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Mostrando postagens de Setembro, 2005

Aviso aos navegantes - de novo !!!

Esse blog tem trabalhado até agora com diferentes tipos de posts: de textos literários à comentários sobre TV, passando por situações do cotidiano e até comentários sobre política - mas penso em dividí-lo em outros pedaços, para poder fazer uma propaganda melhor e evitar expulsões por spams, comentários do tipo "não entendi" e coisas do gênero. O que acham os nossos amigos? Comentem, respondam, dêem seu alô, por favor ...

De olho na TV: Golias e o "estereótipo do paulistano"

Morreu Ronald Golias, e este blog, sempre atrasado mas em tempo, fala sobre essa passagem, das mais sentidas dentro da TV ultimamente - e de forma proporcional à importância que o humorista teve na telinha brasileira, principalmente na época da lenha e que se vê até hoje presente, quando imaginamos que Silvio Santos, Hebe Camargo e outros já viraram patrimônios da cultura brasileira de massas, muito estudada mas pouco compreendida, pela falta de empenho em se conhecê-la. Golias era o único humorista que conheço que conseguia fazer um trabalho dos mais difíceis, o de estereotipar o habitante de São Paulo, com seus defeitos, virtudes e incorreções, e os tipos humanos que sobrevivem e que são gerados na terra paulistana; e, convenhamos, está para nascer quem consiga fazer um tipo paulistano de humor melhor do que ele. Carlo Bronco, por exemplo, é a melhor definição do que seria um malandro paulistano - quer dizer, é aquele que sobrevive às custas da família de posses e que ba…

De olho em várias coisas: minha nova-velha habilitação e o Dia sem Carro

Sexta-feira, finalmente, consegui novamente o direito de dirigir. Antes, porém, aviso aos navegantes: não sou mau motorista, não dirijo de forma rude nem fiquei alguns meses com a carta suspensa - só tive o azar, ou sorte, de ter nascido em 6 de setembro, um dia depois de entrar em vigor em São Paulo a regra dos cursos de renovação de carteira do Novo Código de Trânsito. Por essa nova exigência, passei o final das minhas férias assistindo às 15 horas de curso meio que obrigatórias que o DETRAN prescreve aos que expiraram a carteira e aprenderam a dirigir antes de 1998, época em que ainda não existiam suspensões de carteira, cursos de reciclagem e pontuações para as barbeiragens - e em que novos motoristas não eram obrigados a passar 30 horas aprendendo primeiros socorros, mecânica e as formas possíveis de direção defensiva, sem falar nas 15 aulas de volante e na carteira provisória de 1 ano. Aprendi, com essa experiência, muitas coisas - a saber: que é extremamente cansati…

De olho no passado: Casados e Solteiros, leiam, please

Casados X SolteirosEm todo lugar que vivemos (seja o trabalho, a escola, a rua e outras "associações" de que fazemos parte no nosso dia-a-dia) sempre surge uma oportunidade para se praticar aquele que é o esporte-paixão-nacional do Brasil, ou seja, o nosso amado futebolzinho de cada dia. E, quando se vai "jogar bola", sempre existem as combinações mais loucas possíveis, do tipo: "homens contra mulheres", "meninos contra ‘meninas’" (os do outro lado vestidos de mulher), "setor A contra setor B", "rua de baixo contra rua de cima" e - geralmente em empresas, com muitas pessoas de diferentes idades - o clássico dos clássicos das "peladas" de campo, que é simplesmente o conhecido, difamado e propagado "casados X solteiros". Digo isso porque a escalação das equipes é a única que não obedece a critérios sociais, ou políticos, ou econômicos, ou mesmo no trato como a bola, mas a um simples critério pess…

Descobertas

Descobertas (por Fábio Peres) - Foi bom pra você, não foi? - Foi ... mas o que é que foi mesmo? - Sei lá, só sei que é assim que ele falou. - Mas foi bom, o quê? - Eu não sei, não sou eu quem disse isso, foi ele quem disse pra ela ... - É, mas o que é que ela disse? - Nada. - Nada? - É, nada. - Nada mesmo? - É ... só chegou assim, do lado dele, foi estranho ... - Estranho? - É, estranho ... até porque ela ´tava gemendo um pouco antes. - Gemendo? Me explica esse negócio direito ... - Como assim? - É ... não sei, não dá pra explicar ... eu não vi nada, ´tava fora do quarto ... - Então você não viu? - É, não vi ... - E como é que vai saber se foi bom ou não? - Eu não sei ... - Ah, você não sabe nada, mesmo! - Você é que não sabe! - Você é que não! - Eu é que vou te mostrar o que é que ele fez  ... - Ah, não, não vai mostrar nada não hmmmmmmfffffffff.... - ... - ... - Foi bom pra você? - Não sei, preciso conferir uma coisa. - Que coihmmmmmmm ... 12/11/03, 10:31

