1.6.16

Pitacos políticos e outros que tais

Aos fatos, senhoras e senhores: Dilma pode realmente voltar? Pode.

Só que, se voltar, não renuncia - e não governa com o Congresso que aí está. Vai querer ligação direta com as ruas e movimentos sociais que chamam Temer de "golpista" o tempo todo.

E que não foram eleitos para o Congresso. Para nada, aliás.

...

A turma verde-amarela que foi às ruas não gosta do vice. 

Mas, no dizer dos outros, é o que tem para hoje. Com, ou sem Lava Jato.

...

Não estou inspirado, definitivamente. Fui!

28.5.16

Século XIX ...


Não tenho pena de "mané". 

Homem que vai para baile funk, via de regra, procura farra do pior tipo - bebida, drogas, sexo, "zueira". Se há quem se meta a currar uma garota que está fora de si, também deve assumir a responsabilidade (e a pena) de quem vive em uma terra onde a navalha do chefe é a lei.

...

Notícias dão conta que o dono do morro onde aconteceu o estupro coletivo mandou matar os 33. Foi mais rápido que o devido processo legal, que não encontrou provas suficientes do crime.

Foi, também, no ritmo ideal de sites como o "Sensacionalista" e outros, para os quais, em tese, bastaria a palavra da mulher para comprovar o estupro. Sem processo, sem coleta de evidências, sem nada que pudesse realmente desenhar o que ocorreu naquele dia.

Foi, também, aquilo que sítios como o Dr. Pepper insinuaram que deveria ser feito - e melhor até do que o Bolsonaro, aquele da castração química e da pena de morte para estuprador, teria feito.

...

O morro não tem papo. Atrapalha os negócios? Tchau.

Desse ponto de vista, dá para entender porque o traficante está sendo tão rápido. Muita polícia, entrando e saindo, atrapalha o "core business", a venda da droga.

Se alguém me atrapalha, eu tiro do caminho. Como nos tempos dos feudos, em que o soberano mandava na vida de todo mundo que lá estava.

Inclusive com direito à virgindade das esposas, tratadas como propriedade preciosa.

...

Alguém falou a este escriba que a nossa cultura em relação às mulheres refletia "uma mentalidade de século XIX". Bom, naquele tempo a honra das mulheres se confundia com o hímem intacto, e não se concebia uma mulher ter relações sexuais com outro homem que não seu marido.

Era um tempo, aliás, no qual sexo era "uma coisa suja", que mulher decente não fazia por vontade. Não vamos nos esquecer, há muitos relatos daquela época nos quais o verdadeiro amor não se encontrava nas casas de bem, mas nas ruas, com as "vadias". Algumas eram, inclusive, tidas e mantidas pelos de posses (as "teúdas e manteúdas", dos tempos de Tieta do Agreste).

Violar a honra de uma mulher era punido de foram severa, e a mera insinuação de que uma donzela tinha perdido "seu bem mais precioso" era motivo para um duelo. Deflorar uma virgem era motivo para que existisse o desejo de vingança, pelos parentes das vítimas, porque a mulher se reduzia, na época, a mero instrumento de procriação.

Supostos estupros, então, eram motivo para que o estuprador casasse com a vítima - ou encarar cadeia, talvez morte. 

...

Hoje, criminosos tratam estupradores como "mulherzinhas da cadeia", porque tem mães e filhas. Não aceitam que não respeite mulher, em uma mistura de humanidade com brutalidade que impressiona.

São mais rápidos que o Direito: este precisa de um procedimento, e de provas verdadeiras, para punir os culpados - geralmente com reclusão, que, para muitos, "não funciona", porque "pau que nasce torto não tem jeito".

Morre torto, nas mãos de criminosos que não tem o mínimo respeito por "processo penal".

...
A internet, em breve, estará vingada: os estupradores estão jurados de morte. Talvez isso possa ser um paradigma para que a "cultura do estupro" enfim seja combatida.

