que eu possa encontrar apoio, e auxílio na vida que estou.
Que eu possa honrar o amor, e encontrá-lo, bem dentro de mim.

E, finalmente, que o que eu escrevo possa ser para todos um alívio, uma certeza, uma vontade, uma verdade, um apoio, uma bênção, uma alegria, uma força - e que, nesses textos, eu possa mostrar o mundo como ele é - e, acima de tudo, como ele deveria ser, mas não o é.

E assim, Exaltado Senhor, eu termino essa carta. 

Enquanto escrevo, oro e peço para que estejas conosco, e deixo essa carta nas mãos de teu Filho Jesus para que a entregue, com meus sinceros votos de que perdões e guardes, por todos os dias das nossas vidas, pelos séculos dos séculos, até que o final da vida nos leve, e venhamos morar contigo eternamente, em paz.

E que assim seja.


fps, 22/10/1996

1.5.15


Luta

uma luta é uma luta.
sempre é de verdade.

mesmo que seja de mentira.


queremos a verdade da vida?
ou a vida de verdade?


não.

queremos a nossa novela,
a nossa, de cada dia.


queremos a vida.
a novela da vida.


queremos a vida, 
sem luta.


queremos a vida de novela. 
não a luta pela vida.

fps, 26/04/2015

25.4.15

Poesia: Paradoxo do feminismo sem sentido



meu irritante desejo ao ler o mimimi feminista
é falar: "deixa, vocês acham que essa autoridade era legal".

...

tem gente que não sabe que ser preso por pensão
era fundamental quando mulher não saia à rua.

e que homem, quando ficava inválido, quebrava uma família.
não só a si mesmo.

levar o mundo nas costas é um legado 
se você tem caráter.

...

o mundo não é legal com quem tenta respeitar a si mesmo.

a marcha das vadias é uma bobagem,
feminista que se preza não anda pelada na rua.

periguete quer chamar a atenção.

estuprador é doido, vai para a cadeia,
e lá, não tem perdão.

porque bandido tem mulher, e mãe.

...

lucidez é o que falta na discussão misândrica.

ada foi a primeira programadora, mas babbage foi o pai do hardware.
e ambos programaram uma máquina que não existia.

ele faliu uma fidalga, ela morreu de câncer.

...

imaginar homens e mulheres em cantos separados
é como pensar na babaquice da vida.

ganhamos todos pouco, mulheres, menos ainda;
mas pior é que trabalhador barato é que conta para o mercado.

e quando vocês forem caras, terão emprego como pensam?

...

essas são reflexões desconectas, sem sentido.

mas que tem tudo a ver com o que sinto e leio.

...

funciona até a página dois, até a hora em que temos que ganhar dinheiro.

que não tem sexo ou cor, etnia ou gênero,
não tem coisa nenhuma.

...

e dá licença, que ela me chama.

fps, 25/04/15

22.4.15

Poesia, política e forte

Maldições

Infeliz o homem que faz do mundo seu cativeiro.
Infeliz o homem que faz de escravo seu irmão.
Infeliz o homem que mata por dinheiro.
Infeliz o homem que destrói um coração.

Maldito seja aquele que corrompe o ser humano,
e que desgraça, em sua vida, os que estão junto de si.
Maldito o ingrato que destrói a natureza,
maldito seja todo o que faz o mal aqui.

Malditos, nesse mundo, são mui grandes, como as pedras,
que trazem aos outros caminhos de um tropeço sem igual.
Maldito, pois, seja aquele que, mesmo sabendo as faltas que faz,
persiste, e ainda criando em torno de si uma falsa moral.




Maldito seja aquele que fala em nome do Pai,
e nega a si mesmo.



fps, 10/01/1996

2.4.15

Maioridade penal: uma posição simplificada

A única vantagem de se reduzir a maioridade penal, no meu humilde entendimento, é que os adolescentes poderão (em tese) receber direitos que não lhe são permitidos pela tutela que o ECA lhes impõe. 

Qual o jovem que não quer dirigir, ter conta no banco, até casar sem a emancipação? Votar não vale: ninguém gosta, e muita gente não iria exercer esse "direito obrigatório", se não fosse, bem, obrigatório.

