25.7.05

Curiosidades da Idade Média

Um email velho, guardado num canto, pode revelar muita coisa interessante - vejam o que eu achei nos meus arquivos antigos, sobre a Idade Média:
 
"Naquele tempo a maioria casava-se no mês de junho (início do verão, para eles), porque, como tomavam o primeiro banho do ano em maio, em junho o cheiro ainda estava mais ou menos. Entretanto, como já começavam a exalar alguns "odores", as noivas tinham o costume de carregar buquês de flores junto ao corpo, para disfarçar. Daí termos em maio o "mês das noivas" e a origem do buquê explicadas. Os banhos eram tomados numa única tina, enorme, cheia de água quente. O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho na água limpa.

Depois, sem trocar a água, vinham os outros homens da casa, por ordem de idade, as mulheres, também por idade e, por fim, as crianças. Os bebês eram os últimos a tomar banho. Quando chegava a vez deles, a água da tina já estava tão suja que era possível perder um bebê lá dentro. É por isso que existe a expressão em inglês "don't throw the baby out with the bath water", ou seja, literalmente "não jogue fora o bebê junto com a água do banho", que hoje usamos para os mais apressadinhos...

Os telhados das casas não tinham forro e as madeiras que os sustentavam eram o melhor lugar para os animais se aquecerem; cães, gatos e outros animais de pequeno porte como ratos e besouros. Quando chovia, começavam as goteiras e os animais pulavam para o chão. Assim, a nossa expressão "está chovendo canivetes" tem o seu equivalente em inglês em "it's raining cats and dogs".Para não sujar as camas, inventaram uma espécie de cobertura, que se transformou no dossel.

Aqueles que tinham dinheiro possuíam pratos de estanho. Certos tipos de alimentos oxidavam o material, o que fazia com que muita gente morresse envenenada - lembremo- os que os hábitos higiênicos da época não eram lá grande coisa... Isso acontecia freqüentemente com os tomates, que, sendo ácidos, foram considerados, durante muito tempo, como venenosos. Os copos de estanho eram usados para beber cerveja ou uísque. Essa combinação, às vezes, deixava o indivíduo "no chão" (numa espécie de narcolepsia induzida pela bebida alcoólica e pelo óxido de estanho). Alguém que passasse pela rua poderia pensar que ele estava morto, portanto recolhia o corpo e preparava o enterro. O corpo era então colocado sobre a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília, comendo, bebendo e esperando para ver se o morto acordava ou não. Daí surgiu a vigília do caixão.

A Inglaterra é um país pequeno, e nem sempre houve espaço para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos tirados e encaminhados ao ossário, e o túmulo era utilizado para outro infeliz. Às vezes, ao abrir os caixões, percebiam que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo. Assim, surgiu a idéia de, ao fechar os caixões, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caixão e ficava amarrada num sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. Assim, ele seria "saved by the bell", ou "salvo pelo gongo", como usamos hoje..."

É, pois é ...

18.7.05

Miniconto:

Conto sem fim
 
... e pensava "era grande o desafio, mas teria que vencê-lo um dia mesmo" - aquele que jamais pensava que poderia chegar, mas chegou. E olhava para si mesmo, sem pensar nem um instante no passado que vivera, porque o presente agora era cheio de novas experiências, que ele jamais imaginara sonhar para si; ...

FPS, 18/07/05, 16:10

15.7.05

Religião da salada corporativa




Coca nossa que estás conosco agora,
dai-nos o direito à Pepsi de todo dia.
Dai-nos o LG da Panasonic,
e também a CG da Yamaha;
não retirai-nos o Gol da Fiat,
tampouco o Marea da Ford;
concedei-nos de graça uma Shell,
e, por bom preço, um XP.
Afastai-nos do mal do Linux,
e da porta de qualquer uma
das Casas Bahia.
Cedei-nos o Dolce & Gabanna,
e também o Gucci fino, e o Prada,
e retirai de nossa vida a quentinha,
antes que se torne fria.
Creio em vós, corporativo ser,
que nos deste todo o dinheiro e o poder.
Mas, se não nos deres,
ceda-nos um empréstimo,
que pagaremos,
em suaves prestações,
todos os dias,
até o fim de nossas vidas.
Que assim seja
(ou não, dependendo das ações em bolsa).

