Prosa, antiiiiga ...

Enquanto não volto à nossa programação normal, segue uma pequena prosa, dos tempos em que eu procurava fazer apenas alguns ensaios sobre a vida ...


 

A brevidade da vida

 

                Nada é tão bom quanto a primeira vez em que se faz alguma coisa. É engraçado, mas a verdade é que, com o tempo, tudo aquilo que nos acostumamos a fazer torna-se banal e triste, como as aves negras que cruzam os céus do Nordeste, à procura de pão. No entanto, tudo aquilo que acontece de novo em nossas vidas é encarado como um prenúncio de coisas que poderão acontecer de melhor, e as novidades podem ser, no fundo, exatamente as mesmas coisas, só que com um toque pessoal a mais, um certo tempero, uma certa dose de aventura e leveza, um certo quê de diferença, uma certa ... novidade, digamos assim - e isso é só o começo.

 

                Tomemos a escola, por exemplo. Quando iniciamos as aulas, vendo companheiros com quem não tinhamos o prazer de estar até pouco tempo atrás, aprendendo novas estórias que nos são passadas dia após dia, hora após hora, tornamo-nos pessoas mais maleáveis, e aquilo que deve ser nossa obrigação é encarado como um grande prazer, que é vivido intensamente ... até o momento em que, de tanto ouvir as mesmas coisas todo santo dia, e ver as responsabilidades pesando, nos tornamos pessoas chatas, cansadas e deprimidas, com vontade de jogar tudo p´ro alto e ir embora, e perder de vista o que tivemos antes ali.

 

                São coisas da vida, fazer o quê.

 

                No entanto, tudo passa, assim como tudo volta, dia após dia, em cada tempo que tivemos, em nós mesmos. São as vontades que temos de que tudo se renove, e que, a cada dia, mais e mais, possamos estar juntos, eu, você que me lê e todos nós, dia após dia, hora após hora, em cada momento, em nossos corações.

 

                Porque tudo, meus amigos, resume-se no fato de que, um dia, não haverá novidades para nós - e que, nesse dia, todos teremos que encarar a última novidade, o último fato, o fim da vida ... e o começo de outra, não importa o que façamos, ou tentemos fazer, para encarar tudo isso. E por isso esse texto é tão breve como as folhas que caem, ou as aves que voam, e por isso é que falamos tanto nesse grande assunto que é a brevidade da vida.

 


 

(FPS, sob o pseudônimo de Omar O. Sirep, em 26/02/1996) 

Comentários

  1. Faça tudo sempre como se fosse a primeira (ou a última) vez. Ou seja, viva o aqui e o agora.

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