Do colega Enrique, do Boteco do Balaio, um poema maravilhoso

Bobo procura boba


Quero uma boba que goste de ficar
assim, quietinha, bobamente,
comigo de mãos dadas,
como era costume antigamente.

Quero uma boba que goste de um "papo"
bem bobo, sobre tudo, sobre nada,
noite adentro,
até o raiar da madrugada.

Quero uma boba que esqueça, de bom grado,
um monte de problemas,
só para curtir um bobo
céu estrelado.

Quero uma boba sem compartimento
estanque, onde isole o sentimento
de por à solta a Feroz Razão,
pondo também, assim, em fuga, a emoção.

Quero uma boba que não se lembre de cobrar
de mim, diários testemunhos de macheza
e que preserve, desse modo,
minha inteireza.

Quero uma boba tão bobamente sábia
que ao fazer amor,
à entrega se entregue, bobamente,
à bobice do amor, só pelo amor.

Quero uma boba tão boba, afinal,
como esse bobo que eu mesmo sou
para viver a bobeira, imortal,
de um doce, bobo.

E quisera eu ser sempre bobo para procurar uma boba que me faça mais bobo assim ...

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