Antes #anti do que arrogante …

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Cosme Rimoli, no seu blog, cita um dos supostos efeitos do Corinthians bicampeão mundial, o de se tornar hegemônico no Brasil com o apoio da Globo e da CBF, e que, reforçado por uma pesquisa do Datafolha, que comprova a vocação do “Timão” para equipe nacional, mostra que o caminho corinthiano é brilhante de agora para a frente.

Aliás, o dia hoje foi de babar ovo em cima de uma associação que, enfim, encontrou uma diretoria que conseguisse ser eficiente o bastante para criar um marketing que vende até pedra para a Fiel Torcida. Méritos para eles, aliás: o São Paulo está muito atrás nesse quesito, bem como tantos outros clubes que viveram bem mais para seu umbigo do que para o mercado externo.

Eu só não consigo entender uma coisa. O conceito de #anti.

Ou não conseguia, pois Washington Olivetto, no texto do Rimoli, fez uma explicação que soaria para um não-corinthiano como um verdadeiro tapa na cara.

"O Corinthians vende.

É um fenômeno porque tem duas torcidas organizadas fortíssimas.

A a favor do clube e a que torce fervorosamente contra.

As duas consomem, querem acompanhar tudo envolvendo o clube.

Lógico que os patrocinadores percebem.

E o ciclo não termina.

O Corinthians chama mais atenção, vende mais, recebe mais.

Segue indefinidamente..."

Pensava que era são-paulino porque tinha visto os “Menudos do Morumbi” jogar, e porque, constatado que o SPFC era o time daqueles que discutiam pouco e que não sofriam tanto por um time, seria a escolha mais racional do cidadão que vos escreve. 

Mas agora caiu a ficha: na cabeça do marketing de alguns corinthianos, eu sou um anti.

Um cidadão que não gosta do Corinthians, que sente raiva de um time que foi feito para brilhar, da sua torcida, sofredora e fiel, que leva o time até o fim e que enche estádios para apoiar o seu clube.

Eu sou um anti, gente. Eu não gosto do meu time, eu o apoio para não estar ao lado o glorioso Timão, o “Todo-Poderoso”, o “Almighty”.

Que … que … que raciocínio idiota.

Dá para entender esse pensamento dos marqueteiros de plantão.

Dá para compreender isso, porque a segunda maior torcida do Brasil, primeira no maior e mais rico Estado da Federação, e com potencial de penetração em todo o país, consiga desenvolver essa estratégia mesquinha.

O que não dá para entender é como eu, e outros torcedores, conseguimos aceitar passivamente tal afirmação, a de que somos tratados como ralé pelos que só tem olhos para o potencial de Corinthians e Flamengo como torcidas de respeito.

É mesquinho, sem dúvida. E mais mesquinho pelos dramas que a Fiel passou para chegar até o sucesso coroado no Japão.

A primeira vez em que ouvi o coro do bando de loucos senti um arrepio. E isso porque o coro da torcida era um grito de quem era verdadeiramente apaixonado por um time, na desgraça e na vitória, de quem nunca abandonaria seu time, por todos os caminhos em que fosse obrigado a andar.

Porque, ainda que fosse pelo “vale das sombras da morte” da Série B, não o deixaria.

Como não o deixou. Como conduziu-o ao sucesso.

Mas que, Deus do céu, foi por eles, corinthianos, pela sua vitória.

Não contra os outros, e seus títulos.

Não contra os anti.

Falo por mim: não me interessa se a Copa Toyota é intercontinental ou mundial, nem o status que a FIFA dá a esse torneio. O que me interessa é que, num um tempo em que os clubes paulistas só olhavam para os limites do seu Estado, um time ousou se reinventar, depois de um dos maiores vexames de sua história.

A queda para uma segunda divisão. Do Paulista, hoje série A2.

Mas que foi aproveitada, por um time que conquistou, na sequência, Paulista, Brasileiro e duas Libertadores, mais seus respectivos Mundiais.

E daí que são intercontinentais? Querem o da FIFA, nós temos um também.

Mas não vamos jogar fora os títulos que ganhamos contra Barcelona e Milan, conquistados de forma estupenda, no mesmo Japão.

Porque a luta para chegar a Tóquio começou lá. Em 92. E se o “Todo-Poderoso” buscou um título mundial, foi porque alguém, lá atrás, começou uma jornada vitoriosa.

Quanto o torneio ainda era de um jogo só.

E não precisou dizer que era “contra tudo nem contra todos” para obtê-la …

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