Sabor de ti

O suor confunde os corpos, e faz com que o pecado tenha o sabor de uma maçã da qual a gente mesmo faz o gosto. Este sabor, azedo, mas doce, como os fluidos que saem das maçãs envenenadas pela serpente; e, sobretudo, gostoso como percorrer teu corpo, sentir o constante sabor de tua pele, teu ritmo acelerado e todo o contexto do restante de suas entradas, suas saídas, seus gritos, seus gostos; este sabor, penetrante e profundo, ele é que me compensa, pelo sofrimento, dissabores, correrias, medos, pelas noites mal-dormidas e dias mal-passados, pela vida e pela falta dela - por tudo, enfim. O suor, o sabor, o colorido de uma vida - ah, meu Deus; esse é o sabor que compensa tudo, o sabor, minha doce sapoti ... Sabor de ti. FPS, 24/09/2005, 14:58

Samba do NedStat I

Tive um sonho doido, muito doido. Sonhei que vinte noivas de cinta-liga tomavam banho junto comigo, mas sem tirar a calcinha. Uma delas, percebendo que eu não a olhava no olho, foi atrás de mim e me falou que na terra dela, nos Países Baixos, não se fazia isso, mas que nos Emirados Árabes se fazia sim, e em Porkópolis também. Acordei quando minha esposa me chamou, esperando-me com uma vitamina de banana-prata. Esse texto contém palavras retiradas das estatísticas deste blog; graças à combinações como estas é que alguns de vocês chegaram aqui.

Uma reflexão sobre os bons conselhos

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Não te aconselhes com aquele que te arma um laço. Esconde tuas intenções àqueles que te têm inveja. Todo conselheiro dá sua opinião, mas há conselheiros que só têm em vista o próprio interesse. Estejas prevenido quando tratar-se de um conselheiro; informa-te primeiro quais são os seus interesses, pois ele pensa em si mesmo antes de tudo. Teme que ele plante uma estaca no solo e te diga: Estás no bom caminho, enquanto se põe defronte para ver o que te acontecerá. Vai consultar um homem sem religião sobre as coisas santas; um injusto sobre a justiça; uma mulher sobre sua rival; um tímido sobre a guerra; um mercador sobre o negócio; um comprador sobre uma coisa para vender; um invejoso sobre a gratidão; um ímpio sobre a piedade; um homem desonrado sobre a honestidade; um lavrador sobre o seu trabalho; um operário, contratado por um ano, sobre o término de seu contrato; um criado preguiçoso sobre uma grande tarefa! Não confies neles e em nenhum de seus conselhos. Sê, porém, assíduo junto a u…

Retornando de viagem

E com um texto antigo, mas de grande valor: Reminiscências das Gerais Fazia muito tempo que não vinha à casa, casa de recordações e sonhos, dos meus pais e minha, onde guardava as lembranças de doces momentos vividos que se romperam bruscamente quando fui para a grande cidade. Tempos de doces e compotas, de queijos, vacas pastando, dias claros e noites escuras, ruído de grilos, cocoricós e muuus em sintonia perfeita com o mato, que crescia e verdejava, da represa e dos peixes, e das comidas gostosas e saudáveis da mamãe. Lembrava-se dos pais acordando cedinho, "com as galinhas", para cuidar de tudo - do cafezinho puro, dos pães de queijo e das quitandas, e sentia-se feliz. Um dia a vida a levou para novos ares, da grande cidade com seus sonhos e ilusões, e suas perspectivas de grandeza; que se diga que a labuta do campo é severa, e cobra seu preço de todos, no embrutecimento do corpo e da alma, e nas ilusões perdidas entre sonhos de pequenos luxos e de uma vida melh…

Aviso aos navegantes

Estarei de viagem nos próximos dias - e, em breve, terei novos posts para mostrar; mas não estranhem uma edição extraordinária, diretamente de uma lan-house nas terras onde manam bastante leite e estórias pra contar. Informou o Olho Clínico, em edição extraordinária (mais ordinária que extra) ...

