23.5.13

Poesia

O sonho desfeito.
 
O choro contido,
o desespero.
 
A dor que não para,
a falta de sentido da vida.
 
A vontade de sumir
de beber formicida,
de fazer uma besteira.
 
Tudo isso,
 
tudo, tudo, tudo,
 
tudo um dia passa.
 
E sempre há um remédio,
 
Ainda que não tenha olhos azuis
e um sorriso gostoso ...
 
fps, 19/06/2012, 14:20

19.5.13

O sonho e o roubo: Dimenstein e a Virada Cultural de 2013

Uma teoria particular minha diz que não são os políticos os grandes inimigos do Brasil, mas sim os jornalistas e teóricos que inventam um país ideal mas não pensam se a população realmente topará transformar as cidades caóticas em "cidades-modelo" pacificamente. 

No caso de São Paulo, especificamente, isso significa impor aos cidadãos daqui por querer para os paulistanos um sonho que a grande maioria despreza, o de uma cidade-modelo como as grandes capitais europeias misturadas com Bogotá e as experiências que, por essas bandas, só serviram para cansar o cidadão comum, atrapalhar (mais ainda) o tráfego comprovar que política no Brasil é cada vez mais feita em laboratórios que nada tem a ver com a realidade de sacolinhas plásticas e domésticas de meio período.

Prova disso são as duas matérias abaixo, antes e depois da Virada Cultural, onde Gilberto Dimenstein, um dos mais representantes desses pseudo-teóricos, teve seu celular furtado, mas não perdeu a esperança de que surja a "cidade perfeita".

Dos sonhos dele, claro.
18/05/2013 - 08h29 (antes)

São Paulo é hoje dos meus sonhos


É pouco tempo, quase nada, apenas 24 horas. Mas, neste final de semana, São Paulo é a cidade dos meus sonhos.

A Virada Cultural - o momento mais interessante paulistano - sintetiza o que imagino ser uma cidade civilizada.

Cidade civilizada é as pessoas ocuparem as ruas e vivam a criatividade.

Não é a cidade dos muros, dos crachás, dos condomínios, dos vidros blindados. Mas da convivência intermediada pelo conhecimento.

A Virada Cultural é quando a criatividade paulistana, encalacrada, sai para fora, mostra sua exuberância.

E acena para que o poderíamos ser caso não fôssemos vítimas de tanta incompetência por tantos anos..

Se tivéssemos prefeitos mais preocupados em abrir espaços para pedestres do que para carros.

Se tivéssemos mais gente olhando para o transporte público do que para viadutos.

Se tivéssemos mais gente convencida de que o que deixa uma cidade democrática é a educação e a cultura para todos - e não obras.

Se tivéssemos uma elite econômica com amor pelo lugar onde vive e desse o exemplo de cuidado.

Se tantos políticos não fizessem da cidade apenas um trampolim.

19/05/2013 - 11h26 (depois)

Fui uma vítima da Virada Cultural

Escrevi ontem aqui que a Virada Cultural mostra a São Paulo dos meus sonhos: uma cidade ocupada por pedestres, onde as ruas sejam espaço de convivência e criatividade.

Para não perder a conexão com a realidade, fui uma das vítimas de um arrastão: voltei para casa sem meu celular.

Piorando a situação, levaram meu aparelho enquanto eu caminhava no Largo do Arouche (o palco brega) ao som de Luiz Caldas. A tristeza diante da perda do celular era agravada pela terrível sonoplastia.

Seria tolice imaginar que, por causa da Virada Cultural, a cidade se convertesse num ilha de paz de civilidade --e toda uma multidão aglomerada se comportasse sem nenhuma transgressão.

A regra da cidade em que vivemos é a marginalidade e a violência. Por isso, vivemos trancados, pretensamente protegidos por muros e cercas elétricas

Está aí exatamente o nosso maior desafio: ocupar as ruas, com todos o seus riscos, para que não sejam o território do medo. Trazer multidões para as ruas é um misto de ousadia e ato de simbólico de resistência contra a barbárie.

Não podemos ficar reféns do medo. Precisamos exigir não só cada vez mais segurança,.

