14.5.16

Caráter simbólico (OU: como Temer está ganhando os corações e mentes da maioria dos brasileiros)


Esse texto ia ter outro título, algo como "Precisamos falar sobre como Temer está ganhando os corações e mentes dos brasileiros", mas desisti a tempo de fazer esta besteira.

E isso por um motivo não tão óbvio à primeira vista: todas vezes em que se escreve um texto começando com "precisamos falar sobre" a imagem que vem à nossa cabeça é de um imenso "textão" com lugares comuns dos progressistas de plantão, como expressões tiradas de balada gay e palavrórios das feministas "modernettes" ("miga, seje menas", "apenas pare", "lacrou"). 

Estas palavras e expressões não acrescentariam nada à imagem que eu gostaria de passar com esse texto. Portanto, não as coloquei aqui.

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Imagem. Imagem. IMAGEM.

Que, para a soda limonada, não quer dizer nada. Mas, no fundo, é o que a gente mais deseja.

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A imagem projetada por Dilma Rousseff no decorrer dos anos era exatamente aquilo que se viu até quarta-feira: a de uma mulher poderosa, que através do berro e da força de vontade subjugava homens opressores em direção a um país realmente igualitário. Não era integralmente verdadeira, mas era a visão que a esquerda militante radical tinha da "mulher de coração valente".

Uma visão coerente com o passado e o presente da ex-guerrilheira - mas que, em contato com a "vida real", do Congresso dominado por pequenas querelas e na qual os movimentos sociais e ONG´s não tem a representatividade que possuem no mundo virtual, se mostrou uma perfeita catástrofe. Dilma não queria negociar, não tinha o menor interesse em ser estrategista, muito menos o respeito de sua própria tropa - porque, tal e qual os semelhantes de sua tendência, acha muito mais importante o "empoderamento dos despossuídos" do que levar o país adiante.

O resultado? Uma série de fracassos, econômicos e políticos, tratados com desdém por quem acha mais importante ouvir a voz da Marcha das Margaridas do que do "estabilishment" republicano; e a tragédia significativa, do segundo "impeachment"na história recente da República.

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Mesmo os aliados, ao frigir dos ovos, abandonaram Dilma, a "presidente afastada" para ser cozida em fogo brando - e, enquanto isso, Michel Temer dá passos firmes para tomar o comando do país de direito e de fato, através de medidas que soam como música aos ouvidos não só do antipetista, mas de todos aqueles que, de uma forma ou de outra, sentiam vergonha do governo petista.

Sim, a palavra certa é essa mesmo. VERGONHA.

Vergonha de um governante que fazia questão de parecer inculto (o que Lula não é), e de uma governante que exigia torcer a língua portuguesa e adotar o vocábulo "presidenta", para dizer que é uma mulher que manda. Vergonha de uma disléxica falar em "mulher sapiens", e saudar a mandioca, além de outras construções absurdas que a quase-ex-comandante construiu em seus discursos.

Vergonha, no fundo, de ter no comando do país gente que achava que o único mérito de um país era "empoderar os oprimidos" - ainda que os pobres nem saibam, de fato, o que é isso.

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É interessante notar que todas as medidas do presidente em exercício tem a ver com a construção de uma imagem para o segmento mais carente de boas notícias: a classe média conservadora. Nisso, até os ataques que ele vem recebendo na internet são rebatidos de forma violenta.

O ministério não tem diversidade? "Cara, é GOVERNO, não formação dos Power Rangers ou Capitão Planeta".

O mundo não está a favor do impeachment? "Meu, o processo é TOTALMENTE legal. Além disso, essas publicações de esquerda tinham que ser mesmo puxa-saco da Dilma."

O Ministério da Cultura acabou? "É bom mesmo, afinal de contas eu estava cansado de ver MEU dinheiro sendo enfiado em apresentação idiota onde ator ficar cheirando o cu dos outros ..."

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Temer não necessariamente vai governar com os conservadores. No primeiro momento, entretanto, precisa do Congresso mais amarrado possível para consolidar o "impeachment" - e do apoio dos segmentos que o PT mais desprezou, porque não se governa um país sem apoio.

Dará certo? Não sei. Como todos, tenho direito a ter dúvidas - e receio se não vão jogar as conquistas sociais do período petista fora, junto com os defeitos do sistema.

Confesso, contudo, que dá gosto ver, pela primeira vez em muito tempo, um presidente bem assessorado, tomando as atitudes certas, nas horas certas.

Um verdadeiro político. Que Dilma nunca foi, nem quis ser.

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Que a sorte sorria, para o Brasil e para todos nós.

fps, 14/05/2016, 14:49


P. S.: Dizem que Temer já está cedendo, querendo colocar uma mulher na Secretaria da Cultura, independente do Ministério.

Primeiro: não é Secretaria Especial, logo, não será mais um ministro (ou ministra). Segundo: dificilmente uma mulher vinculada com a Cultura aceitará esse encargo, a não ser que seja mais uma indicação política - o que vai desagradar o pessoal que sempre viu essa pasta como seu feudo.

P. S. II: Nunca gostei do Serra, mas bater na turma bolivariana foi música para os ouvidos de quem exigia um país mais altivo com os "vizinhos encrenqueiros".

Se isso vai implicar em problemas com aliados estratégicos do país, é outro detalhe. A ver.

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