Ou não, porque o linchamento virtual continua à solta. Já há muitos que citam opressões na música, nas artes, que estas influenciam o "status quo" vigente - omo se tais coisas não mostrassem a realidade, da banalização extremada do sexo.

Que já existia há muito tempo - e está sendo combatida do pior jeito possível, tornando tudo isso em "opressão".

...

Caminhamos rapidamente para o século XIX em pleno século XXI - e, o que é pior, sem flerte, porque em breve isso será proibido nas relações entre gêneros.

Mas os estupradores continuarão por aí, firmes e fortes. E, com eles, o medo.

E a paranoia.


21.5.16

Precisamos mesmo de um Ministério da Cultura? Ou os artistas mimados podem viver sem o nosso dinheiro?


Cultura vai, Cultura vem, volta a ser Ministério.

Ciência e Tecnologia já foi da Indústria e Comércio. Hoje, é das Comunicações, não sei por que.

Reforma Agrária era Ministério, virou secretaria, talvez volte. 

Pesca já foi tarde, Igualdade Racial foi (e deixou de ser). 

Até AGU tinha esse status. E, agora, perdeu.

...



Políticas para as Mulheres, Cidadania, Direitos Humanos, e até Banco Central e CGU tinham ministros (embora fossem, de fato, secretarias especiais, "de porcaria nenhuma", para atender a grupos específicos e dar a seus ocupantes foro privilegiado).

Já foram 26, o governo petista subiu para 39, e agora, serão 24, com a volta da Cultura ao "primeiro time". Seria leviano dizer que é desperdício ter tanto Ministério - mas não deixa de ser frustrante perceber que todos querem reduzir a máquina pública, desde que não mexa no seu quinhão.

...

Criam-se pastas ministeriais no Brasil para dizer que se está dando atenção a uma determinada área do governo. Dilma Rousseff, diga-se de passagem, sonhava com 18 ministérios (um a mais do que os 17 prédios da Esplanada), mas nunca conseguiu levar isso adiante - assim como Michel Temer.

Tal ocorre, aliás, por um singelo motivo: os "queridinhos de plantão" sempre acham que é a SUA área que merece ser privilegiada com um Ministério-de-Qualquer-Coisa, um ministro (com os privilégios) e um naco do orçamento separado para os seus projetos.

Um afago no ego tremendo, uma prova de que a área está tendo algum valor. 

Mas só na teoria. Porque, na prática, o que acontece é um tremendo desperdício.



...

O problema de se achar que todas as áreas possíveis merecem um Ministério é que ninguém consegue garantir que suas demandas serão atendidas do jeito certo, principalmente porque os cargos de primeiro escalão são indicados em 99% dos casos por critérios políticos

Em tese é muito melhor ter um ministro político, coordenando a área, e secretarias executivas com técnicos que saibam o que estão fazendo - além de áreas administrativas conjuntas (o mesmo motorista dando apoio à Educação e Cultura, por exemplo). 

Otimização de recursos, que a iniciativa privada conhece tão bem - e que o Estado costuma desprezar, porque cada um acha que a sua área é importante, e merece um Ministro para ser o seu "aspone".

...

Cultura voltará a ser Ministério, na terça (isso se o Temer não recuar de novo do recuo). Entretanto, as políticas culturais não serão mais valorizadas por causa disso - assim como a Secretaria de Direitos Humanos não será menor por ser secretaria, mas por ter uma pessoa do gabarito de Flávia Piovesan no seu comando (talvez uma das poucas que pode bater de frente com Alexandre de Moraes).

"- Mas temos um Ministro da Cultura!!!!"

Grande coisa ...  

... de que adianta ter um Ministério se o povo achar que todo artista é um mimado, que só quer mamar nas tetas gordas do governo, gastando o nosso dinheiro em coisas sem sentido algum?

20.5.16

Para pensar

"Devemos nos comportar com os nossos amigos do mesmo modo que gostaríamos que eles se comportassem conosco." (Aristóteles)

14.5.16

"Rapidinhas" sobre o momento político

Não é uma vergonha que Temer tenha montado o primeiro ministério sem mulheres desde Geisel. Vergonha, mesmo, é que Dilma tenha escalado incompetentes em seus cargos somente pelo fato de ter meio cromossomo a mais em seus gametas, e se orgulhado disso.

