Dia Internacional de Luta contra a Violência contra a Mulher

Três escritores, colegas e amigos, o mesmo tema - e a mesma indignação: 25 de novembro já passou, mas não é por causa disso que devemos esquecer de quão indignos os homens podem ser quando passam dos limites, ou se acham detentores de limites que jamais teriam.

Que possamos lembrar sempre que não se bate em ninguém, muito menos no mais fraco, e muito menos por ele ser fraco - e que possamos nos indignar, lembrando que o maior poder ainda é o da atitude, e que é muito mais digno levantar-se contra o mal que temer o bem.



De amor

Na primeira, viu o brilho nos seus olhos. Pensou em desejo. Na segunda, sentiu uma dor fina e funda no ventre. Lembrou do prazer em seus braços. Na terceira, avistou a mancha rubra na camisa branca.Esvaziou-se de emoções. Na quarta, um frio súbito e o vinco na testa dele, toldaram-lhe a visão. Só quando, na quinta estocada, a faca penetrou tão fundo que lhe arranhou o coração, percebeu que morria de amor. De amor acabado. Pelas mãos cruéis do seu amor.


Márcia Maia




Falha Uhmana"

Treva e altura.
Eis que ergue-se - ante a cúria dos iguais,
uma humanidade em repúdio à igualdade.
Fúria bestial e bruta -, bradando aos quatro ventos
por liberdade:
— Sem cravos, sem Cruz, sem Luz!


(Sem cura).



Walter Ramos de Arruda



Impulsos,
podres,
acarciam e afagam,
querendo um gozo cruel.

Sangue,
maldito,
jorra em regras fedidas,cruentas, com gosto de fel.

Socos,
pontapés,
revelam a face hedionda
da falsa gente de bem.

Corpos,
mutilados,
são violentados na alma,
gerando os que nada mais tem.

Porque, então, não gritam por si?

Maldita tradição dos desalmados,
maldito seja o dia em que nasceram;
maldita a dor que causaram,
malditos eles,

Malditos todos nós.



FPS, 25/11/2005, 19:47.

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