12.6.14

#vaitercopa ... mas ... poderia ser diferente?

Cosme Rimoli dá o "n´ésimo depoimento a respeito de como o Brasil está desperdiçando dinheiro com a Copa do Mundo, como poderia ser diferente, e outros aspectos que sempre são levados em conta pelos defensores de um "Brasil ideal" que povoa as redações de jornais e revistas, e a cabeça da classe média mundo afora - a de um país perfeito, mas que não se sustenta quando entra em contato com a realidade. 

Esse escriba tentou retrucar ao cronista esportivo, mas sabe que às vezes os "posts" em blogs se perdem no tempo (ou não são autorizados) - e, por isso, escreve aqui o que seria uma resposta, não só a ele, mas a todos os que achavam que a organização da Copa 2014 poderia ser diferente do que foi.

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"Complicado ...

Um órgão centralizador poderia ter resolvido todos os problemas de gestão que ocorreram na Copa?

Talvez, mas o Brasil, embora muitos duvidem, é uma federação: teríamos que mudar toda a legislação para que o Comitê Organizador da Copa mandasse em todos os níveis do governo, da União até os municípios, sempre pelo "bem maior", a realização da Copa. Seria o pretexto ideal para mexer até mesmo com a Constituição, e rasgar a forma de Estado vigente no Brasil completamente.

O que me leva a perguntar: se até o fato de acarajé não estar sendo servido na Fonte Nova vira motivo para preservar a soberania nacional, quanto mais uma barbaridade como "centralizar as decisões da Copa"?

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Doze sedes é muito? Sim, mas seis seria inviável, e oito seria muito pouco.

E, se quer saber, São Paulo é mais desperdício como sede do que Brasília, que é a capital do país. Aqui não precisava ser a abertura da Copa (Tóquio não foi nem sede em 2012), e só foi porque os paulistas impuseram isso - e com muito prejuízo para os negócios locais, por sinal.

Pela minha lógica peculiar, tirava São Paulo e Recife (que desprezaram os estádios) como sedes da Copa, trocava Manaus e Cuiabá por Belém e Campo Grande. E só.

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Os investimentos nos estádios foram muito grandes? Tá, isso é verdade ... mas há outro fato, bem cruel, do qual não podemos escapar: nossos estádios eram (e ainda são) um LIXO, e só estão sendo mais caros porque não se optou por derrubar muitos deles para construir outros.

Foi mais barato construir o Itaquerão do que derrubar (ou reformar) o Morumbi.
Foi melhor ter demolido a Fonte Nova, e construído um estádio novo no lugar.

Mas alguém, dotado de sã consciência, teria coragem de mandar demolir o Maracanã?

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As obras de mobilidade não saíram? 

Em termos. 

A maioria está saindo, e estará terminada para a população; mas só não estão concluídas a tempo porque a fiscalização está sendo efetiva, até demais da conta (como no caso de Cuiabá, que queria vai engolir um VLT porque alguns acharam que era desperdício ter metrô por lá). 

Fosse tudo enfiado no RDC, sairia rápido (e, com certeza, bem mais caro).

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Em tempo: trem, no Brasil, é inviável. Acostumem-se a isso.

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Finalmente: as manifestações aconteceram?

Correto. Foi bom, aliás, ver o povo sair às ruas defendendo ... "sei lá o quê". Mas, veja bem, além da da PEC 37, que outros resultados elas deram? 

As jornadas de julho foram insuficientes para gerar a revolução desejada por aqueles que só saíram às ruas enquanto as férias não começavam, e porque não estavam organizados em torno de ideias verdadeiras. O MPL ganhou a tarifa zero, mas só para que depois as greves de ônibus e metrô mostrassem que sistemas privatizados não pagam o almoço grátis de ninguém. Os black blocs, fruto dessa "galera bonita que foi às ruas revolucionar não sei o quê", geraram mais tumulto do que satisfação, e o #naovaitercopa virou, no frigir dos ovos, mais um sonho de uma noite de verão do que uma realidade consumada.

E, no final, quem foi às ruas mesmo foram os sindicatos e o MTST, para defender causas reais, do dia-a-dia, para ganhar ou perder. Mas para lutar, de verdade, pelo que eles querem.

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Me pergunto como seria a Copa ideal que a imprensa e os que a combateram defendia. 

Num Morumbi "arrumadinho", Arena da Baixada incompleta, outros estádios conservados como museus, oito sedes concentradas no Sul-Sudeste (esquecendo-se de que o Brasil também existe acima da Bahia), com um politicamente incorretíssimo saci fumante como mascote, e com um monte de falsificações que atropelassem os patrocinadores da FIFA e consagrassem o "nas coxas" como o legítimo modelo brasileiro.

Não funcionaria. 

Aliás, se fosse para ser assim, nem valia a pena ter Copa - por mais que gente como o pessoal da Boitempo e outros nacionalistas de plantão pensassem o contrário.

Isso porque é fácil falar que o Brasil não seria digno de fazer uma Copa, ou que era melhor que não tivesse acontecido. 

Difícil é imaginar que seria melhor do jeito que alguns achavam que ela deveria ter sido."

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Esse texto começou simplesmente como a resposta a um "post" num "blog", mas ganhou corpo e alma de post para o TrashEtc!. Bem que esse escriba gostaria de ter escrito isso antes - mas, como dizem por aí, "não adianta perder tempo com quem não vai concordar com você nunca".

Fica, portanto, como um desabafo - de quem sabe que, no fundo, não poderia ter sido diferente; de quem acredita que o Brasil é melhor do que as pessoas que organizam tais eventos, e também muito melhor do que aqueles que os criticam sem saber como as coisas funcionam; de quem acredita em seu país e sabe que não é fácil fazer o mundo olhar para esse país; e de quem tem fé de que, no final, tudo dará certo.

Essa é a Copa 2014 que faremos. 

A Copa NO Brasil. E a Copa DO Brasil.

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