25.10.05

Referendo: SIM, NÃO e os evangélicos - uma posição

Quando soube da vitória do NÃO eu ensaiei escrever uma avaliação sobre o que pode ficar de ensinamento sobre a vitória do NÃO sobre o SIM. Mas a vitória foi de certa forma tão acachapante que equivale dizer que o NÃO cala o SIM e por isso deveria se calar diante das evidências do que representou o NÃO.
 
Creio que não seria nem necessário dizer que o NÃO foi um não catalizado. Foi um não aos partidos de esquerda todos que fecharam questão pelo SIM, à exceção do PDT, mas em especial ao partido dos dólares na cueca, do mensalão, das mentiras, da frustração. Foi um não aos governos federal, e estaduais, também, e até aqueles municipais que têm às mãos um instrumento de combate à violência, que é a guarda municipal, e que têm se mostrado tão incompententes quanto o federal e os estaduais. Foi um não à liderança politica especifica de pessoas como José Serra (PSDB), Marco Maciel (PFL) etc e de um modo geral a toda a classe politica que demonstrou total dissintonia com o povo. E uma constatação: quanto mais "popular" e "democrático" que se diz o politico mais longe do que pensa o povo está!
 
Mas até quanto esse NÃO catalizado foi representativo? Creio que nem tanto assim como querem crer o pessoal do SIM, da Frente Brasil Sem Armas. Penso que foi determinante o NÃO à tentativa de retirada de um direito que a maioria da população considerou como legítimo: o da autodefesa e ponto.
 
Foram quase 60 milhões de pessoas que reconheceram o direito que hoje apenas 3% da população se vale dele, mas que todo esse povão reconhece que é algo legitimo, o direito universal de defender-se, ante à falência do Estado capturado por patrimonialistas de esquerda com no passado o foi por patrimonialistas de direita.
 
Não acho que todos esses 60 milhões tenham intenção de adquirir armas. Não foi esse o caso, mas o que se tem também diante deles foi uma situação que tiveram de escolher dentre duas proposta a que fosse menos ruim. E ganhou a sabedoria, a razão. Esse pessoal assim como eu entendemos que já que se reconhece uma necessidade e não dá para simplesmente negar o que é direito lídimo em face da necessidade, é melhor o comércio legalizado, regulado, fazendo valer a Lei do que os escaninhos oficiais ou o pior os descaminhos extra-oficiais.
 
Que culpa temos nõs por tentar-nos engabelar com uma proposta tola? E que o que podemos fazer ante simplesmente uma tentativa de empulhação, de enfiar goela abaixo o que fere a nossa consciência e o que sabemos ser inócuo: não desarmar os bandidos diretamente e sem subterfúgios?  
 
Agora que este resultado fique como ensinamento aos lideres religiosos cristãos do Brasil. Em especial os evangélicos. Ainda hoje estive visitando o site do SIM e revendo o "infeliz" Manifesto de Lideranças Evagélicas que trazia como titulo "Quem segue a Cristo diz SIM à vida". Pobre liderança evangélica! Aonde estamos e aonde vamos parar com essa liderança?
 
Quer dizer que não concorda conosco, com nossas teses não segue a Cristo? Por que não ter a minima humildade e pelo menos seguir as pisadas e apresentar "razões" por que quem segue a Cristo deve ter uma opção pela vida que não significa necessariamente abrir do direito à autodefesa. 
 
Há a evidência séria daquele velho ranço de que a depender disso ou daquilo os seguidores de Cristo estão um grau abaixo e outros acima, ou então que esses  que discordam de nós, nem seguidores de Cristo são. Isso simplesmente não funciona contra a testificação do Espirito e bom testemunho diante dos homens. É uma atitude somente faraisaica e tem mais tom beligerante do que de paz! Representa apenas o rompimento unilateral de diálogo. Indica que o assunto vem resolvido e imposto de cima pra baixo  Depois só resta dar o respaldo biblico e pronto. Fica encabelado o povo! E resta aos recalcitrantes sejam portanto alcançados como fruto da vigilia de três dias quando se bombadeiam os céus pedindo "para que espíritos belicosos sejam transformados, pela graça misericordiosa de Deus, em construtores ativos da paz."
 
Começa que esse slogan traz um truismo. Quem não diz SIM á vida? Ocorre que esse é o slogan de uma facção que defende a panacéia, ou o primeiro passo para a chegada dela,  da proibição do comércio de armas e munição. Somente isso. Nada mais do que isso. E somente o que isso representa e o que isso traz como consequência. Consequencia aliás prevesiveis! 
 