De olho no referendo: porque voto NULO

Não sou o tipo de pessoa que votaria nulo em uma eleição: se é para exercer um dever cívico, que o seja de forma decente. E, antes que alguém venha com a balela dos comerciais da Justiça Eleitoral: sim, porque podemos abrir mão do direito mas votar é uma atitude que temos que fazer sob pena de perder salário, no caso do funcionalismo público, passaporte e novos documentos, sem falar nos transtornos para justificar o voto e outras anomalias do nosso sistema eleitoral brasileiro (das quais voltarei a escrever em outras oportunidades, senão esse texto perde completamente o rumo). Mas o fato é que, pela primeira vez em 14 anos de experiências de voto democrático que esse cidadão já passou em nosso país - e que começaram justamente em uma experiência semelhante, a do plebiscito sobre sistema de governo em 1993 - eu penso seriamente em anular meu voto nesse referendo, se é que isso vai valer alguma coisa na formulação dessa lei. Para explicar do que se trata: não está aparecendo muito, mas em…

Na volta da padaria

- Onde é que cê tava, Adamastor? - Ué, 'tava na rua. - Fazendo o quê? - Nada, oras, só fui lá na esquina comprar pão e tomar uma cervejinha ... - Cervejinha, sei ... pensa que eu não vi? - Não vi o quê? - O jeito que cê olhava pra gostosa lá da frente? - Qual frente? - A da padaria, oras! Aquela, que tem o carro ... - Ah, sei, o "pejô" ... - É, aquela de shortinho curto ... - É, agora que cê disse, ela num tava de shortinho não, tava de vestido e num tava tão curto assim ... - Viu? Cê tava vendo, num tava? - Eu? Quéisso, aquela mulher é casada - já viu o marido dela? - É aquele cara, grandão, parecido com o galã da novela que tá lá na frente? - É, o tremendo do armário ... ei, peraí, quando é que ocê viu ele? - ... - Tava de olho, né? - Quéisso, 'morzinho - não era nada disso. É que ele sempre lava o carro na frente, e estava sem camisa; e era forte, cê precisava ver ... - Mas é ciumento, ciumento que só ... - Ué ... comé qui cê sabe? - Ele foi lá no bar; eu tava tomando uma pi…

De olho no passado: Centro, velharia eterna?

No blog do Ricardo Noblat (http://noblat.blig.ig.com.br ou http://noblat.ultimosegundo.com.br), entre tantas notícias severinas, informações sobre o estado claudicante do nosso governo e ataques de parte a parte entre simpatizantes do time petista e do time tucano, alguns pequenos comentários sobre a reforma iminente do aeroporto Santos Dumont me fazem pensar se realmente gostamos de nossa História e de nossa gente. Seguem trechos dos dois textos, de Hideberto Aleluia e de Chico Bueno - os primeiros são sobre o Santos Dumont: Quem vê os aeroportos de Congonhas, Recife, Salvador, Brasília, sabe que o Santos Dumont vai virar um caixote de concreto, a consumir energia elétrica e ar condicionado 24 e não se surpreenda, no verão com a ausência do ar, tão comum nos outros aeroportos do país. Em nenhum deles a arquitetura contempla a luz do sol, a vista e os fatores climáticos tropicais. Em todos, a gaiola de concreto transmite ao passageiro a impressão de estar desembarcando num…

A lenda do mata-sem-vergonha

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A lenda do mata-sem-vergonha Da viela, de onde não sai nada, de repente, um vulto sai. É parrudo, forte, botinudo, um homem que vai. Mas atrás desse vulto forçudo sai um cheiro também. É enxofre, beirando a estrume, que não me cai bem. E o gosto, na boca, de sangue, desliza, num ai. É o vinho, vinho do demônio, que atiça, e atrai. E o homem, vulto tão forçado, some no matão. E na noite o grito renasce: morreu um varão. "Em uma casa o pranto é total, e em outra os perdidos riem de espanto; mais uma vez ataca o mata-sem-vergonha, aquele que vinga os perdidos e assalta os hipócritas, rouba dos puritanos para dar aos mendigos, ladrão sem direção, à procura da própria alma, que o zebedeu roubou. Cuidado, você pode ser a próxima vítima do mata-sem-vergonha ..." FPS, 05/09/05, 18:12

O tempo e o mundo

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O tempo, esse bandido, é senhor das horas do meu, do seu, do nosso destino. E aquela pracinha, no meio do nada, era a melhor testemunha do que eu estava falando: simples, calma, como sempre são as praças do interior do meu país, poucas vezes abalada por ruídos mais fortes que o das crianças brincando e o dos velhos jogando dominó todos os dias, vendo a vida passar lentamente, como num sussurro. O tempo, ah, o tempo, senhor dos meus destinos e de todos nós; tempo esse que nos mata, à medida em que passa - matamos o tempo e e ele vai nos tirando as forças lentamente, não era isso que o maldito dizia com outras palavras há três séculos atrás? E o tempo, passando, nos leva, para os sonhos distantes; sonhos das faculdades dos garotos, das vacas pastando, dos casamentos e festas em sítios, dos bate-pernas por todos os lados, das roças e dos touros que servem de alimento e de sustento: - Vende ou não vende? Arre, que já vai tarde! E o tempo, esse tempo que me leva para longe, para cidades distant…