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Mostrando postagens de Março, 2014

O filósofo e a mesa da ditadura

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Perguntaram ao filósofo, do alto de sua sabedoria, qual era a diferença entre a democracia e a ditadura. 
Este parou, fitou o horizonte por alguns minutos; depois, tomou mais um gole da vodka que estava bebericando. Arrumou a gravata, levantou-se solene e passou a contar-lhes mais uma das parábolas que, vez ou outra, aquele bar se acostumar a ouvir entre um gole e outro de cerveja:
"Em uma casa de família o jantar de domingo é servido. 
Cinco são as cadeiras da mesa que visualizamos: a cabeceira é do pai, que, sisudo, aprecia em paz sua refeição domingueira. 
A mãe, sentada à direita do patriarca, estende ao filho mais velho um prato, que o recebe, silenciosamente; este, que está à esquerda do pai e de frente para a mãe, se veste com camisa sóbria, de mangas compridas, e calça social, bem apropriada para a ocasião.
Ao lado da mãe, uma formosa menina, de vestido bem largo e tranças, toma sua sopa sem fazer barulho. A cadeira ao lado do mais velho se encontra vazia, mas os pratos …

Prosa: O desafio de escrever um poema

O desafio de escrever um poema
“O real caiu / o dólar subiu / recessão se instala entre nós o povo sorriu / o homem cresceu / aniquilando a todos nós ...”
Que nhaca! , pensava eu naquela manhã cinza de setembro, em que o céu chuvoso fazia crer que nada de especial apareceria para encher meus olhos de contentamento. Mas, bem, era um dia chuvoso, como já disse, e, sem nada p´ra fazer além de encher-me de pálida paciência e olhar o mundo cão à minha volta, pensava no que escrever naquele dia horrível, em que nada parecia dar tão certo como deveria ...
“Ah, que saudades eu tenho / Da casa que jamais eu via Do tempo que eu jamais tive / Da vida que nunca vivia ...”
Parecia mais chato ainda, aqueles versinhos tão chochos que eram indignos da imaginação que um homem como eu sempre tive. Parecia um tédio, um tédio infinito, daqueles que nada valiam, e que não tinha muita idéia de como terminariam. Bem, bem, voltemos ao texto - se é que ele vai sair ...
“Nos meus tempos de playboy / Ah, como isso res…

Prosa: O dia da renúncia

O dia da renúncia Decidiu - no dia seguinte, 8 de março, abandonaria tudo, tudo mesmo. Era Dia Internacional da Mulher, o dia dela, dela e de tantas outras, portanto que se virassem os que dependiam dela porque ela ia mesmo era à festa, mulher que 364 dias passa correndo para cuidar de marido e filhos, e nada pra ela. Então, bem de manhãzinha, ela saiu. Saiu pelos shoppings, e pelas ruas, e pelos lugares onde o dia chegava, o Dia da MULHER. Mas percebeu um negócio intrigante: em todas as propagandas, em todos os lares, por todos os lados, não se viam mulheres sozinhas, independentes e donas de si. Mesmo a independente cuida de seu corpo para conquistar os homens e invejar as outras, e o sabão em pó vende para mulheres que cuidam de sua casa; as mulheres não estavam sozinhas, estavam com seus maridos, amigos, namorados, com os homens que criticavam tanto nos outros dias e mesmo nesse também faziam - percebeu que até a notícia era requentada, e, ao ver os homens sozinhos fazendo …

Poesia, de carnaval

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pierrô apaixonado anda pelas ruas
enamorado de uma colombina  que não olha seu sofrer.
e se ele não existisse?
ela voltaria para sua casa, sua vida,  e ficaria em paz.
em paz com seus múltiplos sonhos, seus passos, ruídos, batidas na porta.
num toc-toc-toc incessante e insano.
ela voltaria para seus bebês, seus meninos, seus sonhos.
seu mundo.
que não é o dele. por mais que insista em querer fazê-lo seu.
pierrô apaixonado anda pelas ruas
ele existe. e é real.
fps, 03/03/2014, 00:36