O fracasso de Haddad, os "pilotos automáticos" e o cidadão-consumidor

Kassab e a proibição dos fretados, diminuição da velocidade, Cidade Limpa, o fim do sossego do centro imposto pela Virada Cultural.

Haddad e as ciclovias, ciclofaixas, faixas de ônibus que não transportam direito (graças ao aumento das baldeações), ocupação simbólica do Centro pelo povo da "esquerda Vila Madalena".

Redução da velocidade. 50 por hora. Todo mundo reclamando.

Todo mundo reclamando. Todo mundo de carro. Todo mundo prometendo trocar o prefeito.

E se esquecendo de que nada vai mudar, se trocarmos apenas um petista por um tucano.

...

Sim, nós elegemos esses caras, tucanos, petistas ou "outra coisa". E os erros não vem só dos políticos, que são eleitos falando que vão resolver tudo e mais um pouco nessa cidade caótica.

Ocorre, porém, que logo depois da posse eles passam a ser assessorados por gente que acredita que uma cidade como São Paulo tem que ser transformada à força numa "cidade ideal", que não é aquela na qual seus cidadãos vivem, e que fica se envergonhando de que a MAIOR CIDADE DO HEMISFÉRIO SUL não é uma cidade-modelo para o mundo.

Esse pessoal, que pretende tornar São Paulo numa eterna "cidade-laboratório", é que está, por trás de toda decisão tosca da cidade nos últimos 12 ou 16 anos, desde o Cidade Limpa (que tornou SP na 9ª cidade mais feia do mundo!!!) até os corredores sem critério, passando pelas ciclofaixas de domingo, o Controlar, o "tombamento forçado" do Cine Belas Artes e outras imbecilidades que são feitas por PT ou PSDB só para agradar os jornais e revistas que "os apoiam". 

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E, entenda, digo PT OU PSDB porque ambos os partidos tem se mostrado cheios de amebas na arte de governar uma cidade que precisa, mais do que nunca, de políticos que façam políticas para o cidadão, e não contra ele. Não adianta tirar o partido X, Y ou Z do poder se não mandar desinfetar a administração de gente que não ajuda o cidadão comum a ter prazer em andar em São Paulo, cidade muito maior do que aqueles que a administram.

De gente que, tal e qual o "piloto automático" do filme Wall-E, vai lutar para manter o padrão de conduta da administração pública, qualquer que seja o prefeito.

E impor à gigantesca cidade o padrão de uma Amsterdã. Perfeita, na essência, mas pequena. E, acima de tudo, PLANA.

Ou de uma Nova York na qual Bloomberg fechou a Times Square, botou ciclovia em Manhattan ... só para constatar o fracasso de sua empreitada, que não vai ser criticado no The New York Times.

...

Não pensem que não existem pessoas que estão satisfeitíssimas com a atual administração. Essas são as mesmas que lamentam que o cidadão de São Paulo não queira persistir com a humanização da cidade, em direção a um futuro supostamente mais civilizado.

São pessoas que escrevem textos como esse, nos quais o maior lamento é pelo povo, ingrato com a "superadministração" atual. Diz ele:

"Haddad é um choque para SP. Um choque de modernismo para o qual a cidade não estava mentalmente preparada. Numa cidade em que se fala apenas do indivíduo, ele pensou no coletivo. Numa cidade em que as pessoas se enxergam como consumidores, ele nos tratou como cidadãos. Pagará o preço por isso no ano que vem."
...

De fato, Haddad pagará o preço por sua "impertinência". Há um ponto, porém, no qual discordo de quem escreveu esse texto: não foi o petista que começou a tratar o paulistano como um "cidadão".

Foi Kassab, no segundo mandato, que inventou de dar ouvidos aos que acreditam que a cidade de São Paulo deveria ser transformada em um modelo de conduta e civismo, esquecendo-se de que a grande maioria dos que moram nesta cidade obedecem a uma dinâmica própria, de trabalho, estudo e família, na qual as distâncias são longas, o tempo é curto e a paciência, cada vez menor.

Não se pode confundir o Centro boêmio e a Paulista "de todos os povos" com os bairros da Zona Leste carente, ou do extremo Sul dos negócios - e que, cada vez mais, vai controlando o dinheiro da cidade. Se há tempo para alguns se divertirem, pois podem viver em uma parte da cidade que funciona, para outros as necessidades jogam o cidadão para a comodidade do carro, a segurança do "shopping" e outras atitudes que podem não ser cidadãs, no sentido europeu da palavra, mas que tem muito a ver com a vocação para o trabalho de quem vive e trabalha por aqui.

Kassab foi "queimado" por querer dar ouvidos aos pilotos automáticos. Haddad também será imolado.

E muitos paulistanos ficarão esperando por alguém que os trate como consumidores. Afinal de contas, eles pagam impostos, e querem serviços, de um Estado que funcione, enfim, para ELES, cidadãos.

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P. S.: Em breve volto, para falar de outros absurdos dessa grande cidade.

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