A Nova Marginal e como entender São Paulo

No blog Com Fel e Limão, no CicloBR e em trocentos outros lugares ocorre uma discussão interessante sobre a Nova Marginal do Serra e os efeitos nefastos que ela deve provocar no rio Tietê, na Marginal em si e na própria vida dos paulistanos.


Quase sempre a discussão sobre essa obra é vista pelo lado negativo, considerando0-se que a cidade precisa mesmo de mais ciclovias, melhor distribuição de transportes públicos, e outras coisas que sempre são lembradas (mas nunca efetuadas) quando ocorre uma obra desse porte. Entretanto vale a pena lembrar que a população é que acaba dando a palavra final sobre a grande maioria dessas intervenções, ou seja, se não fosse por seu apoio Serra, Kassab e Cia. Ltda. dificilmente fariam uma obra desse porte.


E o fato mais relevante é o seguinte: a tão decantada classe média paulistana, do qual pouco tem se falado ultimamente, aceita passivamente qualquer intervenção na cidade que lhe permita usar o carro do jeito que gosta, e no fundo despreza profundamente qualquer tipo de mudança no seu “way of life”, a saber, aquele em que as pessoas moram em bairros distantes do centro e vão para o seu trabalho todo o dia, usando o mesmo tipo de transporte, porque lhes agrada ou, melhor ainda, porque lhes convém.


É por esses e outros motivos que não vemos bicicletários nas estações de trem e metrô com a intensidade maior de uma propaganda da Porto Seguro, ou pelo mesmo motivo cidadãos preocupados com a sustentabilidade ficam cada vez mais irados enquanto a cidade se enche de arranha-céus e projeta uma obra que no fundo é uma gambiarra para o caso de não ser aprovado o arco norte do Rodoanel (aquele cujo melhor caminho é justamente em cima da Serra da Mantiqueira).


E pelo mesmo motivo é que perde-se muito tempo escrevendo sobre o que deveria ser feito em São Paulo para torná-la uma cidade melhor quando, na verdade, deveríamos estar nos perguntando porque o povo dessa cidade tão relevante para o país insiste em tratá-la de forma tão desleixada, ou melhor, porque ele QUER que a cidade seja do jeito que é.


Ou será que eu estou errado, como diria o Datena?


...


Em tempo: do blog do André Kenji, um excelente comentário sobre a corrupção nos municípios, aqui.

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