...

Se Saturnino Braga desmoralizou a honestidade, Dilma Rousseff avacalhou a diversidade.

...

Gaudêncio Torquato. Guarde bem esse nome: ele é um dos mais íntimos do novo presidente, e também um dos melhores na arte de entender a política brasileira.

Algumas atitudes do interino Temer, sem dúvida, tem o dedo desse cara.

...

Cada vez que a grande mídia critica o novo governo, dá vontade de escrever nos comentários dos jornais: "ah, é? acha ruim? então chama a Dilma de volta ...".

...

Finalmente, Zezé Perrella, que ameaçou com a volta de Dilma, se Temer se indispuser com o Senado.

Alguém chama esse cidadão para avisar que a roda do "impeachment", uma vez movida, não pode ser parada? Se a presidente voltar, ele que vá atender os indignados na porta do Cruzeiro, em BH ...

Caráter simbólico (OU: como Temer está ganhando os corações e mentes da maioria dos brasileiros)


Esse texto ia ter outro título, algo como "Precisamos falar sobre como Temer está ganhando os corações e mentes dos brasileiros", mas desisti a tempo de fazer esta besteira.

E isso por um motivo não tão óbvio à primeira vista: todas vezes em que se escreve um texto começando com "precisamos falar sobre" a imagem que vem à nossa cabeça é de um imenso "textão" com lugares comuns dos progressistas de plantão, como expressões tiradas de balada gay e palavrórios das feministas "modernettes" ("miga, seje menas", "apenas pare", "lacrou"). 

Estas palavras e expressões não acrescentariam nada à imagem que eu gostaria de passar com esse texto. Portanto, não as coloquei aqui.

...

Imagem. Imagem. IMAGEM.

Que, para a soda limonada, não quer dizer nada. Mas, no fundo, é o que a gente mais deseja.

... 

A imagem projetada por Dilma Rousseff no decorrer dos anos era exatamente aquilo que se viu até quarta-feira: a de uma mulher poderosa, que através do berro e da força de vontade subjugava homens opressores em direção a um país realmente igualitário. Não era integralmente verdadeira, mas era a visão que a esquerda militante radical tinha da "mulher de coração valente".

Uma visão coerente com o passado e o presente da ex-guerrilheira - mas que, em contato com a "vida real", do Congresso dominado por pequenas querelas e na qual os movimentos sociais e ONG´s não tem a representatividade que possuem no mundo virtual, se mostrou uma perfeita catástrofe. Dilma não queria negociar, não tinha o menor interesse em ser estrategista, muito menos o respeito de sua própria tropa - porque, tal e qual os semelhantes de sua tendência, acha muito mais importante o "empoderamento dos despossuídos" do que levar o país adiante.

O resultado? Uma série de fracassos, econômicos e políticos, tratados com desdém por quem acha mais importante ouvir a voz da Marcha das Margaridas do que do "estabilishment" republicano; e a tragédia significativa, do segundo "impeachment"na história recente da República.

...

Mesmo os aliados, ao frigir dos ovos, abandonaram Dilma, a "presidente afastada" para ser cozida em fogo brando - e, enquanto isso, Michel Temer dá passos firmes para tomar o comando do país de direito e de fato, através de medidas que soam como música aos ouvidos não só do antipetista, mas de todos aqueles que, de uma forma ou de outra, sentiam vergonha do governo petista.

Sim, a palavra certa é essa mesmo. VERGONHA.

Vergonha de um governante que fazia questão de parecer inculto (o que Lula não é), e de uma governante que exigia torcer a língua portuguesa e adotar o vocábulo "presidenta", para dizer que é uma mulher que manda. Vergonha de uma disléxica falar em "mulher sapiens", e saudar a mandioca, além de outras construções absurdas que a quase-ex-comandante construiu em seus discursos.

