22.4.11

Poesia

Conselhos de um homem que já viveu muito

Ouçam meus conselhos,

cidadãos desta cidade,

ouçam-me,

por favor de suas almas.

 

Entendam, por favor,

os destinos desse tolo,

que um dia, ouviu falar,

em tempo insano,

de loucas sanidades,

de loucos desatinos,

de muitos desenganos,

de mútuos afetos,

de múltiplas “vendettas”,

de muita traição.

 

Ouçam-me, queridos,

ouçam meu gemido,

ouçam meu ganir.

 

Ouçam-me falar,

ouçam-me sentir.

 

Ouçam.

 

Havia muito tempo,

um homem nos surgiu.

 

Um igual a nós,

porém diferente.

 

Um igual a nós,

porém insensato.

 

Um igual a nós,

que por ser diferente,

foi caluniado,

difamado,

arrastado contra seu povo

e destruído, enfim.

 

Havia esse homem,

que jamais havia,

pois não haverá jamais,

pois houve um fim.

 

E o tempo chegou.

 

Quem pode discutir os desígnios

criados por homens,

senão eles próprios ?

 

Ouçam-me:

pagaremos por nossos crimes com nossas almas.

 

Pois o tempo,

sim o tempo,

esse tempo já chegou.

fps, 22/01/96

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