No mais, Fundação Casa e penitenciária, na prática, são quase a mesma coisa - se ato infracional manda para uma "cadeia de menores", melhor que se imponha restrições ao poder do Estado de punir (e da sociedade, de jogar no lixo seu futuro). Além disso, duvido que o paí de classe média aceitaria tranquilamente "sua criança" ir para a cadeia, tornar-se um aprendiz de bandido ou "mulherzinha da galera": nessas horas até o mais honesto se torna corrupto, e o verniz da cara-de-pau racha completamente.

Reduzir maioridade seria bom para aquele garoto ou garota que precisa amadurecer cedo; mas se o Estado e a sociedade só se preocupam com o punir, melhor acreditar que é certo tratar criança como criança.

15.3.15

Extraído do meu Face, algumas ponderações sobre as manifestações de hoje ...

Quanto mais a Globo / GloboNews / Record etc., falam que a passeata está bonita e segura, e cheia de gente, mais pessoas se sentem seguras para invadir as ruas e expressar sua "indignação".

Donde se conclui o seguinte: que Twitter nada, o que move esse país é a TV aberta. 

Sempre.

...


E, aliás, que o governo e os progressistas deixem de ser trouxas: esses 600 mil que estão em São Paulo, e outros tantos pelo país, não querem outra coisa senão a derrubada da presidente Dilma, a prisão do Lula, a destruição do PT e a entrada "na marra" de qualquer governo de direita - - talvez, ainda, com o bônus de reduzir violentamente o rol de direitos sociais previstos na Constituição de 88.

Querem a volta do Estado patrimonialista, para poucos, que fingia ser honesto enquanto deixava os "homens de bem" roubarem à solta. Querem a volta das mentiras dos militares, da ilusão de um governo "sério", que preservava os poderosos e não tinha nem a coragem de ser liberal de verdade (coisa que a Coreia e o Chile fizeram muito bem).

Se o governo quer analisar os atos do dia 13 e do dia 15, deveria começar por se perguntar uma coisa: "quem eu devo ouvir, os que gostam de mim ou os que me odeiam?".

Talvez, daí, surgirão boas respostas para Dilma e sua turma.

...

Um lembrete aos golpistas de plantão, ou quem achar que impeachment é fácil como demitir a empregada doméstica: Hugo Chavez só ganhou poderes ditatoriais por causa de uma tentativa de golpe frustrada. Deposto na quinta, foi preso na sexta - e no sábado as multidões desceram das favelas de Caracas exigindo que seu presidente voltasse ao Poder. 

Recolocado na Presidência, Chavez outorgou uma Constituição com um sistema que, na prática, lhe dava plenos poderes para governar por decreto, bastando usar a população como escudo.

E, não custa lembrar, a turma do dia 13 consegue sair num dia de semana para apoiar o governo. 

O pessoal de agora, não. Nem a imprensa os apoiaria.

7.3.15

Poesia: Dia internacional da discussão sobre a mulher

diz a oprimida para a opressora:
eu luto por meus direitos,
para ser igual.

eu quero liberdade, para ser feliz.

diz a opressora para a oprimida:
eu quero as flores e os bombons,
para ser rainha.

eu quero subjugá-los, dominá-los.

"venha comigo, ser livre",
"não, venha, mandaremos juntas"

"oprimida", "opressora", "eu sou é esperta", "cachorra".

no meio de tudo, dois homens se beijam, 
afagos, carícias, sem fim.

e o terceiro, alheio à peleja,
bebe sua cerveja.



fps, 08/03/14, 16:50

25.2.15

Poesia, revisitada



Morten´alma (II)

Há morte no fogo, no sangue.

Vida?

Na alma dos que querem bem.

Falta de tempero.
Falta de esmero.

Nada a temer,
a viver, a dizer,
nada.

Sorrio, com calma ...

Sorriso sinistro, assassino,
morte da firmeza que já vi.

Falta confiança, ou coragem.
Ou os dois.

É duro, é triste
viver  ...

... a vida de quem nada sonha.
De quem não tem ideal.

Uma esperança, nas frestas
de uma pessoa que já voltou.

Um dia.

Mas toda a verdade,
é que falta muito para acabar.

E para contar o quanto custou.
Ou o que deixou.

Ou mais, quanto amou.

Ou o que parou.

Ou o que ficou.


Falta a certeza
de que há um caminho.

Algo a terminar.

Amar? Sentir? Viver?
Não sei.

Não sei de nada.

Mas sei o que vejo em meus sonhos:
você.

Só você.




fps, 18/03/96

21.2.15

Poesia, provocada e sublime


Depois de um encontro espiritual, encontrar a imagem acima me inspirou.

