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Mostrando postagens de Maio, 2013

Prosa: Panorâmica das conversas ao telefone, II

- Pronto.

- Oooooooiiiiii-mor-zin ....
Você já sabe. Vai demorar.
...
- Oi, querida. Tudo bem?
- Ai-querido-você-não-sabe-o-que-me-aconteceu-hoje ...
Xi ... vai demorar mesmo. ...
- Ótimo que seja assim, meu anjo - fala então o que é que ...
- Ai-querido-foi-a-Mariane. A-gente-tava-no-serviço-fazendo-mais-um-relatório-daqueles-malucos-que-a-chefe-SEMPRE-pede-quando-tem-problema-de-checagem-de-conta. Ai-ela-pediu-aquele-relatório-e-a-coitada-errou-TUDO !!! Você-nem-imagina:ela-com-cara-de-trouxa-e-a-gente-tendo-que-correr-para-ver-o-que-é-que-tava-errado-e-o-que-que-não-batia ... 
... e-a-chefe-lá-SEMPRE-com-aquela-cara-amarrada ...
E assim segue pela próxima meia hora, com pausas para um "sim, querida", ou um "não, querida", e quando você, num lapso pequeno de tempo, boceja ...

- O que foi isso?

- Ah??? Nada, não, amor, é que ...


...

- EU SABIA!!! Você-não-estava-ouvindo-nada-do-que-eu-estava-falando-seu ... seu ... seu ... SEU INSENSÍVEL !!! BUAAAAAAA ....

...
E toca mais…

Poesia

O sonho desfeito. O choro contido, o desespero. A dor que não para, a falta de sentido da vida. A vontade de sumir de beber formicida, de fazer uma besteira. Tudo isso, tudo, tudo, tudo, tudo um dia passa. E sempre há um remédio, Ainda que não tenha olhos azuis e um sorriso gostoso ... fps, 19/06/2012, 14:20

O sonho e o roubo: Dimenstein e a Virada Cultural de 2013

Uma teoria particular minha diz que não são os políticos os grandes inimigos do Brasil, mas sim os jornalistas e teóricos que inventam um país ideal mas não pensam se a população realmente topará transformar as cidades caóticas em "cidades-modelo" pacificamente. 
No caso de São Paulo, especificamente, isso significa impor aos cidadãos daqui por querer para os paulistanos um sonho que a grande maioria despreza, o de uma cidade-modelo como as grandes capitais europeias misturadas com Bogotá e as experiências que, por essas bandas, só serviram para cansar o cidadão comum, atrapalhar (mais ainda) o tráfego comprovar que política no Brasil é cada vez mais feita em laboratórios que nada tem a ver com a realidade de sacolinhas plásticas e domésticas de meio período.
Prova disso são as duas matérias abaixo, antes e depois da Virada Cultural, onde Gilberto Dimenstein, um dos mais representantes desses pseudo-teóricos, teve seu celular furtado, mas não perdeu a esperança de que surja…

Poesia

Lua
Queria poder te amar em noites de lua.
Só para ouvir-te, graciosa, dizendo: “Sou tua”.
Queria que, vendo o luar, vibrasses, contente,
fazendo com que nosso amor fosse bem diferente.
Sonhar com a lua que brilha, tão cheia no céu,
sonhar com a lua que insiste em brilhar sem seu véu.
Viver sem o teu grande amor é pura ilusão;
querer-te é nutrir-me de vida, é grande paixão.
Sofrer, pois qual o sofrimento, também há calor;
procurando em todo o vazio, razões para o amor.
Amor que não sei se cultivo, sincero, afinal,
querendo alguém que me ame, que seja “a tal”.
Queria sonhar com teus beijos, teus beijos no olhar,
abraços, sorrisos, na fonte, à luz do luar.



Queria amar-te de novo, na vida e na rua,
só para te ouvir, tão singela, dizendo:



“Sou tua”.




fps, 31/07/96

Prosa

Desde o início as regras foram claras: Só sexo.

Sem compromisso.

E com o tempo continuou assim, até que o coração começou a apertar a cada saída.

Sentiu medo, saiu daquela vida; e a regra para eles então mudou.

Radicalmente: só sexo sem compromisso.

Mas algo faltava, não se sentia bem, e pensou, repensou.

Concluiu que alguma coisa estava errada; voltou, e aquietou-se.

E aceitou de bom grado a nova diretriz: sexo, e compromisso.

Mas o tempo, cidadão antigo, traz com ele a mesmice, a dureza da vida.

E aos poucos, ficou clara a imposição: Só compromisso.

Sem sexo.

Ao fim, se enchem um do outro, e caem fora do que seria o desastre anunciado.

E a realidade entre os antigos amantes se interpõe, num misto de alívio e decepção.

Sós.

Sem compromisso.

Nem sexo.

fps, 26/03/2012