Mas sobretudo mais educação e cultura - aqui está a verdadeira segurança nas ruas.

Perdi o celular. Mas como confio no poder da educação, não perdi a esperança.

15.5.13

Poesia


Lua

Queria poder te amar
em noites de lua.

Só para ouvir-te, graciosa,
dizendo: “Sou tua”.

Queria que, vendo o luar,
vibrasses, contente,

fazendo com que nosso amor
fosse bem diferente.

Sonhar com a lua que brilha,
tão cheia no céu,

sonhar com a lua que insiste
em brilhar sem seu véu.

Viver sem o teu grande amor
é pura ilusão;

querer-te é nutrir-me de vida,
é grande paixão.

Sofrer, pois qual o sofrimento,
também há calor;

procurando em todo o vazio,
razões para o amor.

Amor que não sei se cultivo,
sincero, afinal,

querendo alguém que me ame,
que seja “a tal”.

Queria sonhar com teus beijos,
teus beijos no olhar,

abraços, sorrisos, na fonte,
à luz do luar.




Queria amar-te de novo,
na vida e na rua,

só para te ouvir, tão singela,
dizendo:




“Sou tua”.





fps, 31/07/96

9.5.13

Prosa

Desde o início as regras foram claras: Só sexo.

Sem compromisso.

E com o tempo continuou assim, até que o coração começou a apertar a cada saída.

Sentiu medo, saiu daquela vida; e a regra para eles então mudou.

Radicalmente: só sexo sem compromisso.

Mas algo faltava, não se sentia bem, e pensou, repensou.

Concluiu que alguma coisa estava errada; voltou, e aquietou-se.

E aceitou de bom grado a nova diretriz: sexo, e compromisso.

Mas o tempo, cidadão antigo, traz com ele a mesmice, a dureza da vida.

E aos poucos, ficou clara a imposição: Só compromisso.

Sem sexo.

Ao fim, se enchem um do outro, e caem fora do que seria o desastre anunciado.

E a realidade entre os antigos amantes se interpõe, num misto de alívio e decepção.

Sós.

Sem compromisso.

Nem sexo.

fps, 26/03/2012

25.4.13

Poesia

eu tinha um sonho,
um sonho simples;
 
voltar a viver a vida,
dia a dia, hora a hora, minuto.
 
a luta que vivo é intensa,
mas é limítrofe, limitada,
muito complexa.
 
queria sonhar, viver,
andar sem ter medo
 
das dores, das lutas,
da falta de fé.
 
sem pensar, refletir, só sonhar ...
 
apenas, e tão somente,
 
viver.
 
fps, 30/05, 06:40
(testando os próprios limites)

4.4.13

Outra reflexão: o povo não sabe votar? Ou é a elite que não sabe?

Vasculhando em meus emails antigos, outra pérola, que continua atual:

"O povo nunca estará preparado para votar, não da forma que Justiça Eleitoral prega em suas propagandas e os colunistas políticos desejam, a saber: elegendo os supostamente mais capacitados para o cargo executivo, depois de extensa pesquisa e comparação curricular e coisa e tal.
Na verdade o povo quer no Congresso alguém que te represente nas demandas do dia-a-dia, que lute pelos seus interesses e não pelo da sociedade como um todo; a maior falha das ditaduras, aliás, está em escolher um modelo específico de conduta (em geral o da maioria) e aplicá-lo a todos, sem direito a questionamento e com um consenso que vai de cima a baixo ("graças a Deus, não temos partidos", como diria Getúlio Vargas, mestre do positivismo brazuca).
Povo vota por interesses, não por ideologias ou pelo bem comum; aliás, essa é a graça da democracia, defender o que é seu e conseguir o bem comum pelo consenso de todos - qualquer coisa além disso é conversa para boi dormir, porque votar bem é votar satisfeito consigo mesmo."

27.3.13

Pequena prosa poética, inspirada não sei pelo quê ...

Tocava uma canção na ponte, e a poesia era seu lema.

Mas queria fazer prosa, não queria mudar o tema.

Era prosa, poesia, poetrix, poetando, poeta-o-dia-todo ...