Vergonha, no fundo, de ter no comando do país gente que achava que o único mérito de um país era "empoderar os oprimidos" - ainda que os pobres nem saibam, de fato, o que é isso.

...

É interessante notar que todas as medidas do presidente em exercício tem a ver com a construção de uma imagem para o segmento mais carente de boas notícias: a classe média conservadora. Nisso, até os ataques que ele vem recebendo na internet são rebatidos de forma violenta.

O ministério não tem diversidade? "Cara, é GOVERNO, não formação dos Power Rangers ou Capitão Planeta".

O mundo não está a favor do impeachment? "Meu, o processo é TOTALMENTE legal. Além disso, essas publicações de esquerda tinham que ser mesmo puxa-saco da Dilma."

O Ministério da Cultura acabou? "É bom mesmo, afinal de contas eu estava cansado de ver MEU dinheiro sendo enfiado em apresentação idiota onde ator ficar cheirando o cu dos outros ..."

...

Temer não necessariamente vai governar com os conservadores. No primeiro momento, entretanto, precisa do Congresso mais amarrado possível para consolidar o "impeachment" - e do apoio dos segmentos que o PT mais desprezou, porque não se governa um país sem apoio.

Dará certo? Não sei. Como todos, tenho direito a ter dúvidas - e receio se não vão jogar as conquistas sociais do período petista fora, junto com os defeitos do sistema.

Confesso, contudo, que dá gosto ver, pela primeira vez em muito tempo, um presidente bem assessorado, tomando as atitudes certas, nas horas certas.

Um verdadeiro político. Que Dilma nunca foi, nem quis ser.

...

Que a sorte sorria, para o Brasil e para todos nós.

fps, 14/05/2016, 14:49


P. S.: Dizem que Temer já está cedendo, querendo colocar uma mulher na Secretaria da Cultura, independente do Ministério.

Primeiro: não é Secretaria Especial, logo, não será mais um ministro (ou ministra). Segundo: dificilmente uma mulher vinculada com a Cultura aceitará esse encargo, a não ser que seja mais uma indicação política - o que vai desagradar o pessoal que sempre viu essa pasta como seu feudo.

P. S. II: Nunca gostei do Serra, mas bater na turma bolivariana foi música para os ouvidos de quem exigia um país mais altivo com os "vizinhos encrenqueiros".

Se isso vai implicar em problemas com aliados estratégicos do país, é outro detalhe. A ver.

8.5.16

Poesia



Bons tempos em que te montava,
andava pelas ruas ...

Me desafiava.

Bons tempos, 
que perdi quando te passei adiante.

Hoje, só estudo.
E trabalho.

Coisas importantes me prendem ao chão.

Mas como tenho saudades desses tempos ...

29.4.16

Poesia



Você passa por mim na rua. 

Me ignora, finge que não existo.

Mas, escondida, chora - assim torço eu.

Você me olha de longe, acena, fascina, me excita.

Você, você ...

Da janela, você vê meus acertos, meus erros.

Mas na rua, nem me observa.

Finge que não vê.

Espero que não chores, porque eu não posso chorar por isso.

fps, 29/04, 19:00

22.4.16

Para pensar

"Alguns pensam que eu deveria ensinar aos homens o caminho do céu. Mas eu preferiria ensinar-lhe o caminho para o inferno, assim eles saberiam como desviar-se dele." (Maquiavel)

17.4.16

Todo mundo acha que conhece o povo. Só acha ...

Nesses tempos bicudos de "impeachment", uma coisa que espanta é todo comentarista achar, de fato, que a população está se importando para os riscos institucionais do "golpe".

Como se alguém, na massa, estivesse se importando de fato com os aspectos jurídicos da coisa, e não com a constatação de que uma governante sem tato político está levando o país para o buraco.

...

Depois da fritada, de fato, é isso que sobressai: querem tirar quem está fazendo besteira. E só.

31.3.16

Impeachment: o povo não está nem aí ...

