Preferi escrever o título assim, meio que "na lata", porque é o que um certo tipo de gente que defeca pelo teclado costuma pensar. Não tem outra forma, lamentavelmente, de descrever o ateu de rede social, essa espécie que destila sua raiva contra os evangélicos por eles terem conseguido boa fatia da população brasileira, de uma forma que só não é pior que a do indivíduo que torce descaradamente pela volta da Santa Inquisição e das fogueiras levantadas nos pelourinhos Brasil afora.
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Sendo objetivo: o protestantismo brasileiro não é revolucionário nem antirrevolucionário, muito pelo contrário (e, sim, é para rimar essa frase).
Não foi o reformado holandês ou o francês que conseguiu espaço para o Evangelho neste país, mas sim o pentecostal sueco-assembleiano e americano-neopentecostal, temperado com a "ousadia e alegria" das segundas e terceiras gerações dos missionários que vieram para cá. É um protestantismo alegre, solto, misturado, bem ao estilo de um povo que pega o mundo todo e bate no liquidificador, temperando-o com o amálgama luso-africano-indígena que faz da nossa cultura aquilo que ela é.
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A maioria dos brasileiros evangélicos não é neopentecostal, por sinal - não no sentido "estrito" da coisa: as maiores Igrejas brasileiras são pentecostais do estilo tradicional, e até bem pouco tempo atrás o problema maior estava naquelas que proibiam a prática do ludopédio (como a Congregação Cristã no Brasil - e não me pergunte quando isso começou, ou terminará, eu também não sei).
Se você falar com um dos jogadores evangélicos, por sinal, provavelmente vai ver que a maioria é batista, daquela estilo "parede preta", daquela que mima o membro investindo seu dízimo em bancos confortáveis, ar condicionado, cadeira de massagem - e pastores cuja mensagem é treinamento "coach" puro, o tempo todo. Não é errado - mas não é 100% Evangelho.
Quanto à maioria da população crente, a saber, a turma das congregações de Assembleias de Deus e portinhas de nomes esdrúxulos, esta... bem, esta só quer viver sua fé, ouvir aquilo que o pastor fala e esperar confiantemente em Deus, por tempos melhores para si e para os seus.
Não pela Seleção. Não por quem já tem demais na sua conta-corrente.
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O ranço de um certo tipo de boçal que saltita na internet é bastante explicável. Há um tipo de pessoa que cresceu junto com o politicamente correto lacrador e o progressismo intelectual: é aquele desprovido de bom senso que acredita que a religião é o mal dos males do mundo moderno, o motivo pelo qual tantos atrasos ocorrem em nossa sociedade, pelo qual não nos vacinamos e não permitimos o aborto, e pelo qual não tratamos viciados e bandidos como vítimas da sociedade cruel.
Sem generalizar, mas já colocando todos no mesmo balaio - é esse tipo de pessoa que toma coragem para escrever teorias que só fazem sentido para o seu grupo, a bolha de relações humanas que acha que deputado do PSOL é relevante e que Che Guevara era um cara de inclusão. Não entendem estes cidadãos que as Igrejas evangélicas exercem, no papel da sociedade brasileira, o papel que ONGs, associações e sindicatos jamais serão efetivamente: o de prestar serviço a uma sociedade que precisa de portos seguros nos quais as famílias podem - e devem - confiar.
Coisa que o baile funk e a escola de samba, por exemplo, nunca poderão ser efetivamente. Talvez o terreiro ou o centro espírita - que também são "igrejas", no sentido estrito da palavra.
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O protestantismo brasileiro é nosso. Um filé de frango à parmigiana, que só existe aqui - fruto do país que pega todas as tradições, amassa, junta à geleia geral que caracteriza o brasileiro mediano - e transforma em algo único, que não daria certo em outro lugar.
Mas que, aqui, funciona. É o que importa.
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P. S.: aliás, que fique bem claro: mentalidade de neopentecostal, pedindo bençãos o tempo todo, é filha dos pagadores de promessas e giras de Exu. Não é protestantismo - muito menos cristianismo.

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