... que gostoso, uma crônica da vida sem sentido, tirando da escrita o lodo,

e assumindo, que por forma ou consequência, somos felizes.


Simplesmente.

fps, 29/03/2012

20.3.13

Resposta a um antigo questionamento sobre política - #prontofalei

"Olha, eu costumo ser muito cético com esse olhar que temos sobre os políticos e a política; primeiro, porque o brasileiro tem a mania de querer colocar a coisa no "8 ou 80", de querer exigir ética e moral dos outros mas relaxar com os que lhe são próximos.

Tipo "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço", certo?

E sempre lembro disso quando vejo o que está acontecendo nesse ou em qualquer governo, até porque é facil posar de justiceiro e dizer que a ética vai prevalecer. 

Sem precisar dos outros, como quando leis são aprovadas no Congersso, tudo é mais fácil.

Agora, quanto à tal da ética, pergunto: todo mundo fala o que é errado, mas o que é o certo?

Um Congresso composto de especialistas, que ficassem 5 dias por semana "discutindo os grandes temas nacionais", e gerando um monte de leis sem consistência, até porque não sairam de seus gabinetes para ver o que o povo precisa?

Ou então um Parlamento como o russo, que abaixa a cabeça para tudo o que os governantes querem? Ou a China, dos tecnocratas do Partido, que sobem por indicação? Ou de Cingapura, em que o governo controla até o pum que você solta na rua?

Digo isso porque tem muita gente que gostaria de fechar o Congresso e tacar fogo naquela instituição, mas se esquece de que a última vez em que isso aconteceu foi em 64 ... e, olha, boa parte das nossas sacanagens começou justamente ali, quando os militares quiseram "purificar as práticas políticas" a qualquer preço.

E deu no que deu."

Esse texto foi escrito em 2010, como resposta a um email.

E duvido que, até hoje, não continue atual.




19.3.13

Prosa, ou poesia: Sobre-imagem


No gélido inverno, o frio convida a ficar em silêncio, ou dormindo, ou quietinho.
Mas a janela para o pântano lembra que em algum lugar faz calor.

fps, 10/12/2012, 17:16


8.3.13

Prosa: Chega!

Casal_discutindo_brigando

- gostaria de deixar claro que não vim de uma costela, nem de um útero, nem plantado do chão, mas de duas sementes, únicas, que se dividiram e se dividiram e se dividiram, se montaram e remontaram depois de um ato de união entre um homem e uma mulher.

- tá, mas ...

- e não há xy sem x nem y, nem xx sem x e outro x.

- q?

- não vou explicar de novo.

08/03, 14:07

28.2.13

“Eu quero os meus direitos, e o Corinthians que se …”

O caso lamentável da punição ao Corinthians pela Conmebol vai continuar chamando a atenção, seja porque se tenta (mais uma vez) culpar as torcidas organizadas por todos os males do mundo futebolístico, ou porque a Fiel Torcida vai, mais uma vez, entoar o mantra de “todos contra o Timão” para justificar a existência dessa punição.

Tirando a falta de sorte de ter sido um torcedor preto-e-branco que acionou o sinalizador e que, numa atitude sem noção, provocou a morte de um garoto de 14 anos, todos estão agindo de acordo com o que se esperava: a Conmebol cumpre a promessa de tornar a Libertadores uma competição de primeiro mundo, e o Timão tenta, a todo custo, reverter uma punição que dói na parte do corpo que mais nos afeta.

Ou seja, o bolso.

,,,

Até aí, normal: todos os atores estão exercendo o papel que deles se espera. Mas a atitude dos torcedores que, através de liminares, conseguiram valer o direito de assistir ao jogo na quarta-feira foi, no mínimo, absurda, embora embasada na lei: isso porque, apesar de todos os apelos do clube para que o jogo fosse efetivamente com portões fechados, “quiseram exercer seu direito” à força. 

Os “torcedores de liminar” não respeitaram o que o próprio Corinthians implorou para sua massa, e decidiram que assistir a um jogo num estádio vazio era mais importante do que evitar punições ao clube (que são possíveis, lembremos bem).