Luis Nassif, com a megalomania característica de quem está trabalhando constantemente com teorias da conspiração, fala agora que realmente "Não vai ter golpe". Ignora a célebre frase de que a política é como as nuvens, que ora estão de um jeito, ora de outro - e que movimentos como o MTST representam, na vida real, absolutamente nada (pois mesmo o mais esquerdista do cidadão comum ainda pensa que sem-teto e sem-terra são baderneiros sem ocupação nenhuma).

Sejamos absolutamente francos: Dilma Rousseff pode ter até legitimidade plena para governar, e não vai largar o osso que conquistou com tamanha dificuldade, mas não tem vontade nenhuma de elaborar um plano de ação para tirar o país da draga em que se encontra. Aliás, não é porque a presidente não sabe - é porque ela não QUER, mesmo, deixar de seguir as teses desenvolvimentistas em um nível mais irresponsável do que os planos do governo Sarney.

Serão meses difíceis, duros, de idas e vindas - e que refletirão os traumas de um país que deixou de adotar o parlamentarismo em 1988 para confiar no messias da vez, na ilusão de que poderia "tirá-lo" facilmente (impeachment, repetimos, NÃO É voto de desconfiança). A "chefona", contudo, se engana ao pensar que o povo a apoia de forma integral - como PSOL e etc. supõem.

Textos como esse, que dizem o que o DataPopular apurou sobre a atual crise, mostram:
  • que o povo não está indo às manifestações porque estas "são coisa de rico" (ou porque tem mais o que fazer do que ficar falando, ou escrevendo, sobre "impitiman");
  • MAS que apesar disso o cidadão comum quer tirar Dilma do poder, porque ela é incompetente.
Repetindo: o "povão" reprova Dilma por sua incompetência. Se alguém passar dizendo que fará um governo melhor do que ela, receberá o apoio da galera. Mesmo assim, o pobre não sairá de casa para apoiar os "almofadinhas" da FIESP ou os "vagabundos" da extrema-esquerda.

Custa caro tirar quase R$ 8,00 do bolso para ir de "busão" ao protesto. No domingo, único dia de descanso. Fora o lanche - se não levar "marmitinha".

Para quem ganha salário-mínimo, é muito. Não compensa.

Até porque eles, o povo, estão cansados de saber que, na hora da dificuldade, quem sofre mesmo é o pobre - aquele que todo mundo diz que conhece, mas que nunca entendeu de verdade.

18.3.16

Ponderações sobre mais uma semana de manifestações: do nada ao lugar algum

Desistam de pensar que Dilma renunciará. Ela tem nas veias o sangue guerrilheiro, e as lembranças de 64 vivas na memória - e no corpo, varado pelos torturadores até dizer chega. 

Jango, na única medida consequente de seu governo, assumiu a derrota, pegou a malinha e foi para o Uruguay - e os militares não largaram o osso. Vocês acham que, com um retrospecto desses, ela agiria da mesma forma?

...

A turma que foi defender o PT e Lula nas ruas é menor, mas tem um líder e uma organização muito mais forte - além de ser apoiada, por fora, pelos traumatizados do golpe (que defendem respeito às instituições mesmo quando elas estão indo para o buraco).

O antipetismo, contudo, tem força suficiente para pisar na moral governista até forçar a renúncia. Além disso, o mercado está do lado de quem der uma solução - nem que seja o "impeachment".

...

Perguntam por aí porque comunista usa vermelho ao invés das cores da pátria. Segundo a Wikipedia, trata-se de uma metáfora, do sangue dos trabalhadores vertidos pela revolução: é um símbolo de um movimento que se pretende universal (e a ideia é essa mesmo, um mundo de comunas).

O que o antipetista se esquece é que o fascismo, em todas suas vertentes, assumiu como seus os símbolos nacionais dos países e suas imagens, transformando-os em propaganda de suas ideias. Logo, um "fascista" pode muito bem vestir a camisa amarela da Seleção - manchando-a de vergonha.

...

Por fim: o cidadão comum ainda não saiu à rua. Graças a Deus, temos sabedoria por aqui!

17.3.16

Uh-oh ...

