13.3.16

Impeachment ou não impeachment: uma análise do que vem por aí

"Massa humana". "Multidão". "O povo (?!?) nas ruas".

Algo, porém, está muito errado: essa massa não tem líder. Ninguém se ofereceu até agora para ser o verdadeiro comandante dessa tropa, que supostamente marcha em direção a um "país melhor". A turma que está nas ruas, aliás, se move por um sentimento tão ingênuo quanto estúpido, que é achar que basta tirar todos os corruptos para que tudo passe a funcionar como um toque de mágica.

Quem poderia ser o "anti Dilma"? Da oposição é que não sairia. Do PMDB, talvez.

Moro? Duvido muito, ele é um erudito. Administrar o país não é com ele - aliás, se fosse administrador, saberia que a "Mãos Limpas" limpou a Itália dos maus políticos, mas destruiu a economia a tal ponto que o povo quis Berlusconi, o corrupto-mór, no poder.

Aliás, o povo nas ruas não quer ninguém. Ou melhor, quer que todos vão embora - o que nem sempre dá no desejado pela "massa cheirosa".

Afinal de contas, na Argentina, esse movimento, o "que se vayan todos", acabou nos oito anos de Kirchner e Cristina. Na Venezuela, a sede de poder dos golpistas deu fôlego para que Chávez viesse como um todo-poderoso e impusesse uma Constituição que tornou a Venezuela uma república em que se governa por petição - onde não há lei, só o desejo do governante.

Seria fácil, portanto, chegar ao "impeachment"? Aí é que está: duvido muito.

No caso brasileiro, vejo que Dilma "está" fraca, mas não "é" fraca: resistirá até o fim de todo um processo de remoção, pois está convicta de que o melhor para o país é permanecer no poder. Ela é getulista, sabe o que aconteceu com Vargas e Jango, e não estará disposta a repetir os "erros" de seus antecessores, pelo bem do país.O semipresidencialismo poderia ser implementado com Temer no poder, mas não pela guerrilheira.

Além disso, ao mesmo tempo em que os "golpistas" saem às ruas, mostra-se a face mais ridícula e preconceituosa dos favoráveis ao "impeachment". Continuamente somos bombardeados pelas demonstrações de um fascismo denunciado mais pelas atitudes dos manifestantes do que por suas falas - e que fazem com que os esclarecidos, de qualquer tipo, saiam pela tangente, confessando-se decepcionados com a face mais autoritária do "povo brasileiro".

Será muito difícil, na prática, tirar Dilma Rousseff do poder. 

Uma batalha cruel, que ela poderá até vencer, já que as políticas são como as nuvens.

Que ora estão de um jeito, ora não estão.

Atualização, às 20:17:

Os tucanos foram vaiados e expulsos da manifestação. Bolsonaro, aplaudido. Moro, em casa, deve estar tomando tranquilamente seu whisky, saboreando a "vitória" nos braços do povo.

A revolta não escolhe partidos. Era antipetista, tornou-se antitucana porque há escândalos deles, e vai se avolumando até contaminar todos os "think tanks" que governaram o país até agora.

Resta saber quem sobrará para governar os cacos quando o Brasil for passado a limpo, a reencarnação de Ruy Barbosa, o que deveria ter sido presidente no passado - mas não chegou nem perto disso. E graças a Deus não chegou lá, pois a única vez em que foi ministro, quebrou o país.

Afinal de contas, quando o Brasil acordar e perceber que não é somente pela honestidade que se faz um país, mas cuidando da falta de gestão, será muito tarde.

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