Ditabrandas e ditamoles

Já cheguei a postar no Olho Clínico, meu outro blog, mas com muito atraso falo da "ditabranda", forma pela qual a Folha de São Paulo se referiu ao regime militar de 64; seria desnecessário que escrevêssemos mais sobre o assunto, já que muito se escreveu sobre ele, mas como nunca é tarde para defendermos o óbvio e fatos como o pseudo-golpe em Honduras (que não deixa de ser um golpe, ainda que não haja "impeachment" naquele país), não deixa de ser interessante escrever novamente sobre esses fatos negros da História da América.

Aliás, não é de todo absurdo que ainda existam muitos que pensam na ditadura como uma coisa boa, afinal de contas o fato é que:
  • toda ditadura é branda para os que concordam com as atitudes do ditador;
  • toda ditadura é branda para os que se beneficiam dela;
  • toda ditadura é branda para os puxa-sacos, de quaisquer espécie;
  • toda ditadura é branda se não se tem uma mentalidade contestadora;
  • toda ditadura é branda quando não se viveu aquele período histórico de fato, ou quando a pessoa em questão não conviveu ou perdeu parentes pela liberdade (é o argumento dos combatentes dos direitos humanos, só que ao contrário).
Entretanto, vale lembrar o seguinte: toda ditadura é ditadura, sanguinária, violenta e patética, e a nossa só não foi sentida como ditadura porque os militares a disfarçaram muito, porque o Brasil é muito grande e porque o brasileiro é, acima de tudo, um pragmático - e pragmáticos em geral usam a teoria do Quico para resolver seus problemas mais complicados.

A teoria do Quico? Ora, é simples: "qui co tenho a ver com isso" ...

Comentários

  1. Oi Fábio!
    Eu adoro poesia assim, como a sua. É simples, mas profunda. Sou fã eterna do Mário Quintana, por exemplo, pela proeza de escrever tão democraticamente e ser, ao mesmo tempo, tão complexo. Ele não precisava florear tanto as palavras, tornar o verso inacessível a tantas pessoas, pra ser bom. Ele era bom pela engenhosidade, pela capacidade de mergulhar na alma humana e identificar seus sentimentos, angústias, buscas, prazeres. Ele entendia de gente e transformava o indizível em versos e crônicas. Genial!
    Eu também escrevo as minhas, engatinhando ainda nessa arte, mas que me serve de refúgio e salvação. Tem muito de nós nessas palavras Fábio, e quando nos lemos um bom tempo depois, nos conhecemos um pouco mais nessa incrível viagem íntima.
    Eu sempre leio seu blog, mas só agora tive sossego para comentar. Parabéns!
    Beijos

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