Dez anos atrás … memórias do 11/9 …

Estava em atendimento, vendo um acesso à rede na Unidade Administrativa, quando a notícia ecoou:

- Gente, vocês não imaginam, um avião se chocou contra o Empire State, está o maior auê lá em Nova York, que coisa!

Demorou um tempo até conferir a notícia e ver que não era o Empire State, e sim as Torres Gêmeas; mas o primeiro impacto foi de pensar que era somente uma enorme tragédia, um acidente aéreo de graves proporções que comoveria o mundo pela sua extensão.

Nem imaginava que estava vendo a História passando à minha frente, e que, sem perceber, fazia parte dela.

- Outro avião, bateu na segunda torre.

Súbito, a lembrança de um nome, que até então era apenas uma lembrança da manchete dos jornais, aquele que estava no topo da lista de homens mais procurados pelo governo americano:

- OSAMA BIN LADEN!

- Osama-bi-o-quê?

Compreensível a reação do meu colega de mesa - o terrorista mais procurado do mundo era então apenas isso, um terrorista, não a marca do terror que assolaria o mundo nos dez anos seguintes.

- As torres caíram; oito mil mortos.

O silêncio que se seguiu foi de funeral: todo o resto da tarde foi de trabalho em silêncio. Nenhum comentário, nenhuma fala, muito menos as piadas de praxe: só o som dos teclados e, no fundo, o sentimento de que o mundo estava mudando, diante de nós.

Só não sabíamos no que se tornaria.

Dez anos se passaram, e o “nine-eleven” ainda é uma chaga no coração americano e um tormento para o mundo.

Idéias se deturparam, valores se perderam, os direitos humanos se tormaram em piada, e a democracia, apesar de formal, está cada vez mais para um retrato na parede do que uma idéia verdadeira.

Hoje somos revistados exaustivamente no JFK, mas não nos sentimos seguros de verdade; vendemos nossa privacidade para um Big Brother virtual, em troca de uma proteção que não sabemos se é real.

Muitos morreram nas guerras que se seguiram, para apagar as chagas da vergonha estadunidense; Bin Laden foi morto, mas o mundo está longe da sonhada paz, porque o fantasma dele ainda nos assombra.

Os palestinos continuam tem sua pátria, Israel continua sem segurança, e as mulheres no Irã ainda são lapidadas.

E eu, enquanto isso,  filosofo, pensando no desabar do modelo do “american way of life”.

Enquanto ao meu redor desfilam mais e mais produtos.

Todos, sem exceção, com uma etiqueta.

“Made in China”.

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