Ponderações sobre mais uma semana de manifestações: do nada ao lugar algum

Desistam de pensar que Dilma renunciará. Ela tem nas veias o sangue guerrilheiro, e as lembranças de 64 vivas na memória - e no corpo, varado pelos torturadores até dizer chega. 

Jango, na única medida consequente de seu governo, assumiu a derrota, pegou a malinha e foi para o Uruguay - e os militares não largaram o osso. Vocês acham que, com um retrospecto desses, ela agiria da mesma forma?

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A turma que foi defender o PT e Lula nas ruas é menor, mas tem um líder e uma organização muito mais forte - além de ser apoiada, por fora, pelos traumatizados do golpe (que defendem respeito às instituições mesmo quando elas estão indo para o buraco).

O antipetismo, contudo, tem força suficiente para pisar na moral governista até forçar a renúncia. Além disso, o mercado está do lado de quem der uma solução - nem que seja o "impeachment".

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Perguntam por aí porque comunista usa vermelho ao invés das cores da pátria. Segundo a Wikipedia, trata-se de uma metáfora, do sangue dos trabalhadores vertidos pela revolução: é um símbolo de um movimento que se pretende universal (e a ideia é essa mesmo, um mundo de comunas).

O que o antipetista se esquece é que o fascismo, em todas suas vertentes, assumiu como seus os símbolos nacionais dos países e suas imagens, transformando-os em propaganda de suas ideias. Logo, um "fascista" pode muito bem vestir a camisa amarela da Seleção - manchando-a de vergonha.

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Por fim: o cidadão comum ainda não saiu à rua. Graças a Deus, temos sabedoria por aqui!

Comentários

  1. "Povo, povo, que mito é esse, em nome de quem se comete tantos crimes?" Shkespeare, em uma das falas de Coroliano. Coriolano foi um general romano, considerado herói pelo povo, que foi levado ao senado. O sistema eleitoral em Roma era viciado. Os senadores pagavam seus eleitores (Coroliano, devido a sua popularidade, não precisou disso). Coroliano, discursou dizendo que todos deviam trabalhar. E foi expulso de Roma. Com apoio popular. Há duas leituras. Uma que ele era contra qualquer benefício do Estado (por exemplo, ele estaria discursando contra por exemplo o Bolsa Família) e outra de que ele se irritou com o clientelismo explícito. As duas interpretações contudo colocam ele como ingenuo e com uma visão militarista. Mas a frase de Shakespeare é forte.

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    1. O povo, via de regra, preocupa-se com questões práticas. Ninguém está de fato preocupado com questões éticas, até o momento em que tocarem no bolso.

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  2. O Socialismo é Universal, mas o Capital não tem Pátria. Isso foi dito por um economista (infelizmente não lembro o nome), no início do anos 90, ao analisar a possibilidade de grandes investidores ARRUINAREM UM PAÍS DA NOITE PARA O DIA, simplesmente movendo seus investimentos de um lado para o outro. Por isso, mesmo governos ditos socialistas governam com um olho nos índices de risco do país.

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    1. Não tem pátria, nem tem símbolo. Quer dizer, até tem: $$$$ ...

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  3. E por fim, os fascistas italiano vestiam preto e os nazistas trocaram a bandeira.

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    1. Todo governo que aposta na insanidade da população abusa dos símbolos pátrios. O "fascio" dos italianos trazia as lembranças da glória de Roma, o nazismo utilizava-se das lembranças do Reich, os portugueses tentaram manter o Império Português a todo custo (mesmo falido).

      No caso brasileiro, contudo, há um fator interessante: os orgulhos de nossos conservadores não são de conquistas passadas, mas de viver em um país em ORDEM. Aliás, são as instituições que mantém a ordem que estão sendo mais aplaudidas - principalmente as Polícias, que tem como regra ser cordiais com quem "anda na linha", mas duras com quem transige as normas (mesmo que por motivo justo).

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