26.11.09

Poesia

Conselhos a uma humilde cortesã


Quem é esta,
que sai às ruas,
à cata de homens,
procurando dinheiro,
buscando o amor?

Quem é esta,
que a todos atende,
ilusão desses moços,
sem choro nem dor?

Quem é esta, que a vida
deixou na sarjeta,
impura, maldita,
sem nenhum valor?

Quem é esta, que chora,
sozinha, num canto,
sem ter mais amigos,
nenhuma emoção?

Quem és tu, cortesã,
que os homens procuram,
e usam e jogam
com sua beleza,
seu corpo sofrido,
seu rosto caído,
sua boca pequena,
sua reles pobreza,
de mulher de ilusão?

És tu, cortesã,
que ilumina meus sonhos,
e me traz as dores,
de tudo, enfim.

Vais tu, cortesã,
cortejar outros homens,
poupar-me de tudo,
pois sabes no fundo,
o que sentes por mim.

Mas, vil cortesã,
não posso dizer,
mas de tudo fazer,
vejo em seu coração,

Uma estória escondida,
uma dor tão sofrida,
e a vontade de amar
que traz junto de si,
como imenso vulcão.

Fiel cortesã,
não se escondas no mundo,
pois ele passou.

Procure o aconchego,
ajuda a ti mesma,
cuida do que ficou.

Não importa a ninguém
que saibam o que você já sentiu.

Importa que te respeitem,
e que fique no escuro
o que já se viu.

Ainda encontrarás a felicidade, se a procurares no fundo do seu coração.



fps

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