24.11.09

FIB vs PIB vs CIB (e outras coisas)

No blog do Noblat, matéria (que você pode ler clicando aqui) fala do Butão, país considerado o mais feliz do mundo segundo pesquisas recentes e que até inventou a medida da Felicidade Interna Bruta (FIB) para contrapor-se ao Produto Interno Bruto (PIB) e mostrar que a felicidade de um povo é mais importante que o dinheiro que ali está.

Ou seja, que uma boa FIB é melhor que um grande PIB.

Entretanto para os cristãos do Butão a situação é bem diferente, considerando-se que a liberdade religiosa nesse país era até bem pouco tempo extremamente restrita, e que, mesmo com a implantação de uma Constituição para o país em 2006, a situação não melhorou muito para os 11000 que seguem a Jesus Cristo naquele país.

Até bem pouco tempo o Butão estava entre os 10 piores lugares para se pregar o evangelho, conforme a classificação do Ministério Portas Abertas, que mede a intolerância contra os cristãos ao redor do mundo, uma espécie de indicador seguro do “Cristianismo Interno Bruto” (CIB) de um país, ou mesmo da liberdade de expressão e pensamento dentro de uma nação.

O que nos leva a perguntar: de que vale toda a FIB do mundo, quando, mesmo com PIB, um país não tem nenhum CIB?

Na mesma linha está todo o bafafá a respeito da visita de Ahmadinejad, com a direita chamando o presidente do Irã de ditador e a esquerda dizendo que Israel é que é o opressor da história - se bem que militarismo e democracia em Israel andam lado a lado desde que esse país nasceu (embora isso seja outra estória …).

O fato é que é interessante lembrar que existem no mundo várias categorias de ditadura ou de democracia, e até regimes que são qualificados como "semiditaduras" pois nela coexistem elementos ditatoriais e democráticos, que se mantém apesar do autoritarismo.

A Venezuela, por exemplo, é classificada dessa forma, pois há liberdade de expressão mesmo com o poder excessivo do Chavez - mas como a Constituição pode ser mudada a qualquer momento apenas pela vontade do presidente, consultada pelo povo, não há garantias de regras consistentes para o jogo político (o que deixa dúvidas se o país é uma democracia ou não).

Se há dúvidas se a Venezuela é uma ditadura, o mesmo não pode se dizer do Irã, que mais parece uma Igreja quanto à sua organização já que lá os leigos mandam na Administração mas os pastores (ou religiosos) é que dão a última palavra sob assuntos de Estado; Ahmadinejad, nesse caso, seria um governante eleito democraticamente, o que não deixa de ser verdade, mas sob um “Poder Moderador” de teólogos, o que, hoje, é coisa de ditadura.

Dá pra entender tudo isso? Eu até acho que dá; mas que é difícil, é.

Uma que é ditadura com certeza, no entanto, é a China, o maior exemplo de governo autoritário hoje em dia.

E de uma certa forma vitorioso, porque, bem, porque funciona: o Partido Comunista age de fato como uma empresa que governa o Estado, deixando aos cidadãos a tarefa de cuidar de suas vidas e garantindo a tigelinha de arroz mínima para os que nada tem – e, num país que nunca foi democrático, foi fácil aos comunistas assumir o papel dos mandarins que usufruiam o poder a mando do imperador em cima do povo, e que acostumou-se a confiar cegamente nas ordens que vem de quem manda, por causa do confucionismo e coisa e tal.

Mas e outros valores, como, por exemplo, a liberdade?

Ah, mas como diriam alguns por aí: quem se importa?

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