Prosa

A primeira carta
“São Paulo, 7 de setembro de 1.995.
Querido amigo, quantas saudades !
Às vezes penso que é como se o mundo acabasse. Sinto como se a minha vida fosse uma grande ilusão - sim, uma grande ilusão, feita de sonhos e desejos cuja vontade é infinita, mas irrealizável, que vive pela pessoa amada e que nela é realizada, que está longe dela pensando em estar perto, que é essa poderosa dor tão gostosa chamada amor.
Será que ele me ama?
Acredito do fundo do meu ser que sim - ele é dócil, bonito e dono de um olhar irresistível, mas também acho que ele pode ser rude e insensível às vezes.
Oh, meu doce amigo, meu sonho, minha ilusão, venha logo me amar de uma vez e esquecer o tempo que já passou! Dá-me as forças para perceber que meu sonho pode ser real, que nada pode me separar de ti, e que o amor sempre poderá ser eterno, sempre, sempre, sempre ...
Digo ... 
Por que será que o amor é tão difícil de ser alcançado ? Por que vivemos tanto, tanto tempo de um tal jeito que ninguém sabe porque, nem como sente, para depois nos desiludirmos e sentirmos a vida perder o sentido ...
... por tão pouco ?
Sinceramente, hoje estou tão sofrida que nada poderia me animar.
Um beijo?
Talvez, desde que fosse da pessoa amada, que está longe.
Sei que haverão problemas, e que serão muitos.
Mas, enquanto isso, vou vivendo minha vida querendo reconquistar a felicidade, esse todo feito de partes tão unidas em conjunto quanto separadas em sua essência.
Beijos."

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