Uma metáfora bem “anos 80” para explicar o canto do cisne de José Serra

A Folha desistiu.

José Serra é carta praticamente fora do baralho na sucessão presidencial, segundo editorial de hoje do periódico paulista, que tripudia do candidato que cometeu besteira atrás de besteira na coordenação de sua campanha.

Todas atribuídas ao próprio, tido como centralizador, mesquinho e autoritário, que fez de tudo fez para agradar a grande mídia e tornou a intelectualidade paulistana sua trincheira maior, fazendo de São Paulo, o Estado, um canteiro de obras que nunca acabaram.

Num governo que de fato agiu de uma forma que agrada em cheio ao eleitorado malufista-janista, mas que fora dos limites dessas verdadeiras mulas políticas não fazia sentido algum, muito menos para o tucanato que elegeu um dia Covas para livrar o Estado de gente como Maluf e Quércia.

E que aliou-se a gente como Roberto Jefferson para chamar o governo do PT de corrupto e meio, sustentar a falta de experiência de Dilma Roussef e receber da Velha Mídia e dos que a sustentam a proteção de quem achava que finalmente iriam acordar de um pesadelo, e voltar a ver um homem de bem governando o país e guiando-os ao Eldorado, com a cara de Miami.

E onde pobre não entra.

Nesse contexto, Serra lembra muito o personagem Mumm-Ra, o famoso inimigo dos Thundercats que muita gente entre 30 e 40 anos conhece dos tempos de Xou da Xuxa – sim, porque a rainha dos baixinhos atraía os marmanjos mas a maioria queria mesmo era ver desenho antes de ir para a escola.

Quem era daquela época lembra de que Mumm-Ra, de fato, era extremamente fraco, e somente se tornava poderoso após pedir humildemente a um poder superior que o ampliasse, que ele chamava de “os Antigos Espíritos do Mal”.

E, se você não se lembra, eu te ajudo com o vídeo abaixo:

Bem, o fato é que José Serra recebeu da Velha Mídia e dos que a apoiam crédito suficiente para sua empreitada: abandonou a Prefeitura de São Paulo, lançou-se ao Governo e deixou seu pupilo Kassab cuidando do terceiro orçamento da União e tornando a maior cidade do Brasil numa terra “arrumadinha”, “limpinha” e podre por dentro.

Transformou o Governo de São Paulo em ponte para seus projetos, e mirando-se sempre no futuro presidencial para dizer que podia fazer mais do que ele; a nefasta Lei Antifumo, inclusive, fez parte desses planos, como uma forma de ofuscar o aumento de impostos do governo federal sob o cigarro.

Meteu-se em enrascadas como a Nova Marginal que nunca acaba, mostrou-se incapaz de fazer uma gestão eficiente dos recursos e passou ou quatro anos de seu governo para o dia em que entraria em campo para livrar as brigadas conservadoras desse país de Lula, que para eles é um iletrado que teve sorte, nada mais do que isso.

Por esses motivos as forças conservadoras desse país apoiaram José Serra; até o momento em que, na hora em que se esperava dele que atacasse Lula, negou fogo, e passou a querer ser o sucessor ungido de quem muitas vezes atacou.

Isso nossos “Espíritos do Mal” jamais aceitariam, assim como não aceitaram um Alckmin jurando que não privatizaria empresas em 2006, e como, bem lá no fundo, não aceitaram Lula, e nunca engolirão de fato Dilma.

Nem ninguém que leve em seus ombros o legado futuro de governos liderados pelo PT.

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