São Paulo, o PSDB que dá certo (!!!)

Celso de Barros, o autor do excepcional NPTO, pediu a mim que desse exemplos de como o modelo do consórcio tucanodemocrata de São Paulo poderia se contrapor ao modelo do petismo lulista – e que pode responder bastante sobre para onde vai a oposição, como ele e outros tantos blogs tentaram adivinhar nos últimos dias.

E, a rigor, seria muito extensa uma resposta baseada nos princípios da reforma gerencial de Bresser Pereira, que foi a base do que FHC tentou fazer no Governo Federal e que foi implementada em São Paulo quase em sua totalidade.

Mas, para começarmos, digamos que o cidadão de São Paulo tem uma visão bem diferenciada do Brasil em relação aos de outros Estados da Federação: e, para começar, esse é de longe o estado brasileiro em que o capitalismo mais se entranhou – e mesmo entre os que vieram de outros lugares para cá tal postura é evidente.

Sendo assim, natural que o cidadão paulista veja como extremamente favorável qualquer medida que reduza impostos e use a iniciativa privada para "melhorar o serviço que o Estado não faz bem"; a rigor todas as políticas de terceirização e privatização por concessões adotadas aqui poderiam ser colocadas como bem-sucedidas, do ponto de vista da população que aqui vive.

E essa é a população que elege o governador do Estado, ainda que a oposição deteste admitir tal fato; quando, por exemplo, questiona o valor absurdo de nossos pedágios, caros para quem usa as estradas com frequência, mas baratos para a grande maioria, restrita ao fluxo interno das grandes cidades e que somente usa as estradas para “viajar”, ainda que seu destino fique a apenas meia hora de sua casa.

Para a grande maioria fica o orgulho de andar em tapetões de asfalto, ainda que quase nunca os utilize de verdade – lembrando que nas vicinais dos pequenos municípios (usadas no dia-a-dia do interiorano) não há pedágio; mas atesta-se o sucesso da política governamental, e, para muitos, é isso que importa.

Outro questionamento relevante é sobre as políticas de caráter social: ao contrário do que se pensa, há muitas que são vendidas como atitudes de sucesso em São Paulo, cidade e estado, cada uma delas com seu contraponto federal - Dose Certa, Mãe Paulistana, conjuntos da CDHU e outros; tem para todo gosto, até um programa de distribuição de renda é fornecido à população, o Renda Cidadã, que não deixa de ser uma cópia piorada do Bolsa Família mas que funciona, ao menos na propaganda tucana.

Há, contudo, diferença chave na assistência social tucana em relação à petista: as ações são tomadas visando agradar a classe média conservadora, que "valoriza demais o suor do próprio trabalho para deixar que vagabundos usem do dinheiro que ele lutou para ganhar", numa atitude que a muitos parece ser egoista.

Mas que tem que ser atendida por quem foi eleito, sob pena de não voltar a ser governo; e, para essa população, que constitui a metade do Estado que vota no PSDB-DEM sem pestanejar, só tem que ser ajudado quem realmente precisa de socorro.

Assim, as políticas sociais tucanodemocratas visam principalmente deficientes, grávidas, divorciadas com filhos ("casa da CDHU sai no nome da mulher", não é isso?), idosos, e outras minorias de necessitados, que precisam do apoio do Estado - e o obtém.

Não espere deles, porém, medidas contra a miséria; essas não existem, porque para o eleitor do PSDB-DEM "trabalho está à vista, e quem recebe Bolsa Família podia carpir uma terra, ou lavar uma louça, ou fazer qualquer trabalho que dignifique o homem" e que não seja motivo para ele ser “um vagabundo que vive do governo”.

Talvez por aí dê para entender porque São Paulo é o laboratório do social-liberalismo inaugurado pelo ex-PFL e adotado pelo tucanato, aquele sistema que acredita que o Estado deve deixar tudo para a iniciativa privada fazer e concentrar-se apenas no básico, que para os teóricos tucanos é saúde, educação e habitação.

E, a propósito, segurança; já que os conservadores sempre tem medo, no mínimo, dos sem-sei-lá-o-quê que invadem seus sonhos de ordem e progresso …

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