Apesar de tais direitos serem amparados legalmente, é de se perguntar se realmente um torcedor que impõe sua vontade ao próprio clube está realmente disposto a sacrifícios verdadeiros pelo seu clube, ao contrário das organizadas que costumam “roer o osso” quando o time enfrenta dificuldades.

Nas séries B, C, D ... e onde ele, o clube, estiver.



Não podemos negar, R$ 227,00 não é “dinheiro de pinga”. Contudo, espera-se que o torcedor respeite o perigo que seu time corre e que tenha amor pela camisa, e não pelo dinheiro ou pelo “direito”, muito menor do que a alegria de um Campeonato Mundial.

Porque, agindo assim, os torcedores de liminar não ajudaram ao clube.

Simplesmente disseram: “eu quero os meus direitos, e o Corinthians, que se vire; o problema do time não é problema meu”.

...

Aliás, curioso: Gaviões e outras assistiram aos jogos em suas quadras, e em suas casas, como o time pediu ...

14.2.13

Poesia





Haicai do fim de uma era


"Quando eu for-me embora,
 um último pedido:
  apagar minhas pegadas, meus rastros.


Me deletar."


fps, 03/02/12



13.2.13

Poesia: Carnaval de crente

 
mascara-carnaval-gesso
 
carnaval de crente
é harmonia com deus
longe de momo e da folia.
 
enquanto passa a festa profana
no retiro o jovem canta
e bem longe de tudo aquilo
o pastor prega contra o mal.
 
descem as ladeiras
do pelô os atabaques a ogum
e enquanto isso no templo
ex-mãe-de-santo maldiz o passado.
 
em olinda os bonecos vibram
e os calvinistas suspiram de raiva,
com saudades de nassau.
 
e dos pastores
que vieram para trazer ao povo a sã doutrina
mas que se perderam nos encantos da terra
e da gente boa.
 
 
sorte que a quarta é de cinzas,
e evangélico come carne na sexta da paixão.
 
hehe.
 
fps, 13/02/2013, 18:16

7.2.13

Prosa, ou poesia: Porquês

PORQUEk
“Porque deveria me preocupar com o que não existe?

Porque deveria agir de maneira difusa, 
sabendo que minha vida não está ameaçada por nada, 
nem por ninguém?

Estou bem, tenho saúde, vivo bem, 
não preciso disso, droga!

Porque esperar aquilo que não existe, 
como se fosse algo real?

Porque fazer com que tudo isso se torne um pesadelo sem pé nem cabeça, 
sem nexo, sem nada ?

Que idiotice, que grande e grossa idiotice.

Que besteira!

Porque se preocupar com o que ainda está por vir, 
se eu sou muito maior que tudo isso?

Besteiras, besteiras, somente besteiras, i
sso é o que está acontecendo.

E sabe do que mais? 

Tenho muito mais o que fazer do que esperar o tempo passar, 
e ficar sonhando com o que não existe.

Esqueçamos isso, e vamos em frente.

Apesar de tudo.”

fps, 23/10/95












1.2.13

Poesia: minissaia, liberdade e virtú

 
 
saiacurta
 
sua saia curta
é uma declaração de liberdade.
 
mas liberdade contra o quê?
 
contra meu desejo,
de te oprimir e ser mulher?
 
que desejo, diria eu?
 
meu desejo não é te oprimir,
ó linda dama do femen.
 
até porque sei que você
quase nunca anda de minissaia.
 
quer dizer,
só quando quer, com justiça, defender o "ser mulher".
 
nessas marchas de vadias
que vocês, feministas, não são.
 
porque uma mulher que se respeita
transparece nas ações o que é.
 
e não precisa de pernas,
ou de vagina, ou útero livre,
para ser alguma coisa.
 
até porque só dementes
olham para as pernas de uma mulher
e pensam coisas indecentes.
 
isso quando pensam.
isso quando não agem.
 
 
 
 
 
sua saia curta te deixa mais livre?
pena.
 
a mulher virtuosa é valorizada
não pelo tamanho da sua saia
mas pelo conteúdo da sua atitude.
 
fps, 01/02/2013, 14:23

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