FPS, 15/07/2005, 15:44

5.7.05

Em tempos de crise, mensalões e que tais, vale a pena ver esse texto:

Vossa Excelência

- Vossa Excelência deve saber o valor da confiança que o povo depositou em suas mãos. Deve compreender que o poder deve ser exercido como mandam as boas normas da democracia, criadas há mais de dois mil e quinhentos anos e adotadas por quase todo o mundo como princípios fundamentais da liberdade que tanto queremos para nós e nossos filhos, e que se resumem na noção de ser a democracia o governo do povo, para o povo e pelo povo !!!.

Aplausos grandiosos enchem o salão nobre do Parlamento, e todos os olhares se dirigem, não ao preletor, considerado Defensor Perpétuo da Pátria e chefe de Estado único do País, mas a quem está sentado à sua direita, aquele que será o novo dirigente do País e que deverá suceder o preletor no comando da grande nação. Olhares de admiração contemplam o velho soberano, orgulhoso de suas virtudes e amado pelos seus, e outros tantos observam, calmamente, o futuro mandatário, que deverá ser tão querido e idolatrado quanto aquele que falava naquele momento.

- Vossa Excelência, em nossos anos de convivência, sempre provastes ser digno de tal honraria. Provou conseguir o apoio de seu povo, para chegar onde chegou. Em muitos anos de vida pública e privada, jamais vi homem que conseguisse tamanha aprovação em todos os cantos do nosso País, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, somente com seu próprio carisma

Mais aplausos completavam o ambiente festivo. Porém notava-se uma certa seriedade incomum no novo eleito, alguma coisa que destoava do ambiente - pois, naquele momento, o futuro líder olhava para os cantos, pensando consigo mesmo:

"Pois é, você chegou onde queria. Depois de tantas lutas, desilusões, fracassos, finalmente você venceu. Mas como foi duro chegar aqui! Primeiro, as prévias do partido, onde ninguém era de ninguém, e a gente tinha que conquistar os votos na raça. Ganhei, mas por pouco - e que suado! Depois, as eleições. Coisa difícil, correr atrás de eleitores, caciques políticos, apertar mãos, beijar pessoas. Fui acusado de tudo: safado, canalha, corrupto ... até estuprador e bicha! - e olha que foi tudo mentira, o que era verdade a gente manteve em sigilo, sigilo ABSOLUTO, pois não dava p´ra dizer nada. Quantos jantares, meu Deus! Quanta amolação, quantos tapinhas nas costas ... quanta falsidade"

Parou para respirar, mas continuou a pensar:

"E, no final das contas, aqui estou eu, pronto para vencer! O que virá depois? Serei mal-amado, maltratado, falarão mal de mim pelas costas, virão mais puxa-sacos, mais amolação ... e mais sujeira, e que sujeira"

Já nesse ponto, percebia-se na platéia que o grande homem suava frio. O que seria? Emoção? Luz dos holofotes? Talvez medo?

A platéia inquietava-se, e o homem pensava:

"Não sei se serei capaz de fazer isso. Não vou conseguir. Não vou ..."

- E assim, Vossa Excelência, só posso dizer-lhe uma coisa, agora que lhe passo os símbolos da Nação - que o futuro decida sobre seu destino, e que o povo decida sobre seu futuro!

Grandes aplausos, e iniciava-se a parte seguinte da cerimônia: a leitura da declaração de posse do novo governante. Após lê-la, o poder mudaria de mãos definitivamente. Não haveria chances de retorno, não haveria choros, não haveria nada - somente a mudança de poder.

O homem suava mais. Calafrios corriam por seu corpo, e sua mente pensava somente em uma coisa:

"Não vou ... não vou ... não sei se posso ... não vou ....".

Chega a hora. Levanta-se, vai ao posto de honra e começa a ler:

- Declaro.... declaro que .... declaro solene..mente....que ...