Amanhã, manifestação da CUT e movimentos sociais.No MASP. Perto da FIESP, onde os antipetistas vão acampar.Prepare-se ...
Publicado por Fábio Peres em Quinta, 17 de março de 2016

13.3.16

O impeachment e o impeachment: é a saudade dos militares, estúpidos!

Matéria do blog Jornalistas Livres analisa de forma contundente a soma do papelão de Aécio e dos tucanos, escorraçados da manifestação em São Paulo, combinada com os 3 milhões nas ruas:
"A primeira impressão é de que o lulismo vai botar muita gente nas ruas dia 18. Não tanta gente como a direita da“antipolítica”. Mas ficará claro, depois do dia 13 e do dia 18, que nas ruas só há duas forças: a extrema-direita que quer escorraçar/trucidar os políticos (inclusive tucanos) e o lulismo com apoio sindical/orgânico, de movimentos sociais e de certa centro-esquerda que se contrapõe à barbárie bolsonariana. 
Ou seja: Lula e o PT têm alguma força para resistir na rua. Do outro lado, há a sombra ameaçadora do fascismo. O PSDB ficará esmagado entre essas duas forças."
Questione-se o site, mas não sua conclusão: os tucanos acharam que poderiam pegar o bonde que movimentos como Revoltados Online e MBL tinham montado desde 2015 como se fossem os grandes vitoriosos, e como se a derrota fosse só do PT, mas deles também (e com razão, pois foram realmente covardes em não assumir o golpismo da galera logo de cara). 

O problema, para todos os políticos "de elite" do país, é que a turba em questão não quer saber de muita conversa: quer a cabeça dos corruptos, que, supostamente, seriam os responsáveis pela miséria na qual o país se encontra. Não é verdade: um país desigual é muito pior do que um país corrupto - mas a turba nas ruas, ao menos a que foi hoje entronizar Sérgio Moro, não pensa desse jeito.

...

Vou confessar uma coisa: sempre que vou discutir com qualquer um, e alguém cita a corrupção do PT, me lembro de comparar com os militares. Não com FHC, nem Sarney, nem Collor. 

Os militares, a turma das casernas (principalmente o Médici) são o meu saco de pancadas diário.

Alguém poderia estranhar o fazer o comparativo com tempos tão distantes, mas há duas boas explicações para isso. Primeiro, a corrupção nos regimes militares era tão pesada, ou pior, do que hoje. Capemi, Coroa-Brastel, a compra de votos para eleger o Maluf: inúmeros são os escândalos contados daquela época, sem contar as obras superfaturadas, como a Transamazônica. 

Entretanto, não haveria o primeiro motivo sem não termos o segundo: ninguém sabia o que estava acontecendo, e todos viviam a ilusão de que tudo estava bem. O cidadão comum de classe média não vê muito além do próprio mundo, pois "tem mais o que fazer" - de tal forma que, para muitos deles, os tempos dos militares foram ótimos, pois "havia segurança", "eu podia andar na rua em paz", "não tinha a baderna que tem hoje", e coisas do gênero.

Esse pessoal não faltou às aulas de História. Eles até assistiram, para tirar nota. Entretanto, ao voltar para casa, as estórias dos pais sobre "como eram bons os tempos dos militares" falaram mais forte.

Principalmente quando o comparativo é com tempos como os de hoje, em que a corrupção jorra aos montes - e a imprensa noticia cada passo dos supostos larápios, como não fazia nos anos 70.

...

Os poucos esclarecidos que pedem democracia eram de forma gritante, ao tratar os manifestantes como pessoas desinformadas. Eles sabem o que estão fazendo, e não querem saber de legalidade e respeito aos procedimentos legais. Querem Dilma fora, e Lula na cadeia, qualquer que seja o motivo.

Não adianta culpar a mídia: ela é apenas a porta-voz do espetáculo, o megafone, o roteador que amplifica o wi-fi. Não adianta dizer que são manipulados: o que eles querem é tirar o governo do poder, ainda que travestindo tudo isso como "experiência democrática".

