Poesia (beeeem antiga ...)

Considerações de um homem traído

Pode me chamar de corno manso.

Eu não ligo.

Eu não olho.

Eu não digo.

Eu não mudo.

Eu não sinto.

Eu não falo.

Eu não rio.

Eu não choro.

Pode me chamar do que quiser,
idiota, babão, canalha talvez,
pode me chamar de corno,
ou do que achar melhor
em sua inútil razão.

Acha que intimida
com tal tola ilusão
de querer, conhecida,
em sua imperfeição,
apenas destruir
um pobre coração,
que só quer de verdade
viver uma paixão,
procurar nessa vida
doce sensação,
de amar, e viver,
de sentir-se vitorioso,
de tornar-se, glorioso,
em um ser tão formoso,
em um ser tão raro,

que o medo e o horror
de ver, sem segredo,
que tudo o que viu,
e que ela odiou

ficou bem lá no fundo,
longe, no passado,
de quem, um dia,
disse que me amou.



Ligue-se na vida
como o mundo se liga em todos nós.

Pode me chamar de corno,
mas apenas se lembre
de que cornos só tem por companhia a meretrizes.

E me chamando disso
a única pessoa que sairá mal de tudo
será você.


Não eu.


FPS, 07/05/1996, 23:47

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