Venezuela, México e o pênalti que não houve

A Veja dessa semana publicou matéria falando sobre as encrencas diplomáticas de México e Venezuela, representadas pelas bravatas que Hugo Chavez, o libertador bolivariano que meio mundo adora odiar e outros tantos amam de paixão, e Vicente Fox, o ex-executivo da Coca-Cola com cara de texano que rompeu o monopólio do poder priista no país da tequila.
 
Mas, descartando as inevitáveis comparações econômicas de sempre, e o ódio incontido que a publicação da Abril tem pelo chavismo, podemos dizer que a briga entre ambos nada tem de ideológica - mas sim da velha e boa propaganda, aquela que fez a metamorfose de pensamentos do Lula e levou o homem a chegar, finalmente, lá.
 
Senão, vejamos: 
 
Chavez é, acima de tudo, o grande marqueteiro de um modelo de democracia que se pretende revolucionária, mas nada mais é que a justificativa para um 'governo forte', que ele manterá enquanto conseguir dar pão para uma grande massa que nada em petróleo mas não via a cor do dinheiro até ele chegar com seu papo de 'Bolivar de segunda mão'.
 
Fox, por sua vez, encarna a face do neoliberalismo em todos os aspectos, com o que ele tem de bom e de ruim; e o neoliberalismo seria perfeito não fosse por um pequeno detalhe chamado 'povo', esse mundo de gente que nem sempre tem qualificação necessária para encarar um mundo de carniceiros onde tudo é produto, até mesmo o trabalhador - e que nem lhe garante sucesso nas eleições mexicanas, marcadas para breve, que podem repetir o que aconteceu na India (e voltaremos a esse assunto, ele é bem interessante).
 
Logo, a briguinha vem a calhar: ambos fazem pose, bravata, ambos retornam com seus embaixadores para as mesuras diplomáticas e ambos posam de vencedores - dê só mais uma semana, e veja se não é assim que vai terminar essa estória.
 
...
 
Corinthians e Internacional fizeram um jogo nervoso, ao menos na parte que eu vi (só o primeiro tempo). Mas, para meu irmão e minha cunhada dizerem que o time do Inter foi prejudicado - ambos corinthianos e muito mais torcedores do que eu - já dava para perceber que algo estava errado no pênalti que não houve.
 
Consultado o meu juri particular (minha esposa e eu), dei o veredicto: foi pênalti, sim.
 
Mas não vai adiantar muita coisa, porque títulos são para ser contestados pelos perdedores e comemorados pelos vencedores, e o futebol, que é o mais subjetivo dos esportes, aceita tudo por ser movido por paixões, que fazem com que muitos perdoem até os piores erros por conta de uma simples vitória, esquecendo-se dos detalhes de quem jogou bem, jogou mal, ou mereceu.
 
Isso é o que faz o futebol ser o que é - e, francamente, alguém acredita que o Timão vai abrir mão do título porque ele 'foi injusto', ou 'não foi merecido'?
 
É ruim, hein !!!

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