Nesse momento, tudo passa rapidamente por seu cérebro: desilusões, dinheiro, prestígio, poder, glória e um lugar na história. E conclui, sorrateiramente:

"Lutei tanto para chegar aqui, quis estar nesse momento aqui, e vou desistir? Não seria justo com o povo, com quem confiou em mim, me deu dinheiro, prestígio e votos, e principalmente, comigo mesmo! Vou aceitar essa honra de coração - há, há, ha"

E assim, enche o peito e diz:

- Declaro, solenemente, que aceito a vontade do povo que me elegeu para tão ilustre cargo deste País. Prometo lutar para que a democracia seja firme e sólida, e para que o nosso povo esteja sempre entre os grandes lugares da História. ASSIM EU JURO E CONFIRMO. DECLARE-SE! PROCLAME-SE! CUMPRA-SE !!!

Aplausos, gritos e saudações marcam o início de uma nova era. O novo líder olha para seu povo, olha para os que estão junto de si, olha para dentro de si mesmo ... e sorri, certo de que tudo aquilo que fez realmente era bom.

(escrito sob o pseudônimo de Omar Onahid Sirep, em 17/11/1995)


4.7.05

Sobre o blog


Tudo começou quando um rapaz que trabalhava na Escola Dominical de sua igreja foi desafiado por um presbítero (oficial leigo) a escrever uma devocional para o boletim da mesma; esse projeto de escritor (e que ainda se considera em projeto) escreveu não somente um, mas dois textos de fundo religioso, e uma pequena dissertação sobre as noções do amor próprias de quem tinha apenas 18 anos nas costas e muitos sonhos pela frente.

Tempos depois, desafiado por um colega nos primórdios das listas de discussão que pulavam internet brasileira afora, este mesmo rapaz saiu de um período sabático para reiniciar seu caminho percorrido pela escrita - e foi assim que se tornou um olho clínico expressando opiniões, pensamentos e conclusões e tentando aprimorar seu talento e mostrá-lo ao mundo que se abria diante dele; e que hoje apresenta aos que chegam a esse humilde local.

...

Tirando um pouco a parte póetica da coisa, foi um pouco com esse espírito que criei meu primeiro blog, chamado Olho Clínico (clique aqui para vê-lo), sendo que muita coisa rolou desde então; e, depois de escrever bastante, e publicar meus textos em diversos lugares, optei por unir meus antigos blogs em um espaço único, onde prosa, poesia e textos de opinião (entre outros) pudessem conviver de forma contínua, num verdadeiro cruzamento de pensamentos e idéias que sempre foi o espírito do que sinto e que transfiro ao que eu escrevo.

Esse é o espírito do TrashEtc - um lugar para ajudar a pensar em coisas que não se vê todo dia; para ver poesias e prosas antigas e novas desse que vos escreve, para ajudar a pensar um pouco mais sobre o mundo que nos cerca; e, claro, para também contribuir com suas opiniões e fatos, já que, acima de tudo, são as contradições e conflitos do mundo em que vivemos que são a sua verdadeira essência, no cruzamento do mundo de onde sempre se leva alguma coisa.

No cruzamento do mundo, um pouco de tudo - eis a imagem dessa encruzilhada que eu chamo, carinhosamente, de TrashEtc; sejam bemvindos.

fps, 14/08/2008, 21:05
Delitos comuns III
Panorama de um relacionamento que já começa do final


- Ah, não, Marcelô, pára, eu não quero, pára!!!

Já devia ser a n-ésima vez naquele ano, e sempre com o mesmo "script": beijinho p´ra cá, beijinho p´ra lá, beijo mais ardente com a língua roçando, e mexendo, e quando nosso amigo Marcelo (esse era seu nome) ia baixando as mãos, procurando roçar-se em algo mais do que a parte das costas dela ... sempre a mesma coisa: um "Ah, não, Marcelô, pára, não faz isso, eu não quero, pára ...".