11.2.15

Poesia


Não sei porque,
mas parece que sinto sua falta.

Sinto que me falta o chão.
Sei que não sou nada,
diante do mundão que tens.

Mas sei que sou teu.
Sei lá se você se importa
com meu mundo de poesia.

Não tenho a mínima ideia
do que pensas sobre isso.

Mas sei que sou teu.
Sei quem sou.
E sei
que quero criar um mundo com você.

Ainda que seja tão difícil sonhar com algo assim.
Difícil ...
Difícil.

fps, 01/11/2014, 21:02

2.2.15

"E eu ainda serei como você, pai ..."


Talvez não seja o lugar para um comercial (ainda que seja do Superbowl de ontem).
Mas não deixa de ser lindo ... pai, filho, tudo.

18.1.15

Poesia, revisitada ...



O sonho e o sofrer (II)

Princesa,
quisera eu poder ver-te.

Quisera todo o tempo ...

Quisera que o tempo parasse, para estar bem junto a ti.

Dá-me de teus carinhos,
para que eu possa viver o tempo que jamais vivi.

Dá-me dos teus destinos,
dá-me a vida que eu não tive.

Eu, caminheiro errante, desde os tempos que nasci,
vivo para ver os teus olhos.

Ando tão só, neste mundo ... no mundo que escolhi ...

Dá-me mais do teu sorriso,
para que eu seja feliz.

Dá-me a felicidade.

Dá-me ... ou deixe que a dê.



Princesa,
a felicidade existe.

Sei que em teus caminhos
encontraste tristezas,
dificuldades,
desilusões,
choro e dor.

Mas, princesa,
a felicidade está em todos os caminhos
por onde passamos.

Procure a felicidade, princesa,
e a encontrará,
pois, em todo canto que andares,
haverá motivos para estar feliz.


E quem me dera ver-te feliz sempre e sempre,
minha doce princesa.

Sempre ... feliz.





fps, 12/01/2015

17.1.15

Brasil 1, Indonésia 0 (ou: reflexões esparsas sobre pena de morte e tráfico de drogas)

Estranho ver a reação da "brava gente brasileira" com a execução de Marco Archer, ocorrida hoje na Indonésia

Gente que defende pena de morte no Brasil para todo e qualquer crime hediondo (e mesmo os não-hediondos, como a nossa decantada corrupção) se divide entre os que apontam a Indonésia como exemplo e os que não sabem o que dizer quando veem um compatriota seu sendo enviado à morte "por tão pouco".

O mundo civilizado é contra a pena de morte, e não é por menos: não há como reverter tal punição, e nenhum pagamento em pecúnia traz de volta a vida de alguém. Nosso país, nesse contexto, age muito bem, ao endossar os tratados internacionais que regem o assunto, e que condenam essa forma de sentença.

...

(Aliás, para os desavisados: tratado internacional aprovado pelo Congresso equivale à botar o texto na Constituição, o que significa que dificilmente a pena de morte entra no nosso ordenamento jurídico).

...

Dito isso, está todo mundo cumprindo seu papel: o presidente indonésio não foi eleito para ser o queridinho do mundo, mas para satisfazer um país que acha que "traficante bom é traficante morto". O governo brasileiro, por sua vez, age corretamente, ao defender seus cidadãos e endossar a imagem de país defensor dos Direitos Humanos lá fora - embora, aqui dentro, a sociedade insista em repetir o mantra dos "direitos humanos são para humanos direitos".

Claro ... até a hora em que um dos seus aparece na linha de tiro do carrasco.

...

Marco Archer tinha cara e jeito do "bom carioca", pelos depoimentos colhidos na imprensa. Suponho que achasse que sua esperteza o salvaria, como várias vezes acontece a quem comete o mesmo delito várias vezes com sucesso. 

Cometeu, entretanto, um erro crucial: foi cometer seus crimes em um país que por vários motivos, inclusive históricos (a Indonésia sofreu muito com o tráfico na Guerra do Ópio) trata com extrema dureza o traficante de drogas - a tal ponto que é preferível ser terrorista que agir como "mula"

Moído pela prisão, tornou-se um morto vivo, que espantava aqueles que o conheceram anteriormente. Poderia ter sido solto - mas esbarrou em um governo que não quis ceder; e que, na sua intransigência, foi muito mais indigno, diante do mundo civilizado, que o governo brasileiro.

...

