#Talibikers, SUV´s e a higienização da metrópole: porque nem tudo nesse mundo é #política

talibikeUma das atividades que agrada bastante a esse blogueiro é ver as discussões sobre mobilidade urbana nas grandes cidades que tomam corpo na internet, esse verdadeiro mundão digital onde é fácil encontrar quem tenha posturas como as suas e formar verdadeiros partidos politicos a respeito de pequenos assuntos do dia-a-dia.

É, por exemplo, o que ocorre com os cicloativistas e sua postura radical a respeito de qualquer assunto que envolva mobilidade sustentável, como o que ocorreu na discussão entre Barbara Gancia e Renata Falzoni, em que pela primeira vez se cunhou o termo "talibiker" para defiir o cicloativista chato que não respeita regras de convivência ou legislação de trãnsito e que pensa que a rua é de propriedade exclusiva dos que estão destinados a salvar o mundo suando em suas bicicletas diariamente – ainda que isso signifique arriscar a sua vida e desrespeitar as leis de tráfego.

Que eles não desejam saber que também regulamenta o tráfego de bicicletas por vias públicas, diga-se de passagem.

Descartado toda a choradeira de cada uma das partes, o fato é que ninguém ganha com esse tipo de discussão, principalmente a tribo de bicicleteiros que conseguiu iniciativas isoladas mas que não teve tanto êxito em sensibilizar a Prefeitura e a CET para inverter a lógica da "carrocracia" que domina a sociedade do século XXI; talvez porque o verdadeiro inimigo desses bicicleteiros esteja em outro ponto, na ilusão de ótica que faz com que alguém ache que um SUV filmado é extremamente seguro para seus ocupantes, ainda mais se estiver devidamente blindado.

Como se a blindagem resolvesse alguma coisa quando rendem os ocupantes do carro antes de chegarem até ele.

E tem algum espaço, na cidade de São Paulo, que não esteja sendo transformado de espaço público em "ponto de passagem" para os cidadãos amedrontados da metrópole? Higienização da Praça Roosevelt e da República, rampas antimendigos que afastam o indigente E O CIDADÃO da paisagem, num absurdo que faz esse blogueiro pensar se não seria melhor mandar logo tudo para o inferno, abrir a Barão de Itapetininga para os carros, fazendo um "rasgo" na Praça da República e ligando o Arouche diretamente à Praça da Sé via Viaduto do Chá.
 
Poderíamos também aproveitar para "reasfaltar" o Viaduto Santa Ifigênia, ligando aquela região à Líbero Badaró e poupando os carros de dar uma volta imensa na região para chegar ao centro financeiro, que poderia ter seus calçadões derrubados para evitar que os farrapos humanos sujem mais ainda a paisagem dos engravatados que andam por lá todo dia.
 
Crueldade? Sim, com certeza.
 
Mas, se é para entregar logo SP aos carros, que façam isso logo para que não tenhamos que perder mais a paciência fingindo que queremos uma cidade melhor, para nós e nossos filhos; só gostaria que abrissem mais dois shoppings no Centro, de preferência no Mappin e na Mesbla, porque vai ser a única coisa que vai prestar de fato depois que toda essa "urbanização" terminar.
 
Andar dentro dos casulos, em que nos enterramos, dia após dia.
 
 
E, antes que me esqueça: a moto ganhou o último desafio intermodal, os bikers dizem que foram os vencedores no custo-benefício para o planeta, mas eu ainda acho melhor fazer a medição de suor dos participantes antes e depois de eventos como esse.
 
Já que o SUV só consegue ganhar mesmo na categoria que mais interessa à classe média, a do “chegar limpinho e arrumadinho em casa”.

Comentários

  1. O que eu não gosto nos fanáticos por bikes é achar que eles são a solução pro trânsito. Que me perdoem, mas eu detesto bike. Não é solução pra mim. Mas, claro, eles são PARTE da solução e devem ser contemplados.
    São Paulo é carrocêntrica. Os investimentos em alternativas são ridículos e o PSDB ainda se gaba do lixo que fizeram ou querem fazer.

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  2. Bicicreteiro7:14 PM

    Primeiro vá entender o que os "cicloativistas" falam ou lutam. E há inumeras maneiras de entender, melhores do que ler um texto da Barbara Gancia que nem tem idéia do que pensa a sua amiga.

    No Intermodal não houve vencedores. O que houve foi a confirmação de que há inumeras outras formas de se locomover mais eficientes que o carro, que a moto é rápida, mas nem tão rápida assim, pois 30 segundos de diferença é a diferença entre as 60 mortes de ciclistas anuais contra as 500 de motoqueiros.

    Bike não é solução pra porra nenhuma, andar de bicicleta é um DIREITO que tem que ser respeitado, como é o direito de andar de carro. Mas vou continuar criticando sim essa entrega da cidade aos carros como se eles fossem os únicos a ter seus direitos garantidos. Graças ao carro, todos os modais de transporte público foram mais lentos que ele, e tudo isso por culpa do trânsito que eles mesmo causam. 30% da população coloca os outros 70 de reféns e é isso que eu como cicloativista sou contra. Quer andar de carro? Problema seu, mas não venha mandar a conta para mim, isso nunca vou concordar.

    André Pasqualini

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