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Mostrando postagens de Janeiro, 2013

Prosa

Na torre
Era um rapaz meio assim, meio assado, tímido, quieto, recatado - talvez até demais para o gosto dos outros. 
Não tinha um grande físico, não era muito bonito, usava óculos e estava acima do peso - enfim, não era lá grande coisa. 
Mas naquele dia, não se sabe porque, estava inquieto. 
Não parava no lugar, não queria conversa com ninguém, não falava e, quando perguntavam o que acontecia, apenas respondia um singelo: “não sei”. 
Foi assim, até o fim do dia.
... Saiu, lá pelas sete da noite, foi até o estacionamento, pegou o carro ... Não estava a fim de voltar para casa - fazer o quê por lá?; não queria enrolar mais no serviço,  embora tivesse coisas a fazer; tinha problemas para resolver. 
Mas ah!, isso, deixa p´ra mais tarde.
Não queria saber de nada - queria mesmo era espairecer a cabeça, dirigir um pouco, relaxar - apesar de que relaxar, às sete horas, no trânsito louco de São Paulo, era realmente coisa difícil de se pensar. 
Mas, assim mesmo, foi. Brigadeiro, Paulista, Ibirapuera, volt…

Prosa

Carta a um antigo colega, sobre o duplo sentido do ser(São Paulo, 07 / 10 / 96 - 17h26min)“Lancome, estive pensando seriamente sobre a dubiedade da vida. Esse assunto, que intriga os cientistas, fascina os filósofos e apaixona os teólogos, tem transformado pessoas e seres no decorrer dos tempos. Comigo também não seria diferente, e lhe direi o porque.Meu caro Lancome, muitos acham que vivi minha vida da maneira mais simples possível, e que sempre fui esse homem gentil e educado que hoje lhe fala, e que transforma o meio em que vive, dotando-o de um grande astral, que é, afinal, o que faz com que o mundo gire, e que transforma a todos que o cercam em infinitas peças desse tabuleiro colossal chamado universo. No entanto, quero que saiba que nem sempre eu fui assim, metido a sabido, seguro de mim, querendo simplesmente fazer de minh´alma um catalisador das profundas certezas existentes no ser.Já vivi muito mais do que pensas, Lancome. Quando jovem, sentia em meu ser toda a fúria de um ga…

Poesia: Id, ego e superego

Tenho dentro de mim três focos, três focos aqui tenho eu: descrevê-los difícil é mesmo, tarefa só p´ra Zebedeu, que no mundo se escafedeu. Um deles não tem compostura, o outro é somente doçura, o terceiro é pura incoerência, pois são frutos de uma demência, loucura de cada um de nós. Loucura? Pois sim, porque não, teria a alma um coração? Seria tão fácil encontrá-los, não fosse difícil achá-los ouvi-los, seus nomes, sua voz. É fácil falar do primeiro: um é ambicioso, aguerrido, meu ego, um tanto sofrido; não é satisfeito com a vida que leva assim. Agora vamos ao segundo: um homem soturno, profundo, conservador ao extremo, cercado de puro veneno; superego, sem fogo, sem mel. Finalmente, cá está o meu id: que não se controla, qual vento qual mola encanta, desperta, seduz, mas é perigoso qual fel. Louco ou chanfra, luscofusco, cá estão eles, ao acaso, sem nenhum vento no espaço são eles o que eu já sou. Foi o tempo que os criou; mas se o tempo é um algoz, e a vida, o aprendizado, Quem sabe não serão eles parte forte do que s…

Poesia

em que nos transformamos? meu Deus, meu Deus do céu, o que viramos? de homens, em trapos, inanimados. de humanos, em lixo. seres estáticos, anestesiados, dopados pelo medo. em sonhos, imaginamo-nos portadores de um glorioso passado. mas hoje só trememos. e não é de frio. que foi? não fui eu. que é? sei lá, não tenho idéia. não criei esse mito, não fiz esse mal; mas convivo com ele, e bebo seu fel. diariamente. fps, 08/01/2012, 20:59

Antecipando-se à data ...

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... que o Ano Novo que chega seja repleto de coisas novas, bons sentimentos e, principalmente, muita alegria.