Quando comparo o tratamento dado a Marco Archer ao que o Brasil prestou a gente como Cesare Battisti e Ronald Biggs, confesso que sinto um pouco de orgulho de nosso ordenamento. Mesmo tendo cometido crimes graves em seus países de origem, preferimos ser clementes, atender aos apelos humanistas e evitar que fossem condenados de forma injusta, seja por ter fixado uma vida aqui, ou porque havia medo do tratamento a ser dispensado lá fora.

Criminosos como eles não eram dignos, diante da sociedade, de toda essa proteção. Mas a receberam.

Mostrando que aqui, apesar de nossa "brava gente brasileiros", há uma esperança de que sejamos civilizados de fato. 

Assim como somos de direito.

...

Aos navegantes: algumas vezes escrevo textos opinativos com links para diferentes matérias, sobre assuntos do momento, com dados que coleto aqui e ali. Esse é um deles.

"Enjoy it!". Sem moderação.

16.1.15

Prosa


Quando dois olhares se cruzam


Nunca deixarei de esquecer o sentido dos olhares que se cruzam por entre os cantos de nossas vidas, pois eles dizem muito a nós mesmos, e a nossos sofridos corações.

Quando dois olhares se cruzam, a vida corre da melhor maneira possível, sejam eles olhares firmes, felizes, sofridos ou agoniados, bem-dispostos ou cansados, mas olhares enfim.

Quando dois olhares se cruzam, a vida parece parar, o tempo também pára, e dá vontade apenas de contemplar o olhar do outro, magnífico olhar que traduz um sentimento forte, limpo e translúcido como água correndo de uma nascente, ou fogo ardendo na lareira dos corações de quem se olha desse jeito.

Quando dois olhares se cruzam, parece que o mundo não existe mais, pois foi tragado pelo simples fato de que alguém olha para nós, e nos vê, e sente nosso interior pulsando, firme e forte, diante da presença desse olhar.

Talvez dois olhares cruzando-se não signifiquem nada. 

Para mim, significam tudo.

Porque, quando dois olhares se cruzam, existe um sentimento forte unindo esses olhares, e essas vidas.

Um sentimento de felicidade, amor, carinho e paz.

Um sentimento que passa acima dos corações humanos para entrar dentro das almas e espíritos daqueles que se olham.

Um sentimento de força e afeto, que une dois olhares em um só.

Quando dois olhares se cruzam, os sentimentos são infinitos.

E é por causa desses olhares - e do poder que eles tem em nossas vidas - que eu ainda confio, e muito, nesse doce sentimento que é chamado por muitos de amor, mas que somente pode se exprimir de verdade, não quando duas bocas se falam, ou quando dois corpos se unem, mas quando dois olhares se cruzam, se unem e se fundem para formar apenas um.



fps, novembro de 95

15.1.15

Quem sou eu?



Quem sou eu?

Eu sou aquele seu colega de trabalho, que está do teu lado, mas que você não conhece. 

Talvez você tenha ouvido falar do meu nome, só de relance, ou tenha visto minha foto na parede, naquele comunicado da firma ou na lista de recados. Você pode ter me visto de longe - e nem me reconhecido, ou parado para me cumprimentar (e isso porque, ora, você não me conhecia, claro!).

Pode ser que você já tenha falado comigo. Pelo telefone, ou pessoalmente, para que eu lhe resolvesse "alguma coisa". Ou para "me resolver alguma coisa", não sei - afinal, quem é prestador de serviços também pode precisar de "uma ajuda".

Para alguma coisa.

...

"Uma ajuda". "Alguma coisa". "Alguém". Sempre no indefinido. 

Não temos nome, até que alguém nos diga "bom dia". 

"Boa tarde". "Boa noite".

"Olá, tudo bem?"

E, no entanto, não paramos para pensar ... "quem é esse cara que eu cumprimentei, mesmo?".

...

De tudo o que poderia falar de mim, apenas repito a primeira sentença que me veio à mente quando criei o meu Twitter (antigo, mas não tanto quanto a vontade de escrever, que tenho desde sempre). 

"Eu ... eu ... eu sou eu".

Simples e objetivo - como, aliás, deveria ser a essência dos nossos atos (embora, muitas vezes, necessitemos ser analíticos para entender o mundo).

Quanto ao mais, deixo a vocês este blog. 

Uma parte de mim, para você que aqui chegou.



fps, 15/01, 20:35

P. S.: Dez anos, bem, é tempo demais!!!! Parabéns, querida, por tudo!