Eles não são democráticos, ainda que achem o contrário.

Talvez não sejam fascistas. Mas são autoritários.

E, para nossa sorte, não são o cidadão comum.

Que não saiu às ruas hoje. Nem irá às manifestações do dia 18.

Porque ele tem mais o que fazer.

E a política - ainda - não o incomoda completamente.

Ainda não.

Impeachment ou não impeachment: uma análise do que vem por aí

"Massa humana". "Multidão". "O povo (?!?) nas ruas".

Algo, porém, está muito errado: essa massa não tem líder. Ninguém se ofereceu até agora para ser o verdadeiro comandante dessa tropa, que supostamente marcha em direção a um "país melhor". A turma que está nas ruas, aliás, se move por um sentimento tão ingênuo quanto estúpido, que é achar que basta tirar todos os corruptos para que tudo passe a funcionar como um toque de mágica.

Quem poderia ser o "anti Dilma"? Da oposição é que não sairia. Do PMDB, talvez.

Moro? Duvido muito, ele é um erudito. Administrar o país não é com ele - aliás, se fosse administrador, saberia que a "Mãos Limpas" limpou a Itália dos maus políticos, mas destruiu a economia a tal ponto que o povo quis Berlusconi, o corrupto-mór, no poder.

Aliás, o povo nas ruas não quer ninguém. Ou melhor, quer que todos vão embora - o que nem sempre dá no desejado pela "massa cheirosa".

Afinal de contas, na Argentina, esse movimento, o "que se vayan todos", acabou nos oito anos de Kirchner e Cristina. Na Venezuela, a sede de poder dos golpistas deu fôlego para que Chávez viesse como um todo-poderoso e impusesse uma Constituição que tornou a Venezuela uma república em que se governa por petição - onde não há lei, só o desejo do governante.

Seria fácil, portanto, chegar ao "impeachment"? Aí é que está: duvido muito.

No caso brasileiro, vejo que Dilma "está" fraca, mas não "é" fraca: resistirá até o fim de todo um processo de remoção, pois está convicta de que o melhor para o país é permanecer no poder. Ela é getulista, sabe o que aconteceu com Vargas e Jango, e não estará disposta a repetir os "erros" de seus antecessores, pelo bem do país.O semipresidencialismo poderia ser implementado com Temer no poder, mas não pela guerrilheira.

Além disso, ao mesmo tempo em que os "golpistas" saem às ruas, mostra-se a face mais ridícula e preconceituosa dos favoráveis ao "impeachment". Continuamente somos bombardeados pelas demonstrações de um fascismo denunciado mais pelas atitudes dos manifestantes do que por suas falas - e que fazem com que os esclarecidos, de qualquer tipo, saiam pela tangente, confessando-se decepcionados com a face mais autoritária do "povo brasileiro".

Será muito difícil, na prática, tirar Dilma Rousseff do poder. 

Uma batalha cruel, que ela poderá até vencer, já que as políticas são como as nuvens.

Que ora estão de um jeito, ora não estão.

Atualização, às 20:17:

Os tucanos foram vaiados e expulsos da manifestação. Bolsonaro, aplaudido. Moro, em casa, deve estar tomando tranquilamente seu whisky, saboreando a "vitória" nos braços do povo.

A revolta não escolhe partidos. Era antipetista, tornou-se antitucana porque há escândalos deles, e vai se avolumando até contaminar todos os "think tanks" que governaram o país até agora.

Resta saber quem sobrará para governar os cacos quando o Brasil for passado a limpo, a reencarnação de Ruy Barbosa, o que deveria ter sido presidente no passado - mas não chegou nem perto disso. E graças a Deus não chegou lá, pois a única vez em que foi ministro, quebrou o país.

Afinal de contas, quando o Brasil acordar e perceber que não é somente pela honestidade que se faz um país, mas cuidando da falta de gestão, será muito tarde.

10.3.16

Para pensar

"Todos podem ver, mas poucos são os que sabem sentir... Todos vêem o que tu pareces, mas poucos o que realmente és" (Maquiavel)

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