Então se quer dizer que quem não for de Cristo, aqueles que discordam de nós,  são os que apenas O honram de lábios mas o coração está longe d'Ele, estes votarão não à proibição do comércio de armas e munição e por isso dirão NÃO à vida?
 
Eu acho que contra essa visão aberrante deu para radiolinha deles também. De tanto quanto melhor que não tenham lá boa representativdiade mesmo!
 
Para mim me resta dizer: os lideres judaicos da época de Jesus tentaram e consiguiram jogar o povo contra Cristo. Esses lideres "evangélicos" tentaram jogar Cristo contra o povo e não conseguiram! Cristo não é contra quem defende o direito da defesa legitima e nem é favor de quem nega esse direito, pretextando direito à vida, para depois também defender o aborto como direito da mulher, do homossexual de casar com outro que tem o mesmo problema e por ai vai. Parafraseando Bavinck, Cristo não é contra nada e ninguém, exceto o pecado!
 
Muito bem feito. Agora repensem e da próxima vez, ante de nova proposta de ajuda no sentido de termos maior e melhor usufruto de um direito que o Deus da Criação nos outorga, ampliem a discussão, façam o debate. Creio que quem agiu corretamente foi a IPB e outras denominações históricas e pentecostais que não foram como maria-vai-com-as-outras atrás da liderança da Igreja Metodista e Luterana que mergulharam nessa campanha malfadada e aliciaram lideres evangélicos que agora podem colocar antes da designação de lideres um PSEUDO por foi isso o que deu para vocês.  
 
Só tenho a lamentar que hoje encontrei um dileto amigo meu, pastor, que estava triste e visivelmente contrariado com este resultado. Evocou o episódio de o povo mais uma vez ter escolhido errado entre Cristo e Barrabás, ficou com Barrabás. Mais uma vez coloca a questão nesses termos de que o povo, inclusive evangélicos, agiru contra Cristo e sua Lei do Amor. Repito é bobagem colocar Cristo contra o povo só por que os lideres religiosos assim como os lideres politicos não estão em sintonia com o pensamento e a necessidade do povo e inventam coisas definitivamente descabidas. 
 
Essas lideranças quando politicas não consultam suas bases e esses lideres religiosos não se permitem a um dialógo compeeensivo com parcela significativa da liderança evangélica, da liderança do  povão, quem realmente tira os projetos da gaveta, que por vezes pensa de modo muito diferente deles. Caminha com o povão! Apressadamente correm em falar em nome de toda a Igreja, como no caso da Metodista e Luterana, quando deveriam dizer em nomes próprios individuais.
 
Ademais e para arrematar deveriamosm continuar "en garde", ter cuidado, em não se deixar enrolar com algo e masi cuidade com os que não podendo nos enrolar, agem solertemente insistindo em nos julgar e arbitrar e quando desconsidera parcela de seu povo ou rebanho. tendo-os na conta de que não são de Cristo e como se fossem do Partido de Cristo. Duma próxima vê são mais felizes! Isso é muito feio e faz com que evoquermos a palavra de Paulo aos Colossenses 2:
 
"Tende cuidado, para que ninguém vos enrede com  filosofias e vãs sutilezas..." (8) que "ninguém vos julgue por causa da comida e da bebida..." (16) e que "ninguém seja arbrito entre vós a pretexto de..." (18)
 
Anamim Lopes Silva - Presbitero da IPB, apoiou o NÃO ao Referendo!!!  

P. S. (FPS3000): Com este email, publicado na lista cristaos-reformados@yahoogrupos.com.br e autorizado pelo autor, encerro minha divulgação de mensagens sobre o referendo; espero que a meia dúzia de passantes que leu este blog nos últimos dias possa ter se informado melhor a respeito e, ao menos por um tempo, discutido sobre esse assunto tão complexo que é a violência.
 
Mas é bom que se diga: o problema não é só do governo mas acima de tudo nosso; e a grande maioria dos crimes no Brasil ainda é feita por motivos idiotas; cabe a nós mudarmos essa tragédia cotidiana, independente de ter votado SIM ou NÃO.
 
Um mundo melhor, de paz e sem hipocrisias - esse é o desejo do Olho Clínico, após este referendo.
 
 

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