Na primeira vez, foi aquele escarcéu e ela quase foi às vias de fato jurando terminar tudo: era menina direita e donzela segurando suas honras para aquele que virá a ser seu companheiro eterno - sim, elas ainda existem, embora isso seja mais raro que encontrar um gaiato que acredite no governo de plantão. Quando isso acontece, tem sempre na outra ponta um moço triscando os dentes e procurando outra oportunidade para fazer suas safadezas e aproveitar as doçuras calientes do contato dos rostos, corpos e do "et cetera" e tal, é lógico ...

Diga-se de passagem que nem sempre esses moços estão namorando pela safadeza em si (aliás, hoje em dia são raríssimos esses casos, até porque depois que inventaram outra natureza para o verbo "ficar" nem se precisa mais de "primeira vez" ou semelhante, nesse mundo que há muito deixou o romantismo de lado, frio mundo que continua cada vez mais vil ...); esse era o caso do coitado do Marcelo, rapaz que só queria mesmo o amor e o carinho da mulher que começou a namorar como quem não quer nada - e desse "não querer nada" acabou indo para um "te quero bem", que evoluiu para um "te amo demais" misturado com um "te gosto muito", e que acabou chegando na fase do "te quero tanto", que era a fase desse nosso amigo infeliz.

Quem está nessa fase ("te quero tanto") faz de tudo um pouco: corteja a família da moça, vai à reuniões de família, encara uma sogra ranzinza e um sogro distante (às vezes o contrário), torna-se o bom moço, compra presentes, encara até aquelas reuniões que ninguém gosta, com aqueles amigos chatos que você gostaria de detonar com um raio - e, enquanto isso, vê os colegas dando risinhos matreiros enquanto levam suas vidas de zorra, e se mira em outros, já mais comprometidos, ligados à mulher que amam em juras de amor eterno, que elas a-do-ram (prova de que a estratégia está dando certo, e de que "ser difícil" vale a pena, afinal).

...

E assim seguiu a vida de Marcelo: como tantos outros, depois de um tempo ele decidiu que não seria melhor esperar tanto tempo e resolveu fazer o que os homens fazem quando se sentem maduros e acham que encontraram a companhia ideal para o restante da vida (pelo menos, em tese, deveria ser assim) - emburrecer de vez, ou melhor, casar-se.

O casamento, em uma definição bem machista, sempre é uma festa maravilhosa para agradar a todo mundo, menos ao noivo; a noiva é quem brilha, os convidados é que aproveitam, mas ele no máximo vai se limitar a dizer "sim" e, se possível, comer algum cajuzinho que ficou - sem falar naquela história de vender pedaços de gravata, que quase sempre acaba justamente com aquela de seda italiana que, se brincasse, você levava consigo para o juízo final, tamanho o xodó dela.

Quando finalmente tudo termina, seguem para a lua-de-mel, mas nosso amigo Marcelo não é mais o mesmo; me parece que ele já se encheu dessa maratona toda - e isso desgasta, como não? - e, olhando a si mesmo no retrovisor do carro, vê não mais o Marcelo-moço, cheio de uma jovialidade que encantava, mas sim o "seu Marcelo", prevendo a cansativa destruição de si próprio em uma vida que lhe reservava tudo, menos a emoção que ele realmente queria, que era a de ter o proibido como gostoso, e não como obrigação, como lhe seriam os carinhos e carícias a partir daquele momento em que a sua namoradinha não mais era ela, mas sim sua esposa, sua mulher, que ele tanto desejara e que se tornara só sombra, só sombra, do que ele era de verdade.

E foi por isso que, quando ela de camisola sem nada por baixo se apresentara para a noite de núpcias, a fatal dos acompanhantes, chegando-se a ele de mansinho, foi que ele disse seu mote fatal, como um mantra de vingança:

- Ah, não, benzinho, pára, eu não quero, pára!!!

22/08/2000, 11:24

Para pensar - Peter Pan. (via romantizado)

Ela me disse que amar era sofrer, e eu olhei pra ela e disse que sofreria por ela. Peter Pan. (via romantizado) http://ift.tt/2j028rt via ...