25.10.26

Mesmo se ganhar, Lula perderá: pitacos sobre o iminente Waterloo petista

Pirro já dizia: há vitórias que custam muito caro - mas, ressalve-se, Lula não poderia deixar o Partido na mão depois de tantos "bom dia, presidente" defronte a prisão improvisada de Curitiba. Ele não fora libertado para ficar em casa, havia um Bolsonaro para ser derrubado e uma imagem a consolidar.

Quer dizer, ao menos era nisto que a trupe petista acreditava - e tudo começou dando certo, desde os embargos de declaração que fizeram de Zanin ministro até a excepcional promessa de que voltaríamos aos tempos de picanha e cervejinha dos Lula I e II.

Tudo muito bom, muito certo... até que o contexto (e a realidade) se impusessem ao grupo petista.

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O primeiro mandato de Lula foi uma surpresa agradável, de quem sabiamente dividiu o bolo crescido nos governos do PSDB para dar ao povo algo mais que migalhas do progresso brasileiro. O segundo foi salvo pela "gerente durona", que liberou o "barbudo" para ser político e organizou a casa de Lula II.

Resultado? O prêmio de ser a primeira "presidenta", grosserias, polêmicas, Mais Médicos, impeachment - e Temer, arrumando a bagunça do segundo governo Dilma e abrindo espaço para o despreparado Jair Bolsonaro, o "bobo da corte" que ousara dizer um dia que o rei estava nu.

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O governo do "mito" pode ser interpretado como um sonho ou um pesadelo: quatro anos de políticas liberais, sem contrapartidas em redução de gastos; um show de horrores durante a pandemia - no qual muitos dos erros de Bolsonaro obscureceram o papel de outros grupos no processo; mas, principalmente, um estilo de tratar as pessoas completamente sem noção, que lhe custou a reeleição.

Vergonhoso? Sim, ainda mais depois da prisão por "tentativa de golpe", essa estranha interpretação do ordenamento jurídico que permitiu que depredar patrimônio público e mandar fax com alternativas para a posse do novo-antigo presidente fosse tratado como possibilidade de insurreição armada. Arruaceiros foram presos por ser golpistas, tratados como exemplo por governo, elites e STF...

... e se tornaram o primeiro erro do Lula III: achar que a punição exemplar seria aplaudida pela sociedade. O "mito", na cadeia, virou mártir - atormentando o terceiro mandato da lenda petista.

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Bourbons. Não aprenderam nada, não esqueceram nada - e ainda querem impor sua versão dos fatos aos outros, como se as pessoas não tivessem cérebro para entender a realidade como ela é.

O terceiro mandato de Lula foi uma sucessão de erros: gastos excessivos, mostras constantes de deslumbramento, tentativas contínuas de reescrever a realidade por um governante calejado, que já deveria saber como o poder funciona, fora e dentro dele. Governo que fez tudo, menos o essencial: governar, fazer algo que realmente fosse visto como uma evolução pelo povo que elegeu. 

Sem tirar de si o carimbo indelével da mediocridade, de quem tinha obrigação de ter feito mais do que deveria, e contando com a falta de credibilidade dos decepcionados com a eleição de 2022, restou a Lula e aos seus irem para uma batalha na qual o resultado será ingrato: perder, mesmo que ganhe.

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Lula IV, caso ocorrer, será marcado pelo descrédito total. O "molusco" terá que cumprir com tudo o que prometeu, sabendo que não há dinheiro para honrar os compromissos já em 2028; será impossível controlar a arrogância de correligionários que não aprenderam com as derrotas do passado - e, mais importante, terá que lidar com o cansaço de quem deveria ter se aposentado somado aos novos abutres que, em seu nome, usam e abusam do poder, botando a conta nas costas do patriarca.

Se perder... será Waterloo.

P. S.: Lula ganhou, a abstenção mostrou que as pessoas tem medo de perder benefícios. Tem quatro anos para governar como se deve, e evitar o exílio no sítio de Atibaia (melhor que Santa Helena). 

Duvido que o faça, contudo.

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