13.3.16

O impeachment e o impeachment: é a saudade dos militares, estúpidos!

Matéria do blog Jornalistas Livres analisa de forma contundente a soma do papelão de Aécio e dos tucanos, escorraçados da manifestação em São Paulo, combinada com os 3 milhões nas ruas:
"A primeira impressão é de que o lulismo vai botar muita gente nas ruas dia 18. Não tanta gente como a direita da“antipolítica”. Mas ficará claro, depois do dia 13 e do dia 18, que nas ruas só há duas forças: a extrema-direita que quer escorraçar/trucidar os políticos (inclusive tucanos) e o lulismo com apoio sindical/orgânico, de movimentos sociais e de certa centro-esquerda que se contrapõe à barbárie bolsonariana. 
Ou seja: Lula e o PT têm alguma força para resistir na rua. Do outro lado, há a sombra ameaçadora do fascismo. O PSDB ficará esmagado entre essas duas forças."
Questione-se o site, mas não sua conclusão: os tucanos acharam que poderiam pegar o bonde que movimentos como Revoltados Online e MBL tinham montado desde 2015 como se fossem os grandes vitoriosos, e como se a derrota fosse só do PT, mas deles também (e com razão, pois foram realmente covardes em não assumir o golpismo da galera logo de cara). 

O problema, para todos os políticos "de elite" do país, é que a turba em questão não quer saber de muita conversa: quer a cabeça dos corruptos, que, supostamente, seriam os responsáveis pela miséria na qual o país se encontra. Não é verdade: um país desigual é muito pior do que um país corrupto - mas a turba nas ruas, ao menos a que foi hoje entronizar Sérgio Moro, não pensa desse jeito.

...

Vou confessar uma coisa: sempre que vou discutir com qualquer um, e alguém cita a corrupção do PT, me lembro de comparar com os militares. Não com FHC, nem Sarney, nem Collor. 

Os militares, a turma das casernas (principalmente o Médici) são o meu saco de pancadas diário.

Alguém poderia estranhar o fazer o comparativo com tempos tão distantes, mas há duas boas explicações para isso. Primeiro, a corrupção nos regimes militares era tão pesada, ou pior, do que hoje. Capemi, Coroa-Brastel, a compra de votos para eleger o Maluf: inúmeros são os escândalos contados daquela época, sem contar as obras superfaturadas, como a Transamazônica. 

Entretanto, não haveria o primeiro motivo sem não termos o segundo: ninguém sabia o que estava acontecendo, e todos viviam a ilusão de que tudo estava bem. O cidadão comum de classe média não vê muito além do próprio mundo, pois "tem mais o que fazer" - de tal forma que, para muitos deles, os tempos dos militares foram ótimos, pois "havia segurança", "eu podia andar na rua em paz", "não tinha a baderna que tem hoje", e coisas do gênero.

Esse pessoal não faltou às aulas de História. Eles até assistiram, para tirar nota. Entretanto, ao voltar para casa, as estórias dos pais sobre "como eram bons os tempos dos militares" falaram mais forte.

Principalmente quando o comparativo é com tempos como os de hoje, em que a corrupção jorra aos montes - e a imprensa noticia cada passo dos supostos larápios, como não fazia nos anos 70.

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Os poucos esclarecidos que pedem democracia eram de forma gritante, ao tratar os manifestantes como pessoas desinformadas. Eles sabem o que estão fazendo, e não querem saber de legalidade e respeito aos procedimentos legais. Querem Dilma fora, e Lula na cadeia, qualquer que seja o motivo.

Não adianta culpar a mídia: ela é apenas a porta-voz do espetáculo, o megafone, o roteador que amplifica o wi-fi. Não adianta dizer que são manipulados: o que eles querem é tirar o governo do poder, ainda que travestindo tudo isso como "experiência democrática".

Eles não são democráticos, ainda que achem o contrário.

Talvez não sejam fascistas. Mas são autoritários.

E, para nossa sorte, não são o cidadão comum.

Que não saiu às ruas hoje. Nem irá às manifestações do dia 18.

Porque ele tem mais o que fazer.

E a política - ainda - não o incomoda